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O amor, o sorriso e a flor

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Nesta postagem de número 200, vou deixar a verborragia de lado e me render à beleza simples e passageira. Afinal, como escreveu Horácio na ode I,38, "Renuncia a buscar o lugar, onde duram as rosas”. (A foto é de minha autoria, tirada com uma Sony Cybershot 5.1 que, sei lá como, ainda consegue captar essa riqueza de textura.)

Sobre o vegetarianismo

Sempre tive certo preconceito contra vegetarianos. Algo moderado, quase latente, dado que minhas amigas adeptas não são do tipo mala e nunca me chatearam com pregação. A minha cisma vem de acreditar que há um milhão de causas mais nobres de militância: contra as guerras, contra os governos déspotas, contra o capitalismo selvagem, contra a intolerância religiosa, contra o abuso sexual etc. No cardápio de desgraças que a atualidade nos oferece, lutar pelos direitos dos animais me parece algo vago e utópico demais. Domesticamos os animais há milhares de anos com uma finalidade única: para nos servir. Simples assim. Vacas dão leite, couro, chifres, mocotó, carne. Ovelhas, lã e carne. Avestruz, couro, penas, carne. Cães e gatos, companhia, afeto (tendemos a acreditar nisso) e, em alguns países, carne. Sobrevivemos graças a eles. Talvez essa fonte de proteína não seja mais essencial como um dia já foi, mas se ela está aí e é culturalmente aceita, então por que não? Um bife ainda é melhor, do...

Há dias em que é preciso escrever

Há dias em que é preciso escrever. Se eu não o fizer, parece que morro. Depois que encho uma folha inteira e pingo o último ponto, as dores do morrer ainda estão lá. A única – mas essencial – diferença é que as sinto com alegria. Tudo se justifica pela arte: disseram-me, acreditei. Eu produzo arte: digo-lhes, acreditem. A literatura deveria facilitar as experiências ruins. Facilita? Ela multiplica a dor, que se transforma num turbilhão e, sabe-se lá como, anestesia a dor original. A literatura dá nomes diferentes aos demônios conhecidos, cobre os medos com capas bordadas e grita: “que lindo este defunto!”. Nenhuma dor é verdadeira, nada nos diz respeito, por isso, podemos chorar à vontade. Ao lastimar o fim daquele amor de mentirinha, esquecemos o que realmente há para se lamentar: a fugacidade da vida. Vida que nos escapa inclusive quando nos distraímos, encantados, com um livro na mão. Será que nós sobreviveríamos à realidade? Eu já tentei e concluí, há dias, que é preciso escrever. ...

Sobre a humildade

Logo após publicar o post passado, pus-me a pensar o seguinte: esperamos muito das outras pessoas, mas o que lhes oferecemos da nossa parte? Hoje gostaria de agradecer àqueles que me tratam com arrogância, pois me mostram como a soberba é detestável e me fazem desejar ser cada vez menor, mais silenciosa, menos venenosa. Este texto pequeno e simples é meu primeiro passo em busca da humildade.

O homem perfeito

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Para compensar o longo período de ausência, vou conceder aos meus três leitores uma dose de humor autodepreciativo e exposição excessiva. Vocês já estiveram naquela fase “vi tudo, fiz tudo, as pessoas me entediam”? Tenho vivido esse limbo nos últimos meses. Daí fiquei pensando no porquê de as pessoas em geral, e os possíveis pretendentes em especial, me entediarem tanto. Para ganhar minha admiração, alguém precisa colecionar uma série de qualidades, mas nenhuma delas deve ser extremada. Eu especifico melhor nas linhas a seguir Ser inteligente, mas não CDF. Consumir alta cultura, mas não ter nojinho de entrar em boteco. Ser asseado, mas não maníaco por limpeza. Ignorar a moda, mas não se vestir de forma vergonhosa. Ter uma personalidade interessante, mas não jogar joguinhos. Ter um lado espiritual desenvolvido, mas não ser carola. Ser zen, mas não bicho grilo. Ser paciente, mas não passivo. Ser bonito, mas não do tipo que para o trânsito. Ser cavalheiro, mas não a...

Exercício poético

Quanto medo sem motivo! Pois bem. A gente cria (n)esta nefasta fantasia, (n)este abrigo que diz: PERIGO! Você pode ser feliz. -- Vale a pena ler de novo o poema "Medo" , de Raymond Carver

Frase [VII]

Comer bem para comer bem.

Charming little places

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Desde ano passado Curitiba possui uma sede da Livraria Cultura (foto). Lembro-me bem do alvoroço entre os colegas de Letras na ocasião da inauguração. Felizmente, fica distante de casa e só passo ali esporadicamente. Felizmente, sim, porque a cada visita deixo lá uma pequena fortuna para os meus padrões de estudante (15% do meu orçamento mensal, tá bom pra vocês?). No último tour por aquelas bandas, passei uma hora e meia revirando prateleiras, lendo, decidindo o que deveria tirar da minha cestinha cheia. Eu não era a única. A livraria estava lotada, era até difícil encontrar um lugar para sentar, e olhe que são três andares! A loja deve ter um faturamento altíssimo, pensei. E então percebi que é uma grande besteira dizer que vender livros, CDs (!!) e vídeos não é um bom negócio e que nada vai para frente sem subsídio do governo. Basta olhar para este monumento capitalista que faz um enorme favor à cultura do país. Eles têm um dinossauro no centro da loja, quer algo mais represent...

Ah, a arte, essa subversiva...

Segue letra de uma música de que gosto muito e que acrescenta lenha às ideias que vim expondo nos últimos posts, em especial sobre busca de paz espiritual versus de amor . Recomendo a versão cantada por Mônica Salmaso. ** Tempo de amor (Samba do Veloso) Vinicius de Moraes Ah, bem melhor seria Poder viver em paz Sem ter que sofrer Sem ter que chorar Sem ter que querer Sem ter que se dar Mas tem que sofrer Mas tem que chorar Mas tem que querer Pra poder amar Ah, mundo enganador Paz não quer mais dizer amor Ah, não existe coisa mais triste que ter paz E se arrepender, e se conformar E se proteger de um amor a mais O tempo de amor É tempo de dor O tempo de paz Não faz nem desfaz Ah, que não seja meu O mundo onde o amor morreu

Sobre a solidão

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(Antes de tudo: eu já escrevi sobre esse tema aqui? Aposto que sim. Só espero não repetir argumentos. Se contrariar afirmações passadas, tanto melhor; significa que estou viva. Acho que quando a gente não se dá mais o direito de mudar de opinião, daí, meu caro, é velhice na certa, e do pior tipo: aquele que atinge todas as faixas etárias. Há quem seja acometido por esse mal aos vinte anos e atormenta as pessoas ao redor durante décadas infindas.) Fato um. Há algumas semanas, um menino me disse que a solidão era uma condição permanente e que não poderia ser remediada nem com a presença de outras pessoas. Tão pouca idade e já pessimista assim! Se bem que eu também pensava coisas desse tipo na adolescência, época tão radical. Se a vida adulta tem uma vantagem é a capacidade de olhar para as coisas com mais suavidade, sem fazer tempestade em copo d’água. Mas suprimi tal comentário para não aumentar o abismo entre nós. À toa: o abismo já estava estabelecido. Fato dois. Primavera nes...