Sobre o vegetarianismo [2]
Após mais uma greve de servidores da UFPR, que resultou no fechamento dos restaurantes universitários por quatro meses, nós, os estudantes, saímos dessa história bem mais pobres e subnutridos. Não é a primeira nem a segunda nem a terceira greve que enfrento, já sei como as coisas funcionam e me preparei desde o início para um longo período de improvisação na hora de comer. E, como a primeira consequência era inevitável, decidi que desta vez eu tentaria evitar ao menos a segunda.
Por um tempo foi, sim, macarrão diariamente. É rápido e enche a barriga. Em dias de fartura, a massa vinha acompanhada de carne e vegetais; em ocasiões mais modestas, quando a geladeira só continha eco, a base era alho e óleo e, com sorte, um ovo frito. Em dado momento eu já não aguentava mais esse menu, estava ganhando peso e ainda me sentia carente de nutrientes essenciais (termos que a gente aprende em propagandas da Nestlé ou da Danone). Percebi que a greve poderia durar ainda muitos meses e que eu deveria aprender a cuidar melhor da minha saúde independente do RU. Após essas constatações sensatas, mantive a mente aberta, o que me permitiu ser agraciada pela décima musa, a da gastronomia, a mais gorducha e feliz entre as irmãs. Foi quando começaram os experimentos culinários.
A primeira mudança consistiu em trocar os molhos prontos, aqueles que custam tipo dois pilas o pacotinho e tingem toda a louça de gordura e tinta, por molhos feitos na hora. Na Itália, presenciei muitas vezes o preparo caseiro de pasta e, ao contrário do que vejo ser praticado aqui, notei que se usa mais comer os vegetais em pedaços grandes, quase crus, pois são apenas fritos rapidamente no azeite, do que molhos líquidos e homogêneos. Tentei.
A dica é investir num bom azeite, qualquer um seja extravirgem e que custe mais de dez reais. Aqueles de trinta, quarenta reais já acho ostentação, nunca me fizeram falta. Sim, mesmo o de quinze é caro para um estudante, mas garanto que dura pelos menos seis meses e muda totalmente o sabor e a qualidade de qualquer coisa que se prepare. Quem nunca experimentou, tente trocar o pão francês com margarina por pão integral com azeite, é muito saboroso!
Esse tipo de preparo alla italiana desmistificou para mim a ideia de que molho caseiro é algo demorado. Ok, demora um pouco mais do que abrir a embalagem de molho pronto, mas nada que vá atrapalhar sua rotina. O tempo de picar os vegetais é igual ou inferior ao da fervura da água para cozinhar a massa, principalmente quando se pega prática. Aí, quando faltam uns dois minutos para o macarrão terminar de cozer, só jogo os ingredientes picados numa panela grande – geralmente se começa pela cebola e pelo alho, depois vem o tomate, os vegetais mais duros e por último as folhas –, selo tudo com azeite e tempero com sal, pimenta e ervas aromáticas frescas. Quando a massa estiver cozida, jogo dentro da panela dos vegetais já levemente cozidos (por isso tem que ser grande), misturo e pronto, um macarrão saudável em quinze ou vinte minutos, e você sujou apenas uma panela, porque a outra foi usada só com água.
Logo depois desta primeira fase de aperfeiçoamento do macarrão, descobri as maravilhas da proteína de soja. Custa baratíssimo, rende muito, dura várias semanas no armário e ajuda a dar consistência para vários pratos que são feitos originalmente com carne, tipo molho à bolonhesa, frango xadrez, madalena etc. Mudei mais por uma questão econômica do que pelo sabor, mesmo porque esse é bastante neutro. A soja pega o gosto daquilo com que você a temperar, compensa mais pela textura e pela fonte de proteína. Mas evito usar com frequência, porque é um tipo de alimento sintético e, do ponto de vista da saúde do corpo, devemos dar preferência aos grãos in natura. Outro problema é que a maioria das pessoas não digere bem a soja. Uma vez vi uma entrevista com um nutricionista que dizia ser melhor a consumirmos em produtos como tofu e leite de soja, que são menos pesados para o estômago.
