Para perder o cabaço

I. Preliminares

É do conhecimento de todos os dois leitores deste blog que eu venho sofrendo de um terrível bloqueio. Depois de um tempo sem postar, porque estivera ocupada descascando abacaxis acadêmicos, simplesmente esqueci o caminho da roça. Cheguei a calçar as botinas, olhar para o céu procurando sinal de chuva, aprontar a quentinha... mas tudo não passava de um ensaio sem fim.

Se não me engano, foi o Bilbo Bolseiro quem disse “sair de casa é algo perigoso: você dá o primeiro passo e não sabe onde vai parar” (citação não literal, baseado na minha memória nada-confiável). Decidi seguir o exemplo desse grande hobbit. Claro que não vou logo de cara caçar tesouros guardados por um dragão. Por ora, pretendo ir até a taberna, tomar uma cerveja e voltar antes de escurecer.

E que maneira melhor de praticar isso na blogosfera do que falar da minha vida? Sim, voltei a ter 14 anos de idade. Se é assim que se perde o cabaço, vamos lá.

II. Hora do vamos ver

Faz duas semanas que comecei a fazer academia. Meu interesse nisso é até nobre: quero ser mais saudável e forte. Assim, economizo em consultas médicas e, num futuro distante, posso adotar a bicicleta como meio de locomoção. Mas alto lá, antes que me chamem de ecochata, explico: não acho que isso vá salvar o mundo, só quero me divertir (falou a garota descontraída...).

Isso de frequentar academia me suscitou uma sensação que eu cria perdida. Um prazer puramente hormonal, consequência da endorfina e substâncias afins. Sim, existe satisfação imediata e desvinculada de atividades maçantes. Eureka! Há felicidade além da Literatura!

É assim que as pessoas conseguem levar a vida, então? E eu, do topo da minha arrogância, achando que elas tinham uma vida miserável. A infeliz era eu.

Ir para as aulas de aeróbica, chegar mais próximo de alcançar os pés sem dobrar os joelhos – sou a pessoa mais travada do mundo –, sentir-me acolhida pela tribo de halterofilistas. Antes isso era, por si só, fonte de contentamento. Hoje decidi que quero mais. Não deu outra: comprei uma revista “Women’s Health” e a li de cabo a rabo.

Impressionante que existam publicações possíveis de ser lidas em menos de duas horas! E mais: o conteúdo é 100% aplicável. Eu pago cincão – compro revistas em sebo –, dedico uma hora e meia de leitura e aprendo como me tornar uma pessoa feliz. Como diz o próprio slogan da revista: “Você. Só que melhor”.

III. Deita para o lado e dorme

Depois de ter alcançado um nirvana-genérico (em apenas 90 minutos! eles deveriam estampar isso na capa!), pude voltar à minha anormalidade sem culpa.

Estou lendo um manual de Teoria Literária muito bom. Para aqueles que, como eu, não fizeram Letras mas tampouco querem passar vexame em artigos futuros, é praticamente um minicurso introdutório. O livro, publicado pela Eduem, editora da Universidade Estadual de Maringá, chama-se “Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas”. Custa R$ 70 pelo site e R$ 42 na própria livraria da Eduem. Se eu passar na prova de Mestrado da Federal, dedicarei um post a ele.

There and back again. Ainda dá tempo de ver a Tela Quente.

Comentários

  1. É, tá terminando o X-Men agora.

    E eu li o título e pensei que era algo tão diferente...

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