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Futuro maravilhoso, presente detestável

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Acabo de voltar de uma palestra com Marc Giget, fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e de Inovação. Ele era, em resumo, um francês para lá de otimista em relação ao futuro da humanidade. Em seu discurso, apresentou projetos de melhorias de vida nas cidades que devem ser implantados no tempo de uma geração, isto é, entrariam em vigor já por volta de 2040. Algumas coisas pareceram malucas e supérfluas demais para se concretizarem no dia a dia, como espelhos com memória visual, no qual você poderia acessar um banco de informações e manipulá-las - uma versão high-tech do espelho da Madrasta da Branca de Neve -, o uso massivo de robôs androides e o emprego de super-armaduras que multiplicariam nossa força (esses dois últimos são coisas já reais no Japão, de onde mais poderia ser?). Outras perspectivas apresentadas me deram um certo alívio em relação ao estilo de vida futuro. Moradia principalmente. Os apartamentos não serão laboratórios frios cheios de aparatos mecâni...

Lula, a pomba da paz

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Isso que é querer agradar a todo mundo! Na foto abaixo, Lula visita o Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém (Fonte: UOL ). E, é claro, exibe toda a sua brasilianidade com esse terno preto e um kippot. Qual será a moda amanhã, quando ele visitar a Jordânia? Nosso Guia (todo crédito a Élio Gaspari), o cara da galera, viajou a Israel em missão de paz, para tentar uma conciliação na Palestina. Uma possível inspiração para Lula:

Cuidado, não olhe para o lado!

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  Cinema é cultura de massa e para a massa. Concordam? Então me expliquem, por que “Os inquilinos” só estreou em uma sala de Curitiba, ainda por cima, localizada em um shopping de elite? A única explicação que pude pensar foi: preciosidades têm acesso restrito. Uma resposta ridícula em se tratando de cinema, que é uma mídia popular. Só fiquei sabendo desse filme graças à resenha de Eduardo Escorel, um dos poucos críticos de cinema em quem dá para se confiar, na revista piauí. Apesar da minha birra com a distribuição e a divulgação, não vou perder tempo com os defeitos e partir para o que merece ser elogiado. A direção traz um toque pessoal à história que eu não via desde “O jardineiro fiel”. Não se assemelham no sentido de usar câmera na mão, mas em arrancar dos atores seu melhor fingimento a ponto de parecer sincero. É esse o termo! O filme é sincero. O cabeça por trás de “Os inquilinos” é Sérgio Bianchi. Já ouviram falar? Eu tampouco. Agora imaginem a surpresa quando descobri ...

A outra

 É cedo, o DJ apenas começou a esquentar. Ninguém ainda está tão bêbado, só as mulheres mais perfeccionistas fazem o primeiro retoque na maquiagem. Quando tocar Lady Gaga, e já está quase na hora, elas querem estar prontas para cair na pista e garantir o seu. Há uma pequena fila no banheiro feminino. Olha lá culpa de quem. Uma ruiva ocupa todo o espelho, onde caberiam perfeitamente duas moças mais modestas. Quem essa pensa que é? Nem tem cara bonita, também pudera demorar tanto. Então aquela colegial entra. Morena, reconchudinha, muito lápis preto nos olhos. Mal abriu a porta e quase deu de cara na última da fila – oito metros quadrados, dez mulheres, urina por todo chão. Localizou imediatamente o motivo do tumulto. Por um segundo, apertou as pálpebras, medindo o que sentia. Não queria parecer afetada pelo álcool, embora tivesse virado na última hora pelo menos dois blood maries, seu drink favorito entre os três que conhecia. Conseguiu perguntar num tom bastante sóbrio: ― V...

"Eu sou cult, e daí?"

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Venho ao blog para fazer uma pausa em “O tempo recuperado” e, assim, prolongar um pouco mais a leitura. Puro medo da despedida. Vocês já sentiram isso em relação a alguma obra ficcional longa? Nem me lembre de “Guerra e paz”! Pois é, desta vez, trata-se da última parte de “Em busca do tempo perdido”, obra maior (em todos os sentidos) de Marcel Proust (1871-1922). Ela entrou em minha vida há quatro anos, quando emprestei “O caminho de Swann” na biblioteca da universidade. Fazer o que se o meu curso de graduação me deixava tanto tempo livre? Gostei de cara, só que essa série não é do tipo que se lê numa sentada. Decidi, então, que leria um livro a cada janeiro (são sete no total). Esse era um ritual de férias delicioso. Pena que, depois do nascimento de minha sobrinha, as farras literárias do verão ficaram seriamente comprometidas. Como resistir aos grands-bleus? Impossível! Eu passava facilmente todo o verão sem me aproximar de leituras pesadas, só rolando pelo chão e assistindo a ...

