Dor de jornalista
A moléstia que ataca minha classe profissional não pode ser outra senão a no estômago. Sinal de estresse, má alimentação e ingestão de todo tipo de veneno – inclusive o exalado pelos semelhantes.
Eu não pretendia (e não pretendo!) fazer este post como um desabafo pessoal. Mas só tive essa rápida recaída, por causa da última atualização desanimada da minha amada Regatinha. Fiquei desanimada também. Além de ter a mania de tomar para mim a dor dos outros – sim, sou hipocondríaca convencional e emocional –, sempre que leio o blog da minha amiga, ela deixa tantas críticas codificadas que morro de medo de me encaixar numa delas e ser tão tonta a ponto de nem perceber.
Bem, mas o que eu tinha a dizer já está dito. Vamos à idéia original do post.
**

Seguindo a moda por aí, estou revendo alguns dos meus conceitos. A primeira mudança, talvez a que mais diga sobre minha essência, descrevo agora.
Scarlett O’Hara não é mais a minha musa inspiradora. Troquei-a por Maria Moura. Conhecem? Provavelmente o nome, no mínimo, soa familiar, pois o livro em que essa personagem aparece, Memorial de Maria Moura, já foi adaptado para TV em uma série da Globo há 14 anos. Não cheguei a ver, e nem faço questão. Primeiro, porque odeio Glória Pires. E segundo, porque o livro é tão maravilhoso que tenho medo de essa versão estragar toda a boa impressão que tive na leitura.
Pois bem, Maria Moura é tão extraordinária – e ao mesmo tempo tão condicionada por sua natureza feminina – que faz a Scarlett parecer uma gatinha inofensiva. Ainda gosto do mau caráter desta, mas passei a valorizar mais quem suja as próprias mãos do que quem só manipula os outros para fazerem isso. Ela é macho demais!
E aqui abro parênteses para explicar “macho”. Embora a personagem vista calças, monte “feito homem” e use cabelos curtos em plena sociedade escravista do século XIX, não quero dizer que ela seja masculina. Afinal, muitas mulheres têm essa aparência hoje sem perder a feminilidade. “Macho” no sentido de forte, resolvida, capaz de tudo. Gostaria de que houvesse uma palavra que significasse tudo isso sem remeter ao sexo masculino, mas acho que será necessário inventá-la (alguma sugestão?), porque “fêmea” nem de longe tem essa conotação.
Voltando à minha nova heroína. Um breve resumo da trajetória dela. Aos 17, fica órfã e se torna amante de Liberato, o “amigado” de sua mãe. Ao desconfiar que ele foi o responsável pela morte da Mãe, convence um cabra a matá-lo. Para esconder as provas que recaíam sobre si, ela dá um jeito de também assassinar seu cúmplice. Para complicar a trama, dois primos seus querem se apossar das terras que o Pai lhe deixara. Ela junta um pequeno exército de caboclos, taca fogo na propriedade – prefere vê-la destruída a cedê-la a alguém – e foge. Por alguns meses leva uma vida andarilha. Mas nem por isso mingua, ela e seus homens vão se fortalecendo a base de furtos até que decidem se estabelecer num local. Daí, eles constroem a Casa Forte na Serra dos Padres. E Maria Moura passa a ser conhecida por todo o sertão como a mulher que anda com a “cabraiada armada”; é temida e respeitada. Não posso contar o resto para não dar spoiler. É interessante ver os conflitos de guerra e de amor por que ela passa.
Para fechar o meu relato de admiração, uma frase de Maria Moura que, apesar de ser do final, não revela nada da trama, mas sim muito da personagem:
“Se tiver que morrer lá, eu morro e pronto. Mas ficando aqui eu morro muito mais”
É bem assim que eu penso: melhor fazer aquilo a que se sente impelido do que se preservar e morrer aos poucos – de tédio, de arrependimento, de lassidão.
Agora só preciso arrumar minha cabraiada armada. Cadê você, Duarte, o mulato forte, leal, corajoso, reservado e que, de madrugada, se esgueira para a cama da sinhazinha?
Eu não pretendia (e não pretendo!) fazer este post como um desabafo pessoal. Mas só tive essa rápida recaída, por causa da última atualização desanimada da minha amada Regatinha. Fiquei desanimada também. Além de ter a mania de tomar para mim a dor dos outros – sim, sou hipocondríaca convencional e emocional –, sempre que leio o blog da minha amiga, ela deixa tantas críticas codificadas que morro de medo de me encaixar numa delas e ser tão tonta a ponto de nem perceber.
Bem, mas o que eu tinha a dizer já está dito. Vamos à idéia original do post.
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Seguindo a moda por aí, estou revendo alguns dos meus conceitos. A primeira mudança, talvez a que mais diga sobre minha essência, descrevo agora.
