É tudo uma questão de músculos
(1)
“O que tem de almoço, mãe?”
“Músculo. E nem precisa fazer essa cara, menina!”
Não comia mesmo. Por mais beatinha que fosse quando criança e adolescente, sempre dizia “não” para esse alimento, desprezando o trabalho de minha pobre mãe – já acostumada com tanta ingratidão filial.
Só adulta colhi o vento que plantei. Hoje, conhecendo o almoço de segunda-feira do RU, tudo o que minha mãe cozinha é um banquete. (Se bem que, após a greve dos servidores da UF**, qualquer comida insossa que me forneça nutrientes é ingerida com gosto se custar R$ 1,30 ou menos.) Além disso, aprendi nesses programas de culinária apresentados por chefs estrangeiros boa-pinta que o músculo é um alimento com alto custo-benefício: barato, rico em proteína e com baixo teor de gordura.
Agora é lei: carne de panela tem que ser músculo. Lambo os dedos quando descubro que essa iguaria borbulha em caldo para ser servida no almoço. Se vier acompanhada de batata e cenoura cortadas em grossos pedaços, caio de joelhos, rendida a tanta gostosura.
(2)
Esse preâmbulo me ocorreu, porque pretendia falar do campeonato de luta (FC) a que assisti ontem. A relação entre um e outro é simples. Sob tantas tatuagens e peles suadas, lá estavam eles: músculos e mais músculos.
Antes que perguntem, fui parar nesse evento graças ao Jornalismo. É nessas horas, quando ele me dá a oportunidade de conhecer novos universos e conversar com pessoas que eu nunca encontraria nos lugares que freqüento, que me reconcilio com ele. (Vamos ver até quando essa trégua vai durar.)
Pleno domingão à tarde, lá estava eu no meio dos musculosos, tentando me camuflar na plateia. Se eu tivesse deixado os óculos em casa talvez tivesse conseguido. Pensando melhor, as minhas caretas de horror cada vez que um quebrava o nariz do outro iriam me denunciar mais cedo ou mais tarde.
Os golpes mais violentos eram os que mais estimulavam o público a urrar e torcer. Ingenuamente, pensei que o objetivo de um campeonato de artes marciais era ver qualidade técnica – chutes que exigem abertura total, sequência de socos que mal podem ser vistos, essa coisa toda. Agora, homens cuspindo sangue ou caindo inconscientes me causam uma sensação semelhante à das cenas críticas de filmes épicos, quando a gente se segura para não cair no choro. Contudo, não foi bem o fato de as pessoas reagirem tão diferente de mim que me espantou mais.
Cheguei a treinar karatê por alguns meses. Gostava bastante. Acho fantástico você superar seus limites e ir visivelmente evoluindo semana após semana. O que eu não entendi ao acompanhar o FC é por que lutadores profissionais, que treinaram anos a fio, se privando de uma série de coisas para poder atingir o ápice de sua forma física, se submetem à depredação. Eu nem teria moral para criticar, porque pessoalmente depredo o meu corpo comendo doces demais. Mas por que fazer isso de forma tão dolorosa?
Não pode ser pelo dinheiro, já que a maioria deles sequer ganha bem. E dinheiro seria uma resposta decepcionante. Os grandes homens não são movidos por salário. Fama? Vaidade? Superação? É, sofrer de dor, mal se agüentar em pé e ainda tirar forças sei lá de onde para continuar pode ser algo nobre. Talvez essa seja a explicação para se correr o risco de ter alguma parte do corpo permanentemente danificada. Talvez não. Um atleta certa vez me disse que a melhor parte de competir era encher a cara do oponente caído no chão de porrada. Nesse caso, eu me envergonharia de gastar meu suado dinheiro para assistir a tal selvageria.
(3)
Oportunamente, loquei hoje “Touro indomável”. Foi uma amiga quem me recomendou, e achei que já era a hora de tapar esse buraco da minha lista de filmes essenciais. Felizmente ainda não vi, caso contrário, este post deveria se resumir a ele (como sempre faço quando vejo um filme bacana). Espero com ele reviver uma boa sensação que tive no campeonato ontem.
