I hate myself for loving you


O título deste post foi tirado de uma música da Joan Jett (obrigada, Ni, pela indicação! Adoro vocalistas com cabelos bacanas!). Se tiverem a curiosidade de ver a letra, vão se deparar com uma bela declaração de amor a um filho da puta. Para resumir a ópera, ela diz: você me despreza, mas ainda estou aqui te querendo.

Quem nunca insistiu em amar alguém mesmo sabendo que as chances de ser correspondido eram zero ou até menos? Aliás, começo a desconfiar de que as pessoas preferem amar sozinhas, como se a correspondência do ato implicasse desvalorização do sentimento. Parece-me que está em jogo o típico desejo de provar a própria importância, propor-se a conquistar algo que ninguém conseguiu, além de uma dose de impulso autodestrutivo.

Esse é um lado da situação, bastante conhecido de nós, mas gostaria de enfocar também o outro, o do canalha. Você aí que sabe daquele cara ou daquela garota correndo atrás de você, coitados, e que não tem nenhuma intenção de corresponder, mas mesmo assim que não se preocupa em explicitar qual é a real. Você é o filho da puta da história.

É legal ser amado por alguém que não nos interessa de fato? Suponho que sim, embora eu particularmente não goste. Para o babaca, deve dar, no mínimo, uma sensação de segurança. Na hora em que o cretino estiver desesperado – sim, isso acontece até com esse tipo de gente, aqueles sábados à noite terríveis –, sabe que pode ligar para alguém e que um(a) trouxa vai vir correndo para lhe massagear o ego.

O admirador também é muito útil para alimentar a autoestima do parasita no dia a dia. Ainda que este seja um horroroso, com voz estridente, cafona e chato, vai se sentir o máximo para sair galanteando por aí. Nós bem sabemos que autoconfiança é tipo maquiagem profissional, deixa qualquer pessoa super bonita, quase irreconhecível. Então, caro apaixonado, preste bem atenção nisto: com a sua dedicação ao bastardo, você só está afiando a faca com a qual ele vai abater garotinhas na balada!

Às vezes um flerte irresponsável pode ser divertido para ambos os lados, fortalecer a confiança das duas pessoas. Agora, se um dos dois se apaixona, o outro tem o dever moral de agir com mais cautela. Está aberto às possibilidades? Ok. Não está? Diga e se afaste.

Como o post não está especialmente alto nível – Carrie Bradshaw´s return –, não me preocupo em encerrá-lo com uma baixaria que não poderia resumir melhor minha opinião: ou caga ou sai da moita!

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Um filme bacana para quem está no papel de stalker é "Ele não está tão afim de você". É aliviador saber que você não fez nada errado e não precisa se torturar se ele não ligou de volta. Afinal, o tal amar e ser amado é muito raro. A mensagem do filme é que você vai saber identificá-lo quando isso acontecer. Enquanto isso, relaxe.

Agora, meu lado crítico precisa fazer um comentário menos entusiasmado sobre o filme. Sem de um lado é tranquilizador, de outro, ele reforça a ideologia de todo filme romântico: você tem se que apaixonar e, se não o fizer, a vida será vazia. Mas também muita ingenuidade esperar que um filme blockbuster daria outra perspectiva. Até o amor como o vivemos é produto para a indústria. Certamente há outros tipos, pena que não chegamos a conhecê-lo, porque fomos entupidos de Cinderelas e Pretty womans. Não há príncipes encantados nem Richard Geeres na vida real. Uma pena.

Comentários

  1. Já fazia um tempo que não passava por aqui! bom ver maringaenses escrevendo! abraços!

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