Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite...
Até dar uma choradinha? Acho que sim, faz parte. Não há dias em que chorar seja impossível ou proibido, certo? Sábado à noite é especialmente bom para chorar, me parece até mais honesto, sem medo de ser infeliz.
Então lá vai. Encontrei esta bela homenagem às vítimas de COVID-19, chamada genialmente de "inumeráveis": https://inumeraveis.com.br/.
Nestes tempos de quarentena, tenho "aproveitado" o isolamento para adiantar a tese. Quando meu companheiro, que também está escrevendo a dele, me contou que havia dedicado o presente capítulo às vítimas de COVID-19, pensei: a gente pode fazer isso? Se não pode, tem que fazer mesmo assim! Tentamos tirar um pouco a cabeça dessa bagunça que tá o mundo para conseguir escrever, mas não podemos ignorar que esse é o mundo em que nossas pesquisas estão se desenvolvendo. Absurdo seria agir como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra.
Então eu o copiei. Como eu estava refletindo sobre a pessoalidade da morte para Heidegger e o modo como o horror é retratado nas heterotanatografias de Juliano Garcia Pessanha, escrevi: "Não há palavra que justifique ou que console o horror do outro, então, mudos, apenas lamentamos a impossibilidade do abraço. À memória das vítimas de COVID-19. Afirmar que a morte chegará para todos não consola, pelo contrário, é uma tentativa de torná-la impessoal, isto é, de sequestrar o direito de cada um morrer a própria morte."
(Digo que copiei o gesto, mas a dedicatória é minha mesma, como paráfrases de Heidegger e Sêneca.)
Dizer que sente muito não alivia a dor dos familiares, mas não dizer nada é simplesmente apagar essas pessoas como se elas não importassem.
Então lá vai. Encontrei esta bela homenagem às vítimas de COVID-19, chamada genialmente de "inumeráveis": https://inumeraveis.com.br/.
Nestes tempos de quarentena, tenho "aproveitado" o isolamento para adiantar a tese. Quando meu companheiro, que também está escrevendo a dele, me contou que havia dedicado o presente capítulo às vítimas de COVID-19, pensei: a gente pode fazer isso? Se não pode, tem que fazer mesmo assim! Tentamos tirar um pouco a cabeça dessa bagunça que tá o mundo para conseguir escrever, mas não podemos ignorar que esse é o mundo em que nossas pesquisas estão se desenvolvendo. Absurdo seria agir como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra.
Então eu o copiei. Como eu estava refletindo sobre a pessoalidade da morte para Heidegger e o modo como o horror é retratado nas heterotanatografias de Juliano Garcia Pessanha, escrevi: "Não há palavra que justifique ou que console o horror do outro, então, mudos, apenas lamentamos a impossibilidade do abraço. À memória das vítimas de COVID-19. Afirmar que a morte chegará para todos não consola, pelo contrário, é uma tentativa de torná-la impessoal, isto é, de sequestrar o direito de cada um morrer a própria morte."
(Digo que copiei o gesto, mas a dedicatória é minha mesma, como paráfrases de Heidegger e Sêneca.)
Dizer que sente muito não alivia a dor dos familiares, mas não dizer nada é simplesmente apagar essas pessoas como se elas não importassem.
Acho que o gesto de copiar o gesto é bonito, e é fundamental. A gente tem que difundir homenagens, monumentos, momentos de lembrança, de todas as formas, para que essas pessoas, vítimas de uma política de aniquilamento, não se tornem fantasmas sem rosto.
ResponderExcluirObrigada pela inspiração! Será q te convenci de q existe rosto q não seja máscara?
ExcluirVamos ver... ainda estou ponderando. :p
ExcluirNunca tinha visto dedicatória de capítulo. Não acho que deve ser muito comum.
ResponderExcluirNo sábado a noite eu costumava esperar o que ia passar no Supercine. Isso antes de ter tv a cabo, internet, etc...
E Cine Belas Artes do SBT? Era tardão, mas quase sempre valia a pena...
ExcluirCine Belas Artes veio bem depois. Sou mais velho que isso.
ExcluirCine belas artess >>> telecine
Excluir