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Crime em família - parte final

(Não sabe do que se trata? Leia a parte 1 .) A pedido do meu neto mais velho, volto para terminar o relato do caso que comecei a investigar há algumas semanas. Sim, o mistério da dona Geraldinha foi resolvido, mas de forma tão sinistra que preferiria nunca mais pensar no assunto. Na verdade, nem entendi bem por que tenho que continuar. O Matheus só disse: “Vó, a senhora é a nova celebridade do Twitter. Tá todo mundo louco para saber a solução do caso. Não vai amarelar, hein?”. Preferi não perguntar quem era esse tal de Twitter para não passar por desatualizada. Imagino que seja alguém muito importante, no nível do Faustão ou da Ana Maria Braga. Tem também aquele mocinho do Fantástico que fala umas coisas muito engraçadinhas. Não lembro o nome, talvez seja até da turma do Twitter. Vou prestar mais atenção no próximo domingo. Onde havíamos parado mesmo? Ah, sim, lembrei. Depois que eu vi o rapaz mexendo na fechadura do restaurante, fiquei desconfiadíssima. Passei várias horas de bu...

Shopping, a gaiola das neuróticas

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O quadrinho acima saiu hoje na Folha. Não resisti e resolvi tirar um minuto para compartilhar aqui com vocês. Quem sabe um dia ainda não escrevo um texto de punho próprio? Piano, piano, estou tentando voltar à normalidade.

Pergunta e resposta

Por que eu não apareço há um mês e meio? Porque estou tentando recuperar a concentração perdida para me arriscar na carreira acadêmica. Este post do blog "link", do Estadão, explica melhor meu argumento: Concentração e Distração 6 de junho de 2010| Por Reuters Quando o escritor norte-americano Nicholas Carr começou a pesquisar se a internet estava arruinando nossas mentes, assunto de seu novo livro, ele restringiu seu acesso à internet, deu um tempo no e-mail e desligou suas contas no Twitter e no Facebook. Em seu novo livro The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains, ele diz que a rede está nos privando da capacidade aprofundada de raciocínio. “Minha falta de habilidade em me concentrar era uma grande falha. Por isso deixei o Twitter e o Facebook e voltei a checar e-mail apenas algumas vezes por dia, em vez de a cada 45 segundos”. Apesar de inicialmente se sentir “perplexo” com sua repentina ausência de conexão, Carr disse que em algumas semanas ele já ...

O Evangelho segundo Lula

Cristóvão Tezza Publicado em 7/04/2010 na Gazeta do Povo contato@cristovaotezza.com.br Sentindo-se solitário e triste na escuridão do final dos tempos, disse Lula: “Fiat Dilma!” E Dilma se fez. E Lula viu que estava razoável, contratou um instituto de beleza e outro de opinião, e viu que com ele ninguém podia, e resolveu separar os bons dos maus e a luz das trevas, para uma nova batalha celeste. E acalmou seu rebanho indócil e arregimentou profetas de outras colônias para sua nova missão; chamou os anjos mensaleiros, convocou os santos antigos e ungiu velhos inimigos convertendo-os à Guerra Santa pelo báculo Lulista. “Vai ser fácil!”, bradou ele na Assembleia do Purgatório, e os anjos abraçados fizeram “Hurra! Hurra! Hurra!” E Lula viu que isso era muito bom e foi descansar. E no segundo dia Lula resolveu desenterrar o Príncipe das Trevas, o satânico FHC, e viu que isso era bom; e lançou contra ele a Voz do Senhor, e separou as águas puras das impuras, o Bem do Mal, o Fim e o Iní...

