Mc Donald’s faz parceria com bruxa da Branca de Neve
Do início. Depois de ouvir boatos de que o Pikachu havia se esgotado em alguns Mc Donald’s, corri para buscar o meu. Aliás, ele é lindo. Só seria melhor se fosse em tamanho real, de pelúcia, falasse “Pikachu!” e eletrecultasse pessoas a um comando meu. Mas o amo do mesmo modo. Batizei-o Pikassu. Os puritanos talvez se escandalizem por eu mexer no nome original, mas confesso que não sou das fãs mais exemplares. Só vi a primeira temporada e talvez a segunda, não lembro, na Record (no programa da Eliana, para ser mais específica) e já me sentia velha demais, aos 12 anos. Fazia-o escondida, não comentava com ninguém na escola, embora desconfie de que muitos de meus colegas tinham o mesmo segredo. A puberdade é uma fase difícil, você tem que provar que não é mais criança, principalmente porque ainda é. Como não? Continua fazendo as mesmas coisas dos últimos anos – bater em meninos, desenhar nos cadernos, correr e pular por qualquer pretexto –, com a única diferença de usar sutiã e, ocasionalmente, absorvente. Pokémon me dava vergonha em especial por usar uma técnica de animação muito tosca, que, depois descobri, era padrão nas séries japonesas. Outros desenhos eu vi até bem mais tarde, já adulta e segura para assumir, como Três espiãs demais e Bob esponja, para citar dois que me acompanharam durante a faculdade. Só parei porque minha televisão desistiu de funcionar e, além disso, a Globo cortou a programação infantil. Se eu fosse criança nos dias de hoje certamente estaria articulando um manifesto contra isso. Dizem que as crianças é que são muito adiantadas. Discordo. Somos nós que as forçamos a se equipararem à gente grande, a se vestir e falar igual, consumir os mesmos produtos etc. Só se pode ser criança até uns cinco, seis anos estourando, depois você é mocinho e precisa se acostumar a agir como tal. Olha aí, criançada, você está sendo ludibriada, perdendo o direito a espontaneidade e idiotice impune, fica esperta! Raramente, quando minha sobrinha está por perto, também tenho uma excelente desculpa para me atualizar dos desenhos contemporâneos – o revival de Moranguinho foi um achado ameise! Minha pequerrucha tem quatro anos. Daqui a dois, bye-bye infância, e a tia ficará carente de novo de companhia para ver desenho... (Quiçá, a partir de então, eu assino TV a cabo e adquiro independência para ver desenho a qualquer momento.) Aliás, quanta criança havia no Mc hoje! Todos bem pequenininhos, claro. Acima de seis anos só eu. Entre a alegria deles e a minha, porém, não havia diferença; e se havia, a minha certamente era maior. Tentei não pensar no constrangimento que os olhares dos outros “velhos” me intimidavam a sentir, peguei uma mesa e calmamente abri minha caixinha de Mc Lanche Feliz. Em público, isso mesmo. Uma surpresa ainda maior que o Pikassu me aguardava lá dentro. Adivinham o que era? Uma embalagem plástica contendo pedacinhos de maçã. A pergunta que não queria calar: como diabos a maçã vinha fatiada e não ficara marrom? Será que eles cortavam na hora? Logo vi que não, tudo pronto fazia tempo. E para agravar o espanto, vi ainda que aquela fração de mação tinha validade assegurada por mais dez dias. Pensando melhor a respeito, me arrependi de tê-la comido, deveria ter preservado em casa para ver se realmente não mudaria de cor e, se mudasse, poderia reclamar no Mc para checar qual era a reação padrão deles. Bem, posso voltar lá, comprar outro Mc Lanche feliz e de quebra capturar outro Pokémon, algo a se considerar. De qualquer forma, a maçã estava deliciosa, geladinha, crocante, suculenta. Repito, como eles conseguiram isso? Como? Foi uma das melhores maçãs que já provei na minha vida e, no entanto, algo me diz que causará mais danos à saúde do que o cheese-burger e a batata frita. Comida de fast food que tenta parecer saudável é assustadora, bem mais do que aquela assumidamente gordurosa. Let’s wait and see. Talvez num futuro próximo não ganhemos Pokémons de brinde, e sim a oportunidade de nos tornar um deles após uma mera mordida na maçã. Seria mágico, como viver um conto de fadas.

Agora aqui tem lei que proíbe esses brinquedinhos do McLanche Feliz.
ResponderExcluirVocê me fez ficar com uma vontade absurda de comprar um McLanche Feliz, tanto pelo Pokemon quanto pela maçã!
ResponderExcluirMedo dessa maçã!
ResponderExcluirEu não gostaria de ser um Pokémon, deve ser horrível ser obrigado a lutar mesmo quando se está morrendo. Mas ter um seria fantástico, aí sim, até eu compraria um McLanche Feliz!
ResponderExcluirA Peta até fez um joguinho de Pokémon em que eles tem que se livrar de seus treinadores que os maltratam, com clara alusão a situação dos animais de exploração. Achei tão absurdo que chega a ser engraçado hehe [Lembrando que a Peta não representa necessariamente os vegetarianos. Bem, a mim não representa, por causa das campanhas sexistas e sexualmente provocativas. #vergonhaalheia]
Nesses comentários tem Andarilho, Wanderer... Só falta um Rurouni daqui a pouco.
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