Abortos: Amor livre
Um mês saindo juntos, a coisa se encaminhava para um namoro. Bebeto pensou em aproveitar a data para fazer o pedido formal a Antônio. Na manhã do grande dia, ele não se aguentou e contou suas intenções para metade dos colegas de escritório, virou um happening na hora do cafezinho, quem não gosta de um segredo coletivo? O incentivo foi unânime, jovens e bonitos daquele jeito tinham mais é que oficializar a relação, um desperdício que não pudessem também gerar filhos! No dia seguinte, o pessoal clamava pelo relato completo. Bebeto, então, revelou todos os detalhes da noite passada: como quem não quer nada, ele começou perguntando se os dois estavam saindo só um com o outro. Para a surpresa dele e de todo o escritório, a resposta foi “não”, completada por um “estamos de boa” – seja lá o que isso signifique. O jovem apaixonado se achou ridiculamente ingênuo por ter cogitado um namoro, nem chegou a fazer o pedido e, para não ficar para trás, começou a sair com outras pessoas. Isso magoou Antônio, que, afinal, não estava tão de boa assim. Não chegaram a completar nem dois meses juntos.
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Da série "Abortos", leia também:
Bad reputation
Maiores de idade
A terceira
Dai as mãos
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O mais incrível nessa história é o relato do escritório. Por mais que o pessoal goste de se ver como liberal, não creio que alguém se abriria assim pra metade do escritório. A não ser que fosse a companhia aérea do último filme do Almodovar.
ResponderExcluirAh, não duvide da capacidade das pessoas de tornar a intimidade um espetáculo. Século XXI, baby.
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