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I hate myself for loving you

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O título deste post foi tirado de uma música da Joan Jett (obrigada, Ni, pela indicação! Adoro vocalistas com cabelos bacanas!). Se tiverem a curiosidade de ver a letra , vão se deparar com uma bela declaração de amor a um filho da puta. Para resumir a ópera, ela diz: você me despreza, mas ainda estou aqui te querendo. Quem nunca insistiu em amar alguém mesmo sabendo que as chances de ser correspondido eram zero ou até menos? Aliás, começo a desconfiar de que as pessoas preferem amar sozinhas, como se a correspondência do ato implicasse desvalorização do sentimento. Parece-me que está em jogo o típico desejo de provar a própria importância, propor-se a conquistar algo que ninguém conseguiu, além de uma dose de impulso autodestrutivo. Esse é um lado da situação, bastante conhecido de nós, mas gostaria de enfocar também o outro, o do canalha. Você aí que sabe daquele cara ou daquela garota correndo atrás de você, coitados, e que não tem nenhuma intenção de corresponder, mas mesmo...

Agostiniana: começar do zero o tempo todo

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O que passou não existe mais, nem mesmo o minuto antes deste. Tudo morto, delegado a um lugar que não sabemos qual é, talvez até um não-lugar. O passado não é nada. Já foi um dia presente, mas, tendo-se tornado antigo, concretizando-se, acabou, torna-se irrecuperável. O mais próximo que se pode chegar dele é lembrando-se, mas a memória se dá no presente, não consegue resgatar o mesmo tempo que se foi, e mesmo a experiência rememorada não é igual à original, pois selecionamos fatos, resignificamos. Tudo morto, repito. Por que diabos, então, nos apegamos tanto ao ido? A resposta que me parece mais óbvia é que tratamos o passado como algo concreto, mesmo não sendo, porque é isso que nos dá substância, coerência quando nos perguntamos quem somos. Em geral respondemos: me nomeram X, nasci há n anos, vivi em tal lugar, estudei uma gama de temas, gastei horas ouvindo essa e aquela banda. Tudo coisas do passado. Mesmo o uso de verbos no presente, como "eu gosto disso", não par...

O caminho espiritual (não tão) fácil de Madonna

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Não estou falando de Nossa Senhora, Maria, mas da cantora pop mesmo. Por algum motivo as pessoas abafam uma risadinha quando digo que Madonna é a artista que mais admiro no conjunto. Talvez pela descrença geral quanto às capacidades dela de compor e cantar sozinha (sem computador ou produtor célebre), talvez pela contradição com minhas crenças religiosas. Neste post, vou mostrar que a temática religiosa é uma constante na carreira dela e, ainda de quebra, indicar umas músicas nas quais ela canta lindamente, elevando quem a ouve um tantinho mais perto de uma experiência espiritual. As pessoas tendem a se lembrar dela com sutiã pontudo, beijando homens, mulheres e travestis (Justify my Love, ótimo clipe), dizendo que é uma garota materialista. Sim, Madonna é tudo isso, mas também tem outras facetas, como qualquer um de nós. E isto é o mais interessante nela: o pecado assumido. Ora ela se diverte pecando (“I’m a sinner, I like it that way”), ora gostaria de encontrar o caminho cert...

Bilbo Bolseiro ensina

Quando você sai de casa, está saindo de um ambiente altamente controlado para se expor ao imprevisível. Qualquer coisa pode acontecer. Inclusive encontrar alguém que você nem lembrava que conhecia e sentir-se exultante, como se tivesse achado exatamente a pessoa que mais desejava ver. Claro, há também o risco de trombar nessa daí. Então são muitas ... e !!!

Frase [VI]

Nunca namore alguém por quem já tenha amizade: embora pareça que se ganha um amante, na verdade, apenas se perde um amigo.

Oração pré-balada

Senhor Jesus Cristo, pregaste que não fôssemos deste mundo e a esse fim eu almejo. No entanto, sei que ainda sou fraca e minha fé é pequena, por isso, abençoa-me esta noite para que não eu seja contagiada pelos ímpios que cruzarem meu caminho. Ajuda-me a seguir firme na minha jornada espiritual, a praticar os seus ensinamentos ainda que o ambiente seja desfavorável. Que eu não ceda às tentações, que não seja leviana ou viciosa. Que não eu cruze com pessoas que me desejam mal, como ex-namorados e colegas invejosos. Que seja uma noite abençoada, de celebração da vida e da amizade verdadeira, aquela que não nos tenta tirar da tua graça. Obrigada pela saúde e pela disposição! Sei que todas as virtudes que atribuo a mim própria vêm de ti. Amém. (Se alguém planeja comentar tirando sarro, saiba que eu escrevi esta oração a sério. Fui pegar meu livro de preces e vi que não havia nada para este momento. Em vez de suspender o meu lado cristão por algumas horas e cair na farra, como fazem muitos ...