Crime em família - parte 3

Adentrei o ambiente pestilento com a certeza de que, num momento de distração, acabaria tropeçando num cadáver. Para acabar com essa ansiedade, procurei logo a fonte do fedor. Vinha da cozinha. Graças a Deus, minhas suposições logo se mostraram infundadas. Tudo o que encontrei foram dois caldeirões de feijoada abertos sobre o fogão industrial. Deviam estar lá desde o sumiço de dona Geraldinha e sua família, isto é, cerca de cinco semanas. Imagine só todo aquele feijão fermentando e a carne de porco apodrecendo. Estava explicado o mau cheiro. Por via de dúvidas, dei uma busca geral por corpos escondidos. Tudo vazio e, à primeira vista, no seu devido lugar. O restaurante parecia pronto para atender os clientes: mesas postas, pilha de pratos e talheres limpos, travessas no buffet. Apenas uma fina camada de poeira e o cheiro, claro, indicavam o abandono do lugar. Pelo visto, naquele dia, eles se prepararam para atender, só que, entre as 10h30 e as 11h30, algum imprevisto aconteceu. D...

Crime em família - parte 2

O obstáculo que me aguarda nesta noite é mais árduo que qualquer mistério que Miss Marple já tenha resolvido. Um desafio quase impossível: colocar este corpo velho e maltratado na cena do crime. O local não é de tão difícil acesso. Trata-se de uma casa térrea, aproximadamente 100 metros quadrados, cercada por um pequeno quintal e protegida por três muros de dois metros e, na frente da fachada, uma grade de um metro que qualquer criança conseguiria pular. Pena que não seja o meu caso. Levei quase três dias para articular o plano. Nosso bairro é um dos últimos na cidade que ainda se pode considerar “de família”. Quando o relógio da igreja anuncia as 22 horas, já não há vivalma na rua. Todos em casa, assistindo à sua novela, se preparando para dormir. Isso me tirou um grande problema das costas: entrar sem ser vista. Oras, bastava sair à noite. Às 21h30, meu velho já roncava alto na poltrona. Sugeri a ele que fosse se deitar na cama, e lá se foi ele, resmungando o quanto eu o tornav...

Vida de estagiário pode virar série!

Dando uma pequena pausa na novela policial, eu tive que postar isto! Já adorava as tirinhas da "Vida de Estagiário", do Allan Sieber, agora posso também ver a adaptação para a TV! Achei que ficou muito boa e divertida. Dá de dez a zero na da Aline, da TV Globo. Vida de Estagiário from TV Brasil on Vimeo .

Crime em família

Há todos os elementos para esse ser um caso dos bons. Briga de família, desaparecimento, mistério. Esta ordem, presumo, seja como os fatos se sucederam, mas na minha profissão a gente vê tanta coisa que fica difícil abandonar de todo o ceticismo. Eu não me espantaria se primeiro tivesse acontecido o desaparecimento, que, por sua vez, causou a briga, aquela que muitos vizinhos testemunharam e que ainda hoje se comenta nas redondezas. Antes de prosseguir com as conjunturas sobre o caso “Dona Geraldinha”, apresento-me. Sou Miss Zampieri, detetive particular, mais conhecida como Dodô pelas amigas do clube de tricot e pelos poucos familiares mais velhos do que eu. Obviamente vocês estão pensando: eis a Miss Marple brasileira! Pensei o mesmo quando, entediada dos longos anos de aposentadoria, conheci essa simpática personagem de Agatha Christie. Somos idênticas na personalidade e nos hábitos, quem sabe, então, eu também não daria uma boa detetive? E não é que deu certo? Apesar do machismo ...

Green Dwight

Futuro maravilhoso, presente detestável

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Acabo de voltar de uma palestra com Marc Giget, fundador do Instituto Europeu de Estratégias Criativas e de Inovação. Ele era, em resumo, um francês para lá de otimista em relação ao futuro da humanidade. Em seu discurso, apresentou projetos de melhorias de vida nas cidades que devem ser implantados no tempo de uma geração, isto é, entrariam em vigor já por volta de 2040. Algumas coisas pareceram malucas e supérfluas demais para se concretizarem no dia a dia, como espelhos com memória visual, no qual você poderia acessar um banco de informações e manipulá-las - uma versão high-tech do espelho da Madrasta da Branca de Neve -, o uso massivo de robôs androides e o emprego de super-armaduras que multiplicariam nossa força (esses dois últimos são coisas já reais no Japão, de onde mais poderia ser?). Outras perspectivas apresentadas me deram um certo alívio em relação ao estilo de vida futuro. Moradia principalmente. Os apartamentos não serão laboratórios frios cheios de aparatos mecâni...