Aconteceu o seguinte. Havia um lutador de boxe que estava fazendo a sua quarta luta, enquanto seu adversário já estava na vigésima. O primeiro me parecia bem humilde, exatamente o contrário do segundo, que chegou com tênis de marca famosa e fazendo performance de campeão antes mesmo de a luta começar. Daí é inevitável: a gente acaba torcendo para o que parece ter menos chances. E não é que este foi crescendo no combate? Por fim, ganhou. Quando percebi, estava toda feliz pelo mérito dele. Essas coisas são até bonitas de se ver.
(4)
Nesta ida à locadora, também peguei “Idiocracy” – outra indicação de um amigo. Filme simpático e que é mais interessante sob o ponto de vista moral do que artístico. Conta a história da humanidade em 2 505, quando uma estranha seleção natural leva as pessoas inteligentes à extinção. A lógica é simples: idiotas procriam irresponsavelmente enquanto aqueles que têm “boa cabeça” muitas vezes nem têm filhos. Nesse futuro sombrio, o presidente dos Estados Unidos é Mr. Camacho, lutador profissional e ator pornô. Já que ninguém mais tem cérebro, tudo se torna uma questão de músculos.
Músculos – sempre presentes, eterno retorno.
(Silêncio pensativo de quem não tem mais o que escrever após um texto tão inútil.)
**
Para os nerds de plantão: estou pensando em comprar um notebook da Acer. Alguém sabe me dizer se é uma boa marca?
“O que tem de almoço, mãe?”
“Músculo. E nem precisa fazer essa cara, menina!”
Não comia mesmo. Por mais beatinha que fosse quando criança e adolescente, sempre dizia “não” para esse alimento, desprezando o trabalho de minha pobre mãe – já acostumada com tanta ingratidão filial.
Só adulta colhi o vento que plantei. Hoje, conhecendo o almoço de segunda-feira do RU, tudo o que minha mãe cozinha é um banquete. (Se bem que, após a greve dos servidores da UF**, qualquer comida insossa que me forneça nutrientes é ingerida com gosto se custar R$ 1,30 ou menos.) Além disso, aprendi nesses programas de culinária apresentados por chefs estrangeiros boa-pinta que o músculo é um alimento com alto custo-benefício: barato, rico em proteína e com baixo teor de gordura.
Agora é lei: carne de panela tem que ser músculo. Lambo os dedos quando descubro que essa iguaria borbulha em caldo para ser servida no almoço. Se vier acompanhada de batata e cenoura cortadas em grossos pedaços, caio de joelhos, rendida a tanta gostosura.
(2)
Esse preâmbulo me ocorreu, porque pretendia falar do campeonato de luta (FC) a que assisti ontem. A relação entre um e outro é simples. Sob tantas tatuagens e peles suadas, lá estavam eles: músculos e mais músculos.
Antes que perguntem, fui parar nesse evento graças ao Jornalismo. É nessas horas, quando ele me dá a oportunidade de conhecer novos universos e conversar com pessoas que eu nunca encontraria nos lugares que freqüento, que me reconcilio com ele. (Vamos ver até quando essa trégua vai durar.)
Pleno domingão à tarde, lá estava eu no meio dos musculosos, tentando me camuflar na plateia. Se eu tivesse deixado os óculos em casa talvez tivesse conseguido. Pensando melhor, as minhas caretas de horror cada vez que um quebrava o nariz do outro iriam me denunciar mais cedo ou mais tarde.
Os golpes mais violentos eram os que mais estimulavam o público a urrar e torcer. Ingenuamente, pensei que o objetivo de um campeonato de artes marciais era ver qualidade técnica – chutes que exigem abertura total, sequência de socos que mal podem ser vistos, essa coisa toda. Agora, homens cuspindo sangue ou caindo inconscientes me causam uma sensação semelhante à das cenas críticas de filmes épicos, quando a gente se segura para não cair no choro. Contudo, não foi bem o fato de as pessoas reagirem tão diferente de mim que me espantou mais.
Cheguei a treinar karatê por alguns meses. Gostava bastante. Acho fantástico você superar seus limites e ir visivelmente evoluindo semana após semana. O que eu não entendi ao acompanhar o FC é por que lutadores profissionais, que treinaram anos a fio, se privando de uma série de coisas para poder atingir o ápice de sua forma física, se submetem à depredação. Eu nem teria moral para criticar, porque pessoalmente depredo o meu corpo comendo doces demais. Mas por que fazer isso de forma tão dolorosa?
