CEPíada (epopeia de uma jovem professora)
Homenagem aos 170 anos do Colégio Estadual do Paraná
― Filha, não vá nesta jornada!
A luta é árdua –
chorou-me a mãe.
Súplica vã:
jovens são surdos.
― Mestre sou, eu sei, mudo tudo.
Pura arrogância, mudei nada.
Emudeci.
Faltou-me esteio,
fugi rasteira.
Estudo indigno
foi que aprendi a amar nos livros?
Após quimeras e ciclopes,
mais favoráveis
ventos sopraram.
Olhos pousaram
numa torre alva.
Depus as armas, vi-me salva.
Este Colégio Estadual
pede olhar alto,
vontade régia,
tomar a rédea
dos próprios medos:
saber, primeiro, ser si mesmo.
Sou passageira nesta escola
e neste mundo.
De sala em sala
(mais outra escada!),
num mar de alunos,
respiro, atiro-me ao profundo.
Águas revoltas, águas calmas,
marés humanas.
A expressão da alma
vaza em palavras.
Literatura
é o que conforta esta ventura.
Meus companheiros de viagem,
jovens vivazes,
passam mais rápido
que eu tenho ido.
Ainda bem...
Saiam ao mar vocês também!
Rogo atenção, como a mãe disse,
porém não temam
fora daqui.
Insistam no ir!
Breves são dores,
risos, pessoas. Fica a história.

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