Minha namorada
― Pai, mãe, esta é a minha namorada, Billie. Na véspera, nós duas havíamos apostado o que eles criticariam primeiro – o fato de ela ser negra, mulher ou estar morta. Ao ver uma foto do meu pai, aquela carona de fazendeiro texano, ela colocou suas fichas na cor. Não, como típica família de classe média, que assiste todo dia à novela do Manoel Carlos, eles posariam de moderninhos e a acolheriam bem. Foi o meu palpite. Além do mais, quando ela colocava aquele vestido rodado branco parecia um quitute de casamento, linda e deliciosa. Era impossível não gostar dela. ― Mas, filha, vocês duas são mulheres. Como pretendem se casar e ter filhos? – disse meu pai num fio de voz. Ele estava tão chocado que não conseguia nem gritar, como sempre fazia por qualquer coisa, tipo, um livro fora do lugar ou a comida fria. ― Eu já lhes disse há anos que não quero ser nem esposa nem mãe. Não estudei tudo o que estudei para acabar derrotada por esse ideal capitalista e machista. ― Você e essas ideias...