O dia em que resolvi parar de ter aquelas conversas profundas sobre o sentido da vida e comecei a vivê-la

Um dia produtivo, daquele tipo que adoro. Eu voltava para casa de bicicleta, satisfeita e cansada. O problema foi o horário: ainda eram sete horas da noite. Vislumbrei a cena. Eu abriria a porta, seria recebida por aquele silêncio denso, não teria ninguém para quem ligar, nenhum bicho para alimentar, só restaria o computador e o trabalho pendente. Se encarasse mais uma dose de obrigação, arruinaria aquela quinta-feira, que já estava na medida certa, e iria dormir com a sensação de mais outro dia repetido, igual ao anterior e ao anterior e ao anterior. Enrolei-me no caminho de volta, esperando uma solução mágica.

Foi então que encontrei rostos conhecidos. Gente de quem nem gosto muito, mas era uma oportunidade de conversar. Fiquei superexcitada, me atropelei, falei mais do que devia. Quando me dei conta, revelava àquelas pessoas de quem nem gosto muito o quanto eu vinha me sentindo solitária. E isso já faz uns quatro anos, mas elas supuseram que era uma condição que se arrastava de apenas dois anos para cá, sorte a minha.

Desesperada pela chance de entrar em contato com coisas reais, eu as afastei com palavras, pareci ser alguém pior do que de fato sou. Foi então que descobri o sentido da coisa toda.

Não importa quem o outro seja, só importa entrar nos olhos desse ser e se sentir em casa. O tempo age sobre todos. O outro vai mudar, eu vou mudar, apenas essa conexão não pode mudar, porque ela nos antecede e nos justifica. Nisso consiste o meu romantismo. É do pior tipo, porque ele não dá uma colher de chá nem para os bonitinhos e razoavelmente inteligentes. Ou é um cogumelo atômico ou é nada.

Sem mais explicações, me encontra lá fora.

Comentários

  1. Falando em viver a vida, vamos combinar de sair para encher a pança? Conhece um bom e barato?

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  2. E como é que anda a vida vivida?

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