Com todos esses experimentos na cozinha, aprendi a usar vários vegetais que antes não faziam parte do meu dia a dia e a dar novos tratamentos aos velhos conhecidos (batata, cenoura, tomate). Chegou a um ponto que os cozidos e os assados de vegetais (um exemplo moleza de fazer: abobrinha ou berinjela em rodelas finas, um fio de azeite, sal e cheiro verde no forno) eram tão bons, que dispensavam o macarrão. Hoje vario entre macarrão e arroz. Outra boa novidade que descobri no mercado são esses combinados de vários grãos, como arroz integral, feijão fradinho, lentilha, ervilha, triguilho, quinoa, amaranto etc. São ridiculamente fáceis de preparar, nutritivos e dispensam o uso de óleo.
Depois desses meses todos cozinhando em casa quase diariamente, consigo ver um ponto positivo da greve sobre minha vida pessoal – com relação à luta trabalhista há também outros méritos certamente, mas que não vêm ao caso neste post culinário –: estou mais saudável e consciente do que como. Por economia, me tornei uma cozinheira mais experiente e praticamente vegetariana, afinal, carne e embutidos custam muito caro.
Além da greve, outro fator que contribuiu para minha adesão ao vegetarianismo parcial – sei que esse termo não existe e os vegetarianos militantes podem ficar ofendidos com ele, mas acho que também se deve valorizar o mérito de quem está cortando substancialmente o consumo de carne mesmo sem o eliminar por completo – foi o contato com o budismo. Esclareço desde já que não me considero budista, mesmo porque Buda nunca teve a intenção de fundar uma religião e, portanto, um verdadeiro discípulo seu dispensa a identificação com qualquer culto. O mesmo deveria valer para os cristãos, mas isso também é outra história.
O budista crê em reencarnação, mas, diferente da visão espírita, acredita-se que um homem pode reencarnar sob qualquer forma, não só a humana. Isso contribui para que respeite qualquer ser da mesma forma que se respeita uma pessoa, daí a prática de não se comerem animais. No meu limitado conhecimento, não sei explicar por que as plantas e os fungos, sendo também seres vivos, podem ser comidos. Talvez porque alguma coisa temos que comer para não morrermos, mas sugiro que perguntem isso a alguém mais instruído.
Esses dias atrás participei de um curso de Vipassana – esse é outro tema que fica para um post à parte –, uma meditação que já existia antes de Buda, mas que foi resgatada e praticada por ele para atingir a iluminação. Uma coisa interessante dos ensinamentos budistas, principalmente para nós ocidentais, que racionalizamos tudo e preferimos a compreensão cognitiva, é a valorização da prática e da experiência pessoal. Não basta saber que um caminho é bom, é preciso trilhá-lo – esse é mais ou menos o espírito da coisa.
Nesse curso de meditação, fazia-se constantemente uma saudação que dizia “que todos os seres possam ser felizes”, ao que a gente respondia “bem falado, concordamos”. No começo, era tudo muito exótico e eu não entendia bem o sentido, preferia só observar sem repetir. Depois, quando eu estava mais imersa na prática, comecei a sentir uma real compaixão por todos os seres vivos. Desde então, não consigo mais matar nem uma formiga ou um pernilongo. Às vezes acontece por descuido, mas sempre tento evitar. Esse mesmo sentimento, em consequência, adentrou a esfera da alimentação. Nas últimas duas semanas só consumi carne em duas ocasiões – peito de peru e atum –, mas não encontrei grande satisfação nisso. Sinto que, se eu puder evitar, melhor.
Por outro lado, mantenho a posição de não querer levantar esta bandeira publicamente nem me proibir terminantemente de comer carne. Acho que as coisas não funcionam assim. Se o sentimento passar, ficará só o compromisso da palavra e a gente manterá o hábito mais por obrigação do que por consciência. Enquanto eu sentir que devo fazer, faço. Tenho um discernimento bem desenvolvido e sei julgar de acordo com a situação, não preciso me aprisionar por uma imagem pública construída por mim mesma.
Antes de começar a escrever este post, me lembrei de um outro que eu publiquei há mais de ano e que também se chamava “Sobre o vegetarianismo”. Naquela ocasião eu defendi que, para comer carne, era preciso sacrificar você mesmo o animal e se sujar no sangue dele, assim você seria merecedor de se beneficiar daquela vida. Era uma época conturbada para mim, eu vivia com raiva de tudo e de todos. Me identificava muito com o rapaz do filme “Into the wild” e até dizia que queria poder fazer o mesmo, isto é, matar um urso com minhas próprias mãos e comer a carne do bicho ainda crua.
