De volta
Estive lá fora. Há muito para ver e sentir e fazer. Mas nada que se compare àquilo que a literatura já me dava. A vida dentro dela é mais intensa e perfeita. A gente enxerga certas coisas com mais nitidez quando toma distância. Estou a cada dia mais convicta de que o belo só desponta em meio ao feio. Mesmo um rei em seu palácio de marfim, servido pelas escravas mais lindas e degustando os pratos mais deliciosos, pode considerar, em algum momento, que não possui sequer o necessário. É preciso sair, para poder voltar prenhe de sentidos e, um dia, querer sair de novo. (Sob a égide de “Cidades invisíveis”, de Ítalo Calvino, um livro que só cresce quanto mais me distancio daquela primeira e frustrada leitura.)