Scarlett O’Hara não é mais a minha musa inspiradora. Troquei-a por Maria Moura. Conhecem? Provavelmente o nome, no mínimo, soa familiar, pois o livro em que essa personagem aparece, Memorial de Maria Moura, já foi adaptado para TV em uma série da Globo há 14 anos. Não cheguei a ver, e nem faço questão. Primeiro, porque odeio Glória Pires. E segundo, porque o livro é tão maravilhoso que tenho medo de essa versão estragar toda a boa impressão que tive na leitura.
Pois bem, Maria Moura é tão extraordinária – e ao mesmo tempo tão condicionada por sua natureza feminina – que faz a Scarlett parecer uma gatinha inofensiva. Ainda gosto do mau caráter desta, mas passei a valorizar mais quem suja as próprias mãos do que quem só manipula os outros para fazerem isso. Ela é macho demais!
E aqui abro parênteses para explicar “macho”. Embora a personagem vista calças, monte “feito homem” e use cabelos curtos em plena sociedade escravista do século XIX, não quero dizer que ela seja masculina. Afinal, muitas mulheres têm essa aparência hoje sem perder a feminilidade. “Macho” no sentido de forte, resolvida, capaz de tudo. Gostaria de que houvesse uma palavra que significasse tudo isso sem remeter ao sexo masculino, mas acho que será necessário inventá-la (alguma sugestão?), porque “fêmea” nem de longe tem essa conotação.
Voltando à minha nova heroína. Um breve resumo da trajetória dela. Aos 17, fica órfã e se torna amante de Liberato, o “amigado” de sua mãe. Ao desconfiar que ele foi o responsável pela morte da Mãe, convence um cabra a matá-lo. Para esconder as provas que recaíam sobre si, ela dá um jeito de também assassinar seu cúmplice. Para complicar a trama, dois primos seus querem se apossar das terras que o Pai lhe deixara. Ela junta um pequeno exército de caboclos, taca fogo na propriedade – prefere vê-la destruída a cedê-la a alguém – e foge. Por alguns meses leva uma vida andarilha. Mas nem por isso mingua, ela e seus homens vão se fortalecendo a base de furtos até que decidem se estabelecer num local. Daí, eles constroem a Casa Forte na Serra dos Padres. E Maria Moura passa a ser conhecida por todo o sertão como a mulher que anda com a “cabraiada armada”; é temida e respeitada. Não posso contar o resto para não dar spoiler. É interessante ver os conflitos de guerra e de amor por que ela passa.
Para fechar o meu relato de admiração, uma frase de Maria Moura que, apesar de ser do final, não revela nada da trama, mas sim muito da personagem:
“Se tiver que morrer lá, eu morro e pronto. Mas ficando aqui eu morro muito mais”
É bem assim que eu penso: melhor fazer aquilo a que se sente impelido do que se preservar e morrer aos poucos – de tédio, de arrependimento, de lassidão.
Agora só preciso arrumar minha cabraiada armada. Cadê você, Duarte, o mulato forte, leal, corajoso, reservado e que, de madrugada, se esgueira para a cama da sinhazinha?
Ah, não fique triste por minha culpa ou eu ficarei triste e será um ciclo sem fim... Mas já fico feliz em saber que você só liga meu nome a coisas boas, afinal, nada melhor que as nossas aulas de quarta-feira!
ResponderExcluirAh... Não li a história da Maria Moura ainda... Mas vi trechos da série... Credo. Preciso de literatura!!! Ando tão bitolada em jornalismo que quando alugo livros por diversão o faço pensando no TCC(?)!
Opa. Hein, que posts anteriores? O blog(arte da edição) só tem duas postagens amiga... e o que você quer dizer com "súbita mudança de perfil"? Hummm??? Bjoo
ResponderExcluirTambém não,li o livro em questão, mas já fiquei com vontade apenas por ler seu texto.
ResponderExcluirVocê já leu O Tempo e o Vento? Acho que você ia gostar da Ana Terra. Se não me engano, ela também foi interpretada pela Glória Pires em uma minissérie da Globo :(
Beijo.
pq vc n gosta da Gloria Pires?
ResponderExcluirAmo a Ana Terra!
ResponderExcluirE a Glória Pires é feia. Não odeie pessoas feias, tadinhas...
Amo a Ana Terra também.
ResponderExcluirEla e o seu indião na beira do rio. Ai ai... homens broncos são tudo!
Ah, que nada, o Pedro Missioneiro não é bronco coisa nenhuma. O cara é uma moça, praticamente uma "Rosa mística" .
ResponderExcluirConcordo com vc, até que enfim achei alguém que pensa igual a mim. Maria Moura é uma personagem incrível, foi banalizada pela rede globo e pela protegidinha deles, a Glória Pires. Esta mesmo, que não move um único músculo do rosto para representar e parece só saber representar a si mesma.
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