A vida, naqueles tempos, era lutar, ferir, dominar. Felizmente passou. Não me sinto mais uma idiota passiva quando não reajo aos que me fazem mal, pelo contrário, sei que o esforço maior é o de não me vingar e que isso não tem nada de passivo. Outro ensinamento budista: se alguém te oferece algo ruim e você não aceita, essa coisa continua pertencendo à outra pessoa. Esse é princípio da não-reação, muito efetivo para apaziguar a atmosfera de negatividade, que está por todo lugar, mas que você ao menos não ajuda a multiplicar. Assim, se alguém está desequilibrado e quer fazer você sofrer, você não sofre por isso e nem contribui para fazer outras pessoas sofrerem.
Não terminarei dizendo “não comam carne” nem “sejam budistas”, cada um sabe o que faz e eu não sei mais do que ninguém. Prefiro encerrar com a saudação do velho Goenka: que todos os seres possam ser felizes! Isso inclui o boi, a formiga, as plantinhas, você e eu.
Por um tempo foi, sim, macarrão diariamente. É rápido e enche a barriga. Em dias de fartura, a massa vinha acompanhada de carne e vegetais; em ocasiões mais modestas, quando a geladeira só continha eco, a base era alho e óleo e, com sorte, um ovo frito. Em dado momento eu já não aguentava mais esse menu, estava ganhando peso e ainda me sentia carente de nutrientes essenciais (termos que a gente aprende em propagandas da Nestlé ou da Danone). Percebi que a greve poderia durar ainda muitos meses e que eu deveria aprender a cuidar melhor da minha saúde independente do RU. Após essas constatações sensatas, mantive a mente aberta, o que me permitiu ser agraciada pela décima musa, a da gastronomia, a mais gorducha e feliz entre as irmãs. Foi quando começaram os experimentos culinários.
A primeira mudança consistiu em trocar os molhos prontos, aqueles que custam tipo dois pilas o pacotinho e tingem toda a louça de gordura e tinta, por molhos feitos na hora. Na Itália, presenciei muitas vezes o preparo caseiro de pasta e, ao contrário do que vejo ser praticado aqui, notei que se usa mais comer os vegetais em pedaços grandes, quase crus, pois são apenas fritos rapidamente no azeite, do que molhos líquidos e homogêneos. Tentei.
A dica é investir num bom azeite, qualquer um seja extravirgem e que custe mais de dez reais. Aqueles de trinta, quarenta reais já acho ostentação, nunca me fizeram falta. Sim, mesmo o de quinze é caro para um estudante, mas garanto que dura pelos menos seis meses e muda totalmente o sabor e a qualidade de qualquer coisa que se prepare. Quem nunca experimentou, tente trocar o pão francês com margarina por pão integral com azeite, é muito saboroso!
Esse tipo de preparo alla italiana desmistificou para mim a ideia de que molho caseiro é algo demorado. Ok, demora um pouco mais do que abrir a embalagem de molho pronto, mas nada que vá atrapalhar sua rotina. O tempo de picar os vegetais é igual ou inferior ao da fervura da água para cozinhar a massa, principalmente quando se pega prática. Aí, quando faltam uns dois minutos para o macarrão terminar de cozer, só jogo os ingredientes picados numa panela grande – geralmente se começa pela cebola e pelo alho, depois vem o tomate, os vegetais mais duros e por último as folhas –, selo tudo com azeite e tempero com sal, pimenta e ervas aromáticas frescas. Quando a massa estiver cozida, jogo dentro da panela dos vegetais já levemente cozidos (por isso tem que ser grande), misturo e pronto, um macarrão saudável em quinze ou vinte minutos, e você sujou apenas uma panela, porque a outra foi usada só com água.
Logo depois desta primeira fase de aperfeiçoamento do macarrão, descobri as maravilhas da proteína de soja. Custa baratíssimo, rende muito, dura várias semanas no armário e ajuda a dar consistência para vários pratos que são feitos originalmente com carne, tipo molho à bolonhesa, frango xadrez, madalena etc. Mudei mais por uma questão econômica do que pelo sabor, mesmo porque esse é bastante neutro. A soja pega o gosto daquilo com que você a temperar, compensa mais pela textura e pela fonte de proteína. Mas evito usar com frequência, porque é um tipo de alimento sintético e, do ponto de vista da saúde do corpo, devemos dar preferência aos grãos in natura. Outro problema é que a maioria das pessoas não digere bem a soja. Uma vez vi uma entrevista com um nutricionista que dizia ser melhor a consumirmos em produtos como tofu e leite de soja, que são menos pesados para o estômago.
