Por que me entupi de chocolate há quinze minutos
Vou contar como tudo aconteceu.
Eu voltara do RU, já vestia minha roupa velha de ficar em casa (melamordedeus, nunca me façam uma visita vespertina surpresa se não quiserem me encontrar mendiga e com uns remédios estranhos na cara), resolvi ler um pouco antes de pegar firme no trabalho. A história do livro estava interessante, mas, sei lá por que, não consegui avançar mais do que um capítulo. Daí veio aquela idéia que nunca acaba bem: “Acho que não tem problema se eu deitar aqui no sofá por uns dez minutinhos”.
Para começar, era um sono tão pesado que, no meu sonho, eu também sofria desse mesmo sono pesado. Vi-me sonolenta (sabe quando você não consegue manter os olhos abertos por mais que tente?) cambaleando pelos corredores da fac, matando aula para cochilar no sofá de um gabinete qualquer, tendo que ser apoiada por amigos feito bêbada. Talvez eu estivesse mesmo. Gente, alguém me confirme, eu não passei sonâmbula esta tarde pelo campus, né? E sabe o detalhe mais sórdido? Eu estava vestindo estes mesmos shorts curtos antiqüíssimos que uso agora (segundo minha mãe, é deles que eu preciso me libertar antes de qualquer outra coisa). Ainda me lembro da expressão de choque no rosto das pessoas ao me ver.
Aconteceu então no meu sonho um daqueles saltos inexplicáveis, ou talvez mero colapso de memória após acordar. Não importa. Basta saber que de repente eu levando meu amigo R. para casa, e F. me acompanhava. Esta estava sóbria, como sempre. O outro, em compensação, me atacava com um macaquinho maldito chamado J. (eu não falei que esse bicho me traumatizou irremediavelmente?). Disso nem preciso dizer que R. estava bêbado como um gambá ou, mais apropriado, um macaco.
Deixei os dois num apartamento. R. estava meio amuado e ficou num canto. F., gentil, fez-lhe companhia; alegre mas sem dizer nada. Sei lá em que hora S. se juntou ao grupo, mas também não importa tanto, porque ele ficou com os outros dois e eu vim embora. Eu estava no saguão quando lembrei que precisava perguntar qual era o andar do apartamento (gente, sejamos sinceros, que anta quer saber o andar uma vez que está nele e se dirige à saída?). Abri a porta do apê e questionei esse detalhe ridículo. S., estatelado no sofá, respondeu seco: “Seis”.
Saí, agora de vez. E não é que uma maldita duma velha com braços fortes e peludos me agarra com uma gravata? Havia mais alguém no saguão estreito, por acaso, era o meu tio Z., que gritou: “Solta ela! Deixe-a em paz!”. Hah, que nada! A velha – embora fosse puros músculos, assim que me tocou, eu já concluí: é um espírito! – grudou-se às minhas costas e dizia: “De agora em diante, sou seu encosto. Eu vou te trazer muito AZAR”. Só de relembrar a cena me dá calafrios. Aquela mulher que não me deixava ir nem vir, falando com a voz idêntica à da bruxa Calixta de Maria do Bairro. Da mesma forma que ela me prendia, eu também não conseguia acordar. Minha consciência ia voltando à realidade, mas os olhos não se abriam! Foi a muito custo que consegui e, mesmo assim, levantei com um fio de força. Tive a mesma sensação de quando se passa a noite toda em claro e, após duas horas de sono, precisa ir à aula. Lavei o rosto e me entupi de chocolate, para acalmar os nervos, antes vir para o trabalho. Antes isso do que esses pesadelos inúteis.
Ah, é, lembrei qual o objetivo deste relato. Se acontecer qualquer coisa de ruim a vocês nesta semana, a culpa é do meu encosto. Pneu furado, cárie, estupro e o que mais vier, é tudo culpa minha. Mas domingo devo ir à igreja, daí voltaremos à normalidade. Até lá, rezem pela salvação da minha alma e paciência...
Moral da história: dormir no sofá à tarde com a barriga cheia de comida do RU traz pesadelos e, de bônus, um encosto. Também não se recomenda assistir a novelas mexicanas que passam no SBT às 17 horas – elas arruínam a sua criatividade.
Eu voltara do RU, já vestia minha roupa velha de ficar em casa (melamordedeus, nunca me façam uma visita vespertina surpresa se não quiserem me encontrar mendiga e com uns remédios estranhos na cara), resolvi ler um pouco antes de pegar firme no trabalho. A história do livro estava interessante, mas, sei lá por que, não consegui avançar mais do que um capítulo. Daí veio aquela idéia que nunca acaba bem: “Acho que não tem problema se eu deitar aqui no sofá por uns dez minutinhos”.
