Abortos: A terceira

Georgette dizia que nunca teria filhos. Arruinava o corpo, favorecia que o marido olhasse para as sirigaitas. Ela chegou aos 35 anos em boa forma, o que não impediu Robson de traí-la às vésperas dos dez anos de casamento. Pior foi o amadorismo dele, com camisinhas esquecidas no carro, SMS comprometedores de um tal de Nicolas, que na verdade era Nicole, e tudo o mais. A separação foi imediata, só não foi mais rápida que a saudade que se seguiu. Georgette logo cedeu aos convites do ex-marido para aquele restaurante romântico, um motelzinho quatro estrelas e, quando percebeu, estavam namorando. Se aquela situação já não parecia bastante juvenil, piorou quando constataram a gravidez acidental. Robson se sentiu aliviado com a notícia: ser namorado, amante e Dom Juan aos 49 anos dá um trabalhão, ele enfim poderia voltar a ser apenas o marido. A futura mamãe, por sua vez, entrou num estado de choque que só foi piorando. Sempre haveria alguém entre o casal. Se não fosse a amante era a criança. Se não fosse a criança era a paranoia da mulher. Imagine, então, quando vier a prole de netos numa proporção exponencial. Ah, a matemática, essa malvada!

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Dai as mãos

Comentários

  1. Coitada dessa filha. Mas pera aí, já fez o ultra pra saber o sexo? :P

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    1. Vc me deu uma ótima ideia para edição do texto. O objetivo não é manter o sexo do filho no feminino, mas o gênero da palavra, para promover a concordância com "a terceira". Grazie mille!

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