Sobre o pecado



Parafraseando Santo Agostinho em "A verdadeira religião".

Todas as coisas são boas, porque foram criadas por Deus. Existem, porém, bens maiores e bens menores. Os maiores são os espirituais, que nos aproximam da Verdade, da eternidade, enfim, de nosso Criador. Os menores são os bens materiais, tudo aquilo que experimentamos pelos sentidos e que estão à mercê do tempo. Estes são verdadeiros, porque provêm da Verdade, mas não devem ser confundidos com a própria Verdade.

Os bens menores se transformam, se deterioram, acabam. Tudo isso nos causa pesar. O pecado não é inerente a essas coisas, porque, como já dissemos, elas são boas. O pecado ocorre quando baseamos nossa vida nos bens menores. Quem escolhe aquilo que está fadado a sumir está escolhendo o sofrimento, isto é, o pecado.

O pecado não foi criado por Deus, que é essencialmente bom. O pecado é a consequência de se usar mal o livre arbítrio. Deus nos fez livres por desejar que os servíssemos livremente. Além do mais, se fôssemos perfeitos, totalmente bons, seríamos o próprio deus e não suas criaturas.

Assim como optamos voluntariamente pelo mal, também podemos optar pelo bem. Portanto, não estamos fadados a pecar, há escolha. A misericórdia de Deus é tão grande que, mesmo que tenhamos levado uma vida má até o presente, há sempre a opção de escolher o bem e se regenerar. A salvação está, de certa forma, em abdicar do exercício do livre arbítrio para se submeter à autoridade divina.

Foi assim que Santo Agostinho nos colocou entre a cruz e a espada: ou a gente renuncia à vida terrena ou vai arder no fogo do inferno. Tendo esse conhecimento em mente, dá para curtir um fim de semana numa boa? Dá para ficar feliz por banalidades?

Santo Agostinho foi o inventor do sentimento de eterna culpa, a base do catolicismo. É possível superar a culpa extremada sem nos tornarmos outra religião?

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