O que vou dizer... [I]
... quando meus filhos ou sobrinhos (o que é mais provável) perguntarem por que faz mal comer doce se é tão gostoso.
Versões:
a) teológica: os prazeres da carne são tentações para nos desviar do bem maior, Deus. Eles são efêmeros e, quando acabam, nos levam ao sofrimento. O alimento que o estômago pede nos satisfaz por pouco tempo, logo precisamos de mais; já o alimento do espírito, que é a palavra de Deus, nos sacia pela eternidade afora. Se você vive apenas para o corpo, o espírito passará fome e, enfraquecido, não o impedirá de pecar. É preciso atender às necessidades os dois, mas colocar o espírito, substância mais pura que a matéria corpórea, como mandante de nossa vida. Agora larga esse pacote de Negresco (como isso entrou em casa, para início de conversa?) e se troca para a gente ir à missa.
b) nutricional/estética: a textura da gordura e do açúcar derretendo na boca provoca o prazer. Agora, se você acha que vale a pena ficar gordo, diabético e com veias entupidas para obter essa sensação, vá em frente e coma esse donut.
c) médica: vamos fazer um exame de verminoses já!
d) biológica: a abundância de alimentos que experimentamos hoje é um fato recente na história da humanidade. Antes da revolução agrícola moderna, havia escassez de alimentos. Como nosso corpo é uma máquina programada para sobreviver pelo menos tempo o suficiente para se reproduzir e garantir a perpetuação da espécie, sentimo-nos atraídos por alimentos mais ricos em energia, caso dos doces. Hoje vivemos uma situação anormal em que, além da superabundância de gêneros alimentícios, a medicina nos garante mais de 80 anos de vida, tempo mais do que suficiente para nos reproduzirmos (o que temos, surpreendentemente, nos negado a fazer!) e enterrarmos nossa própria prole. O mecanismo de atração por açúcar já não tem mais propósito de ser, uma vez que agora temos frutas, verduras, grãos e carnes durante todo o ano. Ironicamente, passou de um fator de sobrevivência para um de adoecimento. Mas quem quer viver para sempre?
e) distraída: você tá na TPM? (para uma criança de 6 anos)
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