Tudo isso para dizer que não tenho o que postar hoje (mas o poema, que não é meu, vale a pena)
Passei o dia inteiro sem fazer nada. O mais odioso é pensar que não é tão difícil passar uma vida inteira assim, sem ter feito nada. Basta ter um computador e internet, não precisa nem ser de banda larga.
Quase quebro o meu compromisso de postar diariamente. Não saí de casa, não aprendi coisa alguma, não tive qualquer conversa interessante. O que haveria, então, para lhes falar? Eu poderia imaginar algo, como nos velhos tempos. Não é o que fazem os excelentes escritores? Mas, lógico, não sou uma deles e não estou preparada para voltar à ficção ou à poesia. Depois de ter lido tanta coisa boa, me satisfaria com produções menores? Também elimino a possibilidade de falar de mim mesma, como se fosse o melhor tema do mundo. Não é. E humor estilo “Seinfield” é tão sem graça.
Na adolescência, os que escrevem “mais bonito” na turma – o que, em geral, é sinônimo de “mais floreado” – costumam criar versozinhos sobre a dor de existir. E não é que aquelas besteiras lhes parecem geniais? A esse respeito, Paulo Henriques Britto, professor da PUC-RJ e ótimo poeta, escreveu:
Um pouco de Strauss
Não escreva versos íntimos, sinceros,
Como quem mete o dedo no nariz,
Lá dentro não há nada que compense
todo esse trabalho de perfuratriz,
só muco e lero-lero.
Não faça poesias melodiosas
e frágeis como essas caixinhas de música
que tocam a “Valsa do Imperador”.
É sempre a mesma lenga-lenga estúpida,
sentimental, melosa.
Esquece o eu, esse negócio escroto
e pegajoso, esse mal sem remédio
que suga tudo e não dá nada em troca
além de solidão e tédio:
escreve pros outros.
Mas se de tudo que há no vasto mundo
só gostas mesmo é dessa coisa falsa
que se disfarça fingindo se espressar,
então enfia o dedo no nariz, bem fundo,
e escreve, escreve até estourar! E tome valsa.
Quase quebro o meu compromisso de postar diariamente. Não saí de casa, não aprendi coisa alguma, não tive qualquer conversa interessante. O que haveria, então, para lhes falar? Eu poderia imaginar algo, como nos velhos tempos. Não é o que fazem os excelentes escritores? Mas, lógico, não sou uma deles e não estou preparada para voltar à ficção ou à poesia. Depois de ter lido tanta coisa boa, me satisfaria com produções menores? Também elimino a possibilidade de falar de mim mesma, como se fosse o melhor tema do mundo. Não é. E humor estilo “Seinfield” é tão sem graça.
Na adolescência, os que escrevem “mais bonito” na turma – o que, em geral, é sinônimo de “mais floreado” – costumam criar versozinhos sobre a dor de existir. E não é que aquelas besteiras lhes parecem geniais? A esse respeito, Paulo Henriques Britto, professor da PUC-RJ e ótimo poeta, escreveu:
Um pouco de Strauss
Não escreva versos íntimos, sinceros,
Como quem mete o dedo no nariz,
Lá dentro não há nada que compense
todo esse trabalho de perfuratriz,
só muco e lero-lero.
Não faça poesias melodiosas
e frágeis como essas caixinhas de música
que tocam a “Valsa do Imperador”.
É sempre a mesma lenga-lenga estúpida,
sentimental, melosa.
Esquece o eu, esse negócio escroto
e pegajoso, esse mal sem remédio
que suga tudo e não dá nada em troca
além de solidão e tédio:
escreve pros outros.
Mas se de tudo que há no vasto mundo
só gostas mesmo é dessa coisa falsa
que se disfarça fingindo se espressar,
então enfia o dedo no nariz, bem fundo,
e escreve, escreve até estourar! E tome valsa.
Alguém já disse que a gente só escreve bem mesmo, sobre aquilo que conhece, que viveu, que é.
ResponderExcluirAssim, é natural escrever sobre a dor de nós mesmos, porque é uma das poucas coisas que (todos) conhecemos.
Por isso, fale sem culpa sobre si mesma. Esse É o melhor tema do mundo. Pelo menos, do seu mundo.
E creia, vc não vai conseguir agradar a todos os mundos que rondam por aí.
"E humor estilo “Seinfield” é tão sem graça."
ResponderExcluirCOOOOOMO ASSIM????
"E humor estilo “Seinfield” é tão sem graça."
ResponderExcluirMorra.