Sugestões para uma civilização do futuro
Já que o controle sobre nossa vida privada é inevitável (sob o pretexto de ser seguro e até descolado viver com um GPS colado na bunda) e só tende a crescer, aí vão algumas sugestões para sofrer menos com relacionamentos numa civilização do futuro.
1) Facebook empático. Por uma análise da sua personalidade e das suas atividades, ele automaticamente barra as atualizações que farão você sofrer. A solução é nova, o princípio não: o que os olhos não veem o coração não sente.
2) Espécie de programa de proteção à testemunha, mas para pessoas que terminaram o relacionamento. Você ganha uma nova identidade numa outra cidade. Talvez inclua até um novo guarda roupa (isso ainda precisa ser melhor pensado para não ficar economicamente inviável). A ideia é nunca mais correr o risco de cruzar com alguém da vida passada. Ou, se você tem apego às suas coisas atuais, apele para a boa e velha violência e contrate um jagunço – e para isso nem precisa esperar o futuro chegar –, mas considere que, por outro lado, o ex pode ter essa ideia antes.
3) Opção hardcore: tornar possível a empresa de Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Você olhará para as coisas e as pessoas que foram importantes como se nunca as tivesse visto antes. Hoje a gente até pode fingir que sente isso, mas o sentimento infelizmente é espontâneo. Graças a Deus temos o orgulho para nos proteger – belo instinto de sobrevivência!
Pensando bem, ao amenizar tanto o sofrimento, não estaríamos deixando de ser humanos? Não sofrer pode até vir a se tornar uma nova fonte de angústia. Do tipo: meu melhor amigo morreu e não sinto nada, que tipo de monstro eu sou? (Exemplo inspirado no fatal Septimus, de Ms. Dalloway.)
Ou podemos simplesmente nos trancar em casa, de pijama, enfiar a cara em livros e filmes e tentar sublimar o sofrimento em arte. Sem sofrimento não haveria arte – parece um preço justo. Por isso, vamos dar um monte de dinheiro aos sofredores para que se sintam sempre motivados a sofrer e produzir coisas bonitas.
(Tenho a impressão de que já usei esse argumento em algum post passado. Preguiça de checar. De qualquer forma, eu sou, sim, redundante; omitir isso seria mentir [mais ainda] a vocês.)
1) Facebook empático. Por uma análise da sua personalidade e das suas atividades, ele automaticamente barra as atualizações que farão você sofrer. A solução é nova, o princípio não: o que os olhos não veem o coração não sente.
2) Espécie de programa de proteção à testemunha, mas para pessoas que terminaram o relacionamento. Você ganha uma nova identidade numa outra cidade. Talvez inclua até um novo guarda roupa (isso ainda precisa ser melhor pensado para não ficar economicamente inviável). A ideia é nunca mais correr o risco de cruzar com alguém da vida passada. Ou, se você tem apego às suas coisas atuais, apele para a boa e velha violência e contrate um jagunço – e para isso nem precisa esperar o futuro chegar –, mas considere que, por outro lado, o ex pode ter essa ideia antes.
3) Opção hardcore: tornar possível a empresa de Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Você olhará para as coisas e as pessoas que foram importantes como se nunca as tivesse visto antes. Hoje a gente até pode fingir que sente isso, mas o sentimento infelizmente é espontâneo. Graças a Deus temos o orgulho para nos proteger – belo instinto de sobrevivência!
Pensando bem, ao amenizar tanto o sofrimento, não estaríamos deixando de ser humanos? Não sofrer pode até vir a se tornar uma nova fonte de angústia. Do tipo: meu melhor amigo morreu e não sinto nada, que tipo de monstro eu sou? (Exemplo inspirado no fatal Septimus, de Ms. Dalloway.)
Ou podemos simplesmente nos trancar em casa, de pijama, enfiar a cara em livros e filmes e tentar sublimar o sofrimento em arte. Sem sofrimento não haveria arte – parece um preço justo. Por isso, vamos dar um monte de dinheiro aos sofredores para que se sintam sempre motivados a sofrer e produzir coisas bonitas.
(Tenho a impressão de que já usei esse argumento em algum post passado. Preguiça de checar. De qualquer forma, eu sou, sim, redundante; omitir isso seria mentir [mais ainda] a vocês.)
Imagine uma Adele se não fosse a dor de corno...
ResponderExcluirComo diria o filósofo Bam-Bam (aquele do BBB sem número): Sofrer "faz parte". De qualquer modo, gostei mesmo da ideia do Facebook empático.
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