Não pode ser pelo dinheiro, já que a maioria deles sequer ganha bem. E dinheiro seria uma resposta decepcionante. Os grandes homens não são movidos por salário. Fama? Vaidade? Superação? É, sofrer de dor, mal se agüentar em pé e ainda tirar forças sei lá de onde para continuar pode ser algo nobre. Talvez essa seja a explicação para se correr o risco de ter alguma parte do corpo permanentemente danificada. Talvez não. Um atleta certa vez me disse que a melhor parte de competir era encher a cara do oponente caído no chão de porrada. Nesse caso, eu me envergonharia de gastar meu suado dinheiro para assistir a tal selvageria.
(3)
Oportunamente, loquei hoje “Touro indomável”. Foi uma amiga quem me recomendou, e achei que já era a hora de tapar esse buraco da minha lista de filmes essenciais. Felizmente ainda não vi, caso contrário, este post deveria se resumir a ele (como sempre faço quando vejo um filme bacana). Espero com ele reviver uma boa sensação que tive no campeonato ontem.
Aconteceu o seguinte. Havia um lutador de boxe que estava fazendo a sua quarta luta, enquanto seu adversário já estava na vigésima. O primeiro me parecia bem humilde, exatamente o contrário do segundo, que chegou com tênis de marca famosa e fazendo performance de campeão antes mesmo de a luta começar. Daí é inevitável: a gente acaba torcendo para o que parece ter menos chances. E não é que este foi crescendo no combate? Por fim, ganhou. Quando percebi, estava toda feliz pelo mérito dele. Essas coisas são até bonitas de se ver.
(4)
Nesta ida à locadora, também peguei “Idiocracy” – outra indicação de um amigo. Filme simpático e que é mais interessante sob o ponto de vista moral do que artístico. Conta a história da humanidade em 2 505, quando uma estranha seleção natural leva as pessoas inteligentes à extinção. A lógica é simples: idiotas procriam irresponsavelmente enquanto aqueles que têm “boa cabeça” muitas vezes nem têm filhos. Nesse futuro sombrio, o presidente dos Estados Unidos é Mr. Camacho, lutador profissional e ator pornô. Já que ninguém mais tem cérebro, tudo se torna uma questão de músculos.
Músculos – sempre presentes, eterno retorno.
(Silêncio pensativo de quem não tem mais o que escrever após um texto tão inútil.)
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Para os nerds de plantão: estou pensando em comprar um notebook da Acer. Alguém sabe me dizer se é uma boa marca?
heh.recebeu a minha carta? ;D
ResponderExcluirminha prima está aqui do lado cm um notebook da acer e disse que é bom. bjoo! saudade ;D
se puder compra da dell =o
ResponderExcluirah é, sua carta ja está a caminho viu?
Vc ainda vai sentir muita falta do bandejão do RU, qdo tiver que pagar um almoço por aí. Eu sinto.
ResponderExcluirE quanto a luta, o gosto é mesmo poder encher o outro de porrada, sem ser preso.
A gente acha que o ser humano é nobre, evoluído e o escambau, mas no fundo, ainda é tudo instinto animal.
Essa história de luta me lembrou Brüno...
ResponderExcluirhmm
ResponderExcluirpost interessante, muito interessante...
eu nunca participei de campeonatos, mas me lembro da época em que eu treinava, e lutava uma vez por semana, pelo menos (sem ganhar um tostão, veja só). quer saber? pode ser divertido, quando vc esta animado com isso. a adrenalina da luta, mais a possibilidade de acertar um golpe em cheio, desviar de uma coisa ou outra... é legal ^^.
e acer é uma marca boa sim, mas eu acho que vc devia procurar saber sobre as demais configurações antes, e tal.
PORRADA RULES!!!
ResponderExcluirFalando sério, gosto sim de vale tudo, boxe etc. Luta por pontinhos acho um saco de assistir.
Vá de Dell.
compra! é bom!
ResponderExcluirpois eh.. agora vc ta com vida de assalariada.. mas nas próximas férias eu apareço!!!
só em fevereiro!!!
ah! hai-kai é pequeno, eu fico com preguiça de escrever mesmo, rs, daí faço hai-kai que nem é hai kai. hehehe
ResponderExcluireu tb gosto de músculos.
HOMEM,
Musculo
suor
PT.. e por aí vai
Eu tenho um Acer. Aspire 3390. Bonzinho!
ResponderExcluirdell de cu é rola. vc só vai pagar mais por uma maquina que vai fazer o mesmo serviço
ResponderExcluiracer é uma marca boa sim