O que vou dizer... [I]

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... quando meus filhos ou sobrinhos (o que é mais provável) perguntarem por que faz mal comer doce se é tão gostoso. Versões: a) teológica: os prazeres da carne são tentações para nos desviar do bem maior, Deus. Eles são efêmeros e, quando acabam, nos levam ao sofrimento. O alimento que o estômago pede nos satisfaz por pouco tempo, logo precisamos de mais; já o alimento do espírito, que é a palavra de Deus, nos sacia pela eternidade afora. Se você vive apenas para o corpo, o espírito passará fome e, enfraquecido, não o impedirá de pecar. É preciso atender às necessidades os dois, mas colocar o espírito, substância mais pura que a matéria corpórea, como mandante de nossa vida. Agora larga esse pacote de Negresco (como isso entrou em casa, para início de conversa?) e se troca para a gente ir à missa. b) nutricional/estética: a textura da gordura e do açúcar derretendo na boca provoca o prazer. Agora, se você acha que vale a pena ficar gordo, diabético e com veias entupidas par...

Sobre a castidade

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Esta semana estou lendo Confissões, de Santo Agostinho, e lá encontrei bons argumentos a favor da castidade. O principal aponta a efemeridade dos sentimentos promovidos pelo prazer sensual, que logo se segue de insegurança e ciúme, em detrimento do amor divino, que é pleno. Transcrevo abaixo um trecho. "Vim para Cartago logo fui cercado pelo ruidoso fervilhar dos amores ilícitos. Ainda não amava, e já gostava de ser amado, e, na minha profunda miséria, eu me odiava por não ser bastante miserável. Desejando amar, procurava um objeto para esse amor, e detestava a segurança, as situações isentas de risco. Tinha dentro de mim uma fome de alimento interior – fome de ti, ó meu Deus! Mas, não sentia essa fome, porque não me apeteciam os alimentos incorruptíveis, não por estar saciado, mas porque, quanto mais vazio, mais enfastiado eu me sentia. Minha alma estava doente, coberta de chagas, ávida de contato com as coisas sensíveis. Mas, se estas não tivesse alma, certamente não...

Sobre o estilo acadêmico

Hoje três pessoas vieram me falar do artigo que transcrevo abaixo. Não esperei por um quarto alerta, fui atrás de lê-lo e entendi por que despertou tanto interesse. Para continuar o trabalho de corrente, indico-o a vocês. Tomara que também lhes seja inspirador. Batalhas verbais JOÃO PEREIRA COUTINHO FOLHA DE SP - 04/09 Primeira lição: não existem grandes escritores que não sejam grandes leitores também NO DIA em que terminei de escrever a minha tese de doutorado, enviei o manuscrito para um colega. E pedi uma opinião sincera. Três dias volvidos, ele respondeu: "Você vai ser fuzilado pela banca". O problema estava na qualidade do texto. A tese estava bem escrita. Pior: bem escrita e totalmente compreensível. Eu tinha cometido uma heresia nas ciências sociais: escrever uma tese de doutorado com o propósito honesto de ser lido e compreendido. Sugestão dele para evitar o desastre: reescrever o texto e transformar cada parágrafo em paralelepípedo. Lembro essa história agora por d...

Sugestões para uma civilização do futuro

Já que o controle sobre nossa vida privada é inevitável (sob o pretexto de ser seguro e até descolado viver com um GPS colado na bunda) e só tende a crescer, aí vão algumas sugestões para sofrer menos com relacionamentos numa civilização do futuro. 1) Facebook empático. Por uma análise da sua personalidade e das suas atividades, ele automaticamente barra as atualizações que farão você sofrer. A solução é nova, o princípio não: o que os olhos não veem o coração não sente. 2) Espécie de programa de proteção à testemunha, mas para pessoas que terminaram o relacionamento. Você ganha uma nova identidade numa outra cidade. Talvez inclua até um novo guarda roupa (isso ainda precisa ser melhor pensado para não ficar economicamente inviável). A ideia é nunca mais correr o risco de cruzar com alguém da vida passada. Ou, se você tem apego às suas coisas atuais, apele para a boa e velha violência e contrate um jagunço – e para isso nem precisa esperar o futuro chegar –, mas considere que, por ...