Com todos esses experimentos na cozinha, aprendi a usar vários vegetais que antes não faziam parte do meu dia a dia e a dar novos tratamentos aos velhos conhecidos (batata, cenoura, tomate). Chegou a um ponto que os cozidos e os assados de vegetais (um exemplo moleza de fazer: abobrinha ou berinjela em rodelas finas, um fio de azeite, sal e cheiro verde no forno) eram tão bons, que dispensavam o macarrão. Hoje vario entre macarrão e arroz. Outra boa novidade que descobri no mercado são esses combinados de vários grãos, como arroz integral, feijão fradinho, lentilha, ervilha, triguilho, quinoa, amaranto etc. São ridiculamente fáceis de preparar, nutritivos e dispensam o uso de óleo.
Depois desses meses todos cozinhando em casa quase diariamente, consigo ver um ponto positivo da greve sobre minha vida pessoal – com relação à luta trabalhista há também outros méritos certamente, mas que não vêm ao caso neste post culinário –: estou mais saudável e consciente do que como. Por economia, me tornei uma cozinheira mais experiente e praticamente vegetariana, afinal, carne e embutidos custam muito caro.
Além da greve, outro fator que contribuiu para minha adesão ao vegetarianismo parcial – sei que esse termo não existe e os vegetarianos militantes podem ficar ofendidos com ele, mas acho que também se deve valorizar o mérito de quem está cortando substancialmente o consumo de carne mesmo sem o eliminar por completo – foi o contato com o budismo. Esclareço desde já que não me considero budista, mesmo porque Buda nunca teve a intenção de fundar uma religião e, portanto, um verdadeiro discípulo seu dispensa a identificação com qualquer culto. O mesmo deveria valer para os cristãos, mas isso também é outra história.
O budista crê em reencarnação, mas, diferente da visão espírita, acredita-se que um homem pode reencarnar sob qualquer forma, não só a humana. Isso contribui para que respeite qualquer ser da mesma forma que se respeita uma pessoa, daí a prática de não se comerem animais. No meu limitado conhecimento, não sei explicar por que as plantas e os fungos, sendo também seres vivos, podem ser comidos. Talvez porque alguma coisa temos que comer para não morrermos, mas sugiro que perguntem isso a alguém mais instruído.
Esses dias atrás participei de um curso de Vipassana – esse é outro tema que fica para um post à parte –, uma meditação que já existia antes de Buda, mas que foi resgatada e praticada por ele para atingir a iluminação. Uma coisa interessante dos ensinamentos budistas, principalmente para nós ocidentais, que racionalizamos tudo e preferimos a compreensão cognitiva, é a valorização da prática e da experiência pessoal. Não basta saber que um caminho é bom, é preciso trilhá-lo – esse é mais ou menos o espírito da coisa.
Nesse curso de meditação, fazia-se constantemente uma saudação que dizia “que todos os seres possam ser felizes”, ao que a gente respondia “bem falado, concordamos”. No começo, era tudo muito exótico e eu não entendia bem o sentido, preferia só observar sem repetir. Depois, quando eu estava mais imersa na prática, comecei a sentir uma real compaixão por todos os seres vivos. Desde então, não consigo mais matar nem uma formiga ou um pernilongo. Às vezes acontece por descuido, mas sempre tento evitar. Esse mesmo sentimento, em consequência, adentrou a esfera da alimentação. Nas últimas duas semanas só consumi carne em duas ocasiões – peito de peru e atum –, mas não encontrei grande satisfação nisso. Sinto que, se eu puder evitar, melhor.
Por outro lado, mantenho a posição de não querer levantar esta bandeira publicamente nem me proibir terminantemente de comer carne. Acho que as coisas não funcionam assim. Se o sentimento passar, ficará só o compromisso da palavra e a gente manterá o hábito mais por obrigação do que por consciência. Enquanto eu sentir que devo fazer, faço. Tenho um discernimento bem desenvolvido e sei julgar de acordo com a situação, não preciso me aprisionar por uma imagem pública construída por mim mesma.
Antes de começar a escrever este post, me lembrei de um outro que eu publiquei há mais de ano e que também se chamava “Sobre o vegetarianismo”. Naquela ocasião eu defendi que, para comer carne, era preciso sacrificar você mesmo o animal e se sujar no sangue dele, assim você seria merecedor de se beneficiar daquela vida. Era uma época conturbada para mim, eu vivia com raiva de tudo e de todos. Me identificava muito com o rapaz do filme “Into the wild” e até dizia que queria poder fazer o mesmo, isto é, matar um urso com minhas próprias mãos e comer a carne do bicho ainda crua.