Para começar, era um sono tão pesado que, no meu sonho, eu também sofria desse mesmo sono pesado. Vi-me sonolenta (sabe quando você não consegue manter os olhos abertos por mais que tente?) cambaleando pelos corredores da fac, matando aula para cochilar no sofá de um gabinete qualquer, tendo que ser apoiada por amigos feito bêbada. Talvez eu estivesse mesmo. Gente, alguém me confirme, eu não passei sonâmbula esta tarde pelo campus, né? E sabe o detalhe mais sórdido? Eu estava vestindo estes mesmos shorts curtos antiqüíssimos que uso agora (segundo minha mãe, é deles que eu preciso me libertar antes de qualquer outra coisa). Ainda me lembro da expressão de choque no rosto das pessoas ao me ver.
Aconteceu então no meu sonho um daqueles saltos inexplicáveis, ou talvez mero colapso de memória após acordar. Não importa. Basta saber que de repente eu levando meu amigo R. para casa, e F. me acompanhava. Esta estava sóbria, como sempre. O outro, em compensação, me atacava com um macaquinho maldito chamado J. (eu não falei que esse bicho me traumatizou irremediavelmente?). Disso nem preciso dizer que R. estava bêbado como um gambá ou, mais apropriado, um macaco.
Deixei os dois num apartamento. R. estava meio amuado e ficou num canto. F., gentil, fez-lhe companhia; alegre mas sem dizer nada. Sei lá em que hora S. se juntou ao grupo, mas também não importa tanto, porque ele ficou com os outros dois e eu vim embora. Eu estava no saguão quando lembrei que precisava perguntar qual era o andar do apartamento (gente, sejamos sinceros, que anta quer saber o andar uma vez que está nele e se dirige à saída?). Abri a porta do apê e questionei esse detalhe ridículo. S., estatelado no sofá, respondeu seco: “Seis”.
Saí, agora de vez. E não é que uma maldita duma velha com braços fortes e peludos me agarra com uma gravata? Havia mais alguém no saguão estreito, por acaso, era o meu tio Z., que gritou: “Solta ela! Deixe-a em paz!”. Hah, que nada! A velha – embora fosse puros músculos, assim que me tocou, eu já concluí: é um espírito! – grudou-se às minhas costas e dizia: “De agora em diante, sou seu encosto. Eu vou te trazer muito AZAR”. Só de relembrar a cena me dá calafrios. Aquela mulher que não me deixava ir nem vir, falando com a voz idêntica à da bruxa Calixta de Maria do Bairro. Da mesma forma que ela me prendia, eu também não conseguia acordar. Minha consciência ia voltando à realidade, mas os olhos não se abriam! Foi a muito custo que consegui e, mesmo assim, levantei com um fio de força. Tive a mesma sensação de quando se passa a noite toda em claro e, após duas horas de sono, precisa ir à aula. Lavei o rosto e me entupi de chocolate, para acalmar os nervos, antes vir para o trabalho. Antes isso do que esses pesadelos inúteis.
Ah, é, lembrei qual o objetivo deste relato. Se acontecer qualquer coisa de ruim a vocês nesta semana, a culpa é do meu encosto. Pneu furado, cárie, estupro e o que mais vier, é tudo culpa minha. Mas domingo devo ir à igreja, daí voltaremos à normalidade. Até lá, rezem pela salvação da minha alma e paciência...
Moral da história: dormir no sofá à tarde com a barriga cheia de comida do RU traz pesadelos e, de bônus, um encosto. Também não se recomenda assistir a novelas mexicanas que passam no SBT às 17 horas – elas arruínam a sua criatividade.
O J. é mesmo traumatizante...
ResponderExcluirSe eu sonhar com ele agora, pode deixar que eu vou te culpar!
Huauhahua
ResponderExcluirAdoro sonhos assim!
Pena que nunca sonho nada desse tipo :/
Su, não consegui descobrir que é o S.!
=P
Dormir à tarde traz a mais pura certeza de se ter os pesadelos mais horríveis. Lembra do meu com o Didi Mocó? Pois então, estou bem certa de que foi vespertino. E o outro com a mãe da Ana Carolina? Deuzulivre, só com muito chocolate mesmo... E mesmo assim, a depressão pós-pesadelo dura em média uma semana.
ResponderExcluirbrr