Abortos: Festividades

Diogo e Marcelina se conheceram no dia da padroeira da cidade, numa feirinha gastronômica. Na mesa de plástico, dividindo o molho de pimenta, falaram de pierogis, da avozinha já falecida, do amor. A moça morava ali pertinho, pediram a sobremesa para viagem. Nesse dia, nasceu uma tradição: em toda data festiva, eles se refestelavam de pratos típicos e sexo caseiro. Páscoa, Dia do Trabalho, Corpus Christi, São João, Independência do Brasil ou de qualquer outro país que conviesse – oportunidade sempre havia. Nos dias regulares, a vida seguia, tantas coisas mais para pensar, mal se falavam. Esse sistema funcionava, difícil era explicar para os outros. Os amigos de Má quiseram saber onde isso ia dar, achavam que Diogo estava se aproveitando dela. Crítica feita, dúvida plantada. No Réveillon passado, ocasionalmente como sempre, encontraram-se os dois sob o céu explosivo. Ele abriu o sorriso, e ela a boca para xingar. Em vez de beijo, houve tapa à meia noite. Neste ano, eles acompanham o desfile de Carnaval pela TV, cada um na sua respectiva casa.

**

Da série "Abortos", leia também:
Curto e grosso
Cegueira
Volta
Aparição
Amor livre
Bad reputation
Maiores de idade
A terceira
Dai as mãos

Comentários

  1. Ele se aproveitava dela e ela se aproveitava dele. Mulheres fazem muito drama quanto a isso.

    ResponderExcluir

Postar um comentário