Elegia da gente viva (parte 1, capítulo 3)

Nota explicativa: estou publicando duas vezes por semana (às quartas e aos domingos) capítulos do meu romance “Elegia da gente viva”, ainda inédito. Para ter acesso ao sumário com os capítulos já publicados, clique aqui.

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3. Ideia para um conto totalmente baseado em fatos reais


O Leandro foi internado. Quem diria, logo ele, rapaz direito, inteligente, gente boa. Morava com dois colegas de faculdade, foram eles que o encontraram no quarto, três dias metido dentro do guarda-roupa, sem sair nem para comer, beber ou mijar. Ninguém notou de imediato, ele dormia sozinho, gostava de ficar na dele, quieto, além do mais, todo mundo adulto, ocupado com a própria vida. Quando os amigos finalmente estranharam o sumiço, bateram na porta, ninguém respondeu, trancada, ainda bem que alguém lembrou onde tinham enfiado a chave-mestra. Ao abrirem, saiu um bafo de cheiro azedo, só viram as pernas esticadas pra fora do guarda-roupa, foi aquele susto, pensaram que o cara tinha morrido. Tentaram tirá-lo dali, num gesto derradeiro de respeito ou culpa – estiveram mesmo tão ocupados assim para ignorar o ocorrido? Mal tocaram a mão dele, o morto ressuscitou em estado de fúria, estapeava quem se aproximasse, berrava que o deixassem em paz. Tiveram de chamar uma ambulância, os paramédicos o sedaram. Quando ele acordou, não sabia que dia era, nem por que estava no hospital. Dizia que havia sido um engano, que ele estava bem.

Comentários

  1. Só mistérios até agora.

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    1. Estou posicionando as peças no tabuleiro, em breve ficará mais claro (espero).

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