Passou o Carnaval, não tem mais desculpa: hora de começar o ano

As noites excessivamente quentes estão de volta. Às 21 horas, comecei a ler um livro do poeta Ivan Junqueira. Às 21h15, encostei o volume para pensar melhor sobre alguns versos que acabara de ler. Quando me dei conta, já conversava com a minha colcha no universo fantástico dos sonhos. A língua que usamos? Alguma coisa entre francês e colchês, macio musical melodramático. 1h18. Acordei meio perdida. Calor demais para dormir, tarde demais para fazer qualquer coisa séria. Hora de apertar o botão azul do computador (plin plin plin, anuncia o Windows Vista) e escrever, escrever sobre qualquer coisa, só porque eu não posso parar de escrever – embora não o tenho feito nos últimos dias e, por esse motivo, venho me torturando. Uma notícia mais do que velha: o Palmeiras desencantou no Campeonato Paulista. Talvez seja precipitado demais afirmar isso, mas as vitórias se tornaram tão escassas desde o final do ano passado que vencer o clássico era algo no qual eu não apostaria meu rico dinheir...

O mundo de Liv (épico em quatro atos)

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1. Tédio 2. Loucura 3. Celebração 4. A derrota súbita

Perdoei João Gilberto

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Era puro preconceito, admito. Como alguém pode amar Bossa Nova e odiar João Gilberto? Eu conseguia. Pois é, vivi quase dois anos nessa contradição e sequer cheguei a pensar que havia algo errado. Eu justificava apenas: prefiro os cantores estilo samba-jazz, como Leny Andrade e Johnny Alf. João Gilberto era muito nhenhenhé para o meu gosto. Além do mais, tenho um ódio natural por caras cujo show custa um absurdo. Quando o U2, umas das minhas bandas preferidas na adolescência, veio ao Brasil e cobrou a partir de R$ 200 por ingresso, parei de acompanhar a banda. Também não perdi grandes coisas. Mesmo não tendo um ouvido absoluto, como dizem no meio musical, felizmente não sou do tipo que idolatra cantores sem talento – aquele tipinho boa-pinta que não sabe diferenciar uma nota musical da outra, conhecem? – que se promovem pela vida pessoal em vez de pela música. Dane-se você com sua filantropia, Bono! O ódio por João Gilberto surgiu por um motivo semelhante, acredito. Quando começaram as ...

Prisão de ventre

Há dias venho escrevendo este post mentalmente. Ele ficou tão grande na minha cabeça que terei que resumi-lo, se não se importarem. Tudo começou quando comprei a piauí deste mês na rodoviária de Araraquara. Só mencionei o local, porque me marcou muito a conversa que ouvi entre o dono da banca e um cliente. Eles diziam, exaltados, que os usuários de drogas seriam punidos pela providência divina. Viajando pelo estado de São Paulo, percebi que a diversidade enorme daquela região acirra o medo e este, por sua vez, o conservadorismo. Não sei se as coisas estão assim tão diretamente ligadas, mas as vi tão próximas e constantes que não pude deixar de fazer a relação. Então, em posse da revista mais anárquica da Abril e tomada de “um tédio enorme da vida” (Poetinha), devorei-a em dois dias. As matérias deste mês estão todas muito boas, recomendo principalmente àqueles que se interessam por cultura (perfil de Nuno Ramos e texto sobre Gilda de Mello e Souza), ciência (perfil do possível gan...

Conta-gotas

1) Frases fora de contexto: “Acabei.” “E aí, como foi?” “Ótimo. Nem vi o rapaz entrando!” 2) Frases no contexto original: “Oi. Liguei só para avisar que acabei de chegar a Curitiba.” “E aí, como foi de viagem?” “Ótimo. Dormi a viagem inteira. Acredita que quando partimos não havia ninguém ao meu lado, depois quando acordei, já em Curitiba, havia um cara. Ele passou por cima de mim, e eu nem percebi. Foi muito estranho. Nem vi o rapaz entrando!” ** As férias acabaram, e que venham os posts de 2010! Só para constar. Palmeiras já é lider após a primeira rodada do Paulistão. Sinto que este ano será especial no futebol. Mais sofrido do que o passado, impossível.