Amendoins confeitados

i. quem senta na ponta paga a conta

Hoje quando foi ao RU (Restaurante Universitário, para quem não está familiarizado), me entregaram o seguinte informe:

“Em virtude da ocupação do prédio da Reitoria, que vem impossibilitando o pagamento dos fornecedores de gêneros alimentícios (semi-perecíveis, carnes e hortifrutigranjeiros), bem como o registro de empenho pelo DCF/PROPLAN, comunicamos que a partir da próxima sexta-feira, dia 26 de outubro, os Restaurantes Universitários da UF** estarão fechados devido ao desabastecimento.

Reitoria”


Por que, não importa o que aconteça (greve, ocupação etc), são sempre os estudantes de menos recursos financeiros – e que, portanto, dependem vitalmente do RU – que pagam o pato?

ii. a cobra, a mulher e o rabo de Truman Capote


Vamos à nossa próxima delícia açucarada.

Há tempos venho planejando escrever um post sobre ser mulher. Mas hoje vejo que ainda não estou pronta para esse assunto tão espinhoso. Então como lidar com o problema por ora? Bem, colocarei algumas citações para vocês ficarem a par do que vem mexendo com as minhas idéias, e depois, num futuro próximo, voltamos ao assunto.

Primeira testemunha: Truman Capote

No conto Mojave (o meu favorito do livro 20 contos de Truman Capote), meu colega jornalista disse, pela boca de um personagem, que as mulheres e as cobras tinham muito em comum. A principal semelhança: o rabo era a última coisa que morria.

Segunda testemunha: Fritjof Capra

No livro O ponto de mutação, assim ele se refere à obra de Francis Bacon. “De fato, sua idéia da natureza com uma mulher cujos segredos têm que ser arrancados mediante tortura, com a ajuda de instrumentos mecânicos, sugere fortemente a tortura generalizada de mulheres nos julgamentos de bruxas no começo do século XVII”. (p. 52)

Terceira testemunha: Simone de Beauvoir

Esta é clássica demais: “Não nascemos mulher; nos tornamos mulher”. Pena que não estou com o livro à mão para copiar um trecho da introdução, em que há uma discussão muito interessante sobre a diferença de conotação entre macho e fêmea.

Quarta testemunha: Friedrich Nietzsche

Uma de suas muitas frases depreciativas sobre a mulher: “Se uma mulher tem inclinações eruditas é porque, em geral, há algo de errado na sua sexualidade. A esterilidade predispõe a uma certa masculinidade do gosto; é que o homem, com vossa licença, é de fato ‘o animal estéril’".

Quinta testemunha: “sabedoria” popular

“Mulher sem bunda é mulher sem alma”.

Que Deus proteja a alma desses hereges quando a minha raiva estourar. Por enquanto estou só acumulando argumentos suficientes para liberar o meu Sócrates interno. (Ia dizer Nietzsche, mas lembrei que ele não tem uma imagem lá muito boa das mulheres.)

iii. o imprestável do jornalismo


Quando os jornalistas terão recursos suficientes (a começar por tempo e inteligência) para apurar direito os fatos e escrever algo que valha a pena ler?

iv. segundo item da lista que enviarei a Sandy Claws

Comentários

  1. Hey su, levar algo do Capra a sério é fim de carreira...

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  2. Susu, esqueceu de Schopenhauere seu clássico "a mulher é um animal de cabelos longos e idéias curtas"!!ahahah, homens e seus problemas pelo falo curto...

    Meu bem; desisti dos jornalistas, nunca criarão cerebros. Por isso, abrece o sistema e escreva coluna de fofoca; há muito mais crítica sarcástica social em "O melhor do Brasil" do que no "Manhattan conexion"

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  3. é so colocar silicone na bunda,amigo

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  4. Su, você está inda atrás das testemunhas erradas!!! São três homens mais o povo (ainda dominado pela hierarquia que Derrida, no fundo, não quer desconstruir) contra uma mulher... Desde quando homem sabe o que é ser mulher?
    E cuidado com as frases do Capote, na verdade ele está sempre escrevendo sobre si mesmo...

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  5. OMG!
    Eu simplesmente AMO Calvin e Haroldo!
    E preciso do livro deles! hahaha
    Saudades da senhorita!
    Essas últimas semanas de aula andam tão preguiçosas que nem vejo vc com tanta frequência :(

    Beeijo!

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