A vida, naqueles tempos, era lutar, ferir, dominar. Felizmente passou. Não me sinto mais uma idiota passiva quando não reajo aos que me fazem mal, pelo contrário, sei que o esforço maior é o de não me vingar e que isso não tem nada de passivo. Outro ensinamento budista: se alguém te oferece algo ruim e você não aceita, essa coisa continua pertencendo à outra pessoa. Esse é princípio da não-reação, muito efetivo para apaziguar a atmosfera de negatividade, que está por todo lugar, mas que você ao menos não ajuda a multiplicar. Assim, se alguém está desequilibrado e quer fazer você sofrer, você não sofre por isso e nem contribui para fazer outras pessoas sofrerem.
Não terminarei dizendo “não comam carne” nem “sejam budistas”, cada um sabe o que faz e eu não sei mais do que ninguém. Prefiro encerrar com a saudação do velho Goenka: que todos os seres possam ser felizes! Isso inclui o boi, a formiga, as plantinhas, você e eu.
Que post zen.
ResponderExcluirQuanto a culinária, eu ainda prefiro a comodidade, mesmo que não seja muito saudável (eu não quero viver muito tempo mesmo).
Mas eu gosto de ver receitas bacanas. Olha alguns desses, me parece q vc vai gostar:
https://www.youtube.com/user/gennarocontaldo
Estou super feliz por vc, Sussu! Que bom que vc está em paz e interessada nesses novos ensinamentos. Falo isso não só por compartilhar dos mesmos interesses seus, mas pq senti pelo texto que isso está te fazendo bem.
ResponderExcluirNo yoga - falando agora do yoga como uma prática completa, não só física, como algumas academias de ginástica adotam - nós temos os "yamas", os oito degraus pra a iluminação, segundo os "Yoga Sutra" de Patanjali. O primeiro de todos é o "ahimsa", o da não-violência. Só ele já gera um monte de estudo e discussão em cima. É por causa disso que muitos yogis são vegetarianos, acreditam em não ferir - ou diminuir o sofrimento - do maior número possível de seres vivos. O yoga tem muitas semelhanças com o budismo: a prática de meditação, o princípio da não-violência... Acho muito saudável tudo isso, não só para o ambiente da pessoa que pratica qualquer dessas filosofias, mas principalmente para a própria pessoa mesmo.
Quanto ao que vc disse sobre alguém ser vegetariano pelo argumento de compaixão pelos seres vivos e mesmo assim comer plantas, eu penso que, mesmo ainda havendo controvérsias sobre as plantas sentirem dor ou não, imagine quantas plantas vc deixa de matar ao comer só a sua quota de vegetais diária do que ao comer um filé de gado, de um boi que precisou de uma vida inteira de quilos e quilos de grãos e vegetais para crescer e se formar até ser abatido. No final das contas se vc só comer sua pequena porção de vegetais não serão menos vegetais consumidos?
Eu acho legal que vc não queira tbm se rotular ou se limitar se autointitulando vegetariana. Eu fiz isso e não foi bom, acho que principalmente porque acaba virando um rótulo vazio se vc não cuidar, os outros parecem te vigiar etc. O que importa mesmo é a consciência que vc põe no que vai comer. Agradecer pelo alimento. O que vc disse no primeiro dessa série de posts, sobre vc mesma matar o animal para poder comê-lo, tbm acho que não está errado. Não existem aquelas tribos indígenas que oram ou agradecem quando matam um animal que elas mesmo caçaram? Compreendo e vejo um sentido nisso.
Su, atualizando sobre mim, hoje em dia eu estou meio que nem vc, tvz até menos vegetariana haha, mas mais por comodismo mesmo, confesso, não sou eu que preparo minha própria comida, daí vez ou outra acabo comendo carne. Porém, pretendo dar uma nova chance ao vegetarianismo qdo morar sozinha.
Vc é mto afortunada por morar na cidade onde mora com tais interesses. Sei de vários cursos que acontecem no Espaço Hermógenes daí, de meditação e yoga que tenho interesse em fazer. Talvez vc já conheça, mas fikdik, moça bonita! ;)
http://hermogenesctba.blogspot.com.br/
Abraço apertado da Paty (Maringá)