Por que “Cisne negro” é duca


 Fevereiro, mês feliz para os cinéfilos. É quando estreia a maioria dos grandes concorrentes ao Oscar.

Até agora, consegui assistir a “Biutiful” e “Cisne negro”. Trata-se de duas produções super-estimadas pela crítica. Quando a gente finalmente vai vê-las, dá aquele medo de se deparar com filmes simplesmente bons, e não extraordinários.

O primeiro tinha todos os ingredientes para ser duca (subúrbio, conflitos raciais, misticismo versus realidade), mas, para mim, acabou sendo simplesmente bom. O segundo, apesar da expectativa igualmente alta, conseguiu surpreender.

Talvez seja falta de repertório cinematográfico meu, mas achei muito original a ambientação de balé – não confundamos com dança de salão ou de rua, que suscita outros tipos de conflitos. Uma trama sobre bailarinas tem todos os pontos positivos de filmes clássicos de boxeadores (treinos rigorosos; escoriações; pressão do treinador, da família e dos opositores; busca de um estilo próprio; o esporte e a vida do atleta afetando um ao outro; a sublimação durante a luta final), só que com o bônus de figurino e trilha sonora maravilhosos.

Saí da sala e tive que ficar alguns minutos em silêncio, “trying to put myself together” (por falta de expressão melhor em português), de tão comovida.

O tema principal de “Cisne negro” é metalinguístico, isto é, trata do próprio fazer artístico: a busca (nesse caso incondicional) do artista pelo belo. Fiquei muito chateada com alguns comentários que fizeram durante e após a sessão de que o filme era ridículo e entediante. Não acreditem nessas pessoas!

Isto não deveria ser uma resenha, por isso não vou me estender mais. Faço apenas um último elogio à performance de Natalie Portman. Não poderiam ter escolhido ninguém melhor para o papel. Talvez o diretor, Darren Aronofsky, seja adepto de Eisenstein ao buscar o ator parecido com o papel em vez de treiná-lo para parecer algo diferente do que é na vida real. A personagem Nina é a encarnação do conceito que eu tinha da Natalie Portman: bonita, competente, insossa. No decorrer do filme, a própria atriz evolui junto com a bailarina. No fim, estamos diante de um perfeito cisne negro e também de uma atuação comovente – densa, cheia de técnica, mas surpreendente.

Com isso, insisto para que vocês vejam “Cisne negro” nos cinemas.

Comentários

  1. Anônimo7/2/11 22:17

    A Natalie Portman é só minhaaaa! Adorei Cisne Negro! As cenas de dança são lindas mas os dedos do pé grudados e aqueles pedaços de pele das mãos acabaram comigo -_-
    bjo da ana

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  2. Eu posso estar sendo elitista (e geralmente sou com razão), mas não sei não se Cisne Negro é pras massas, pro espectador médio (especialmente brasileiro, que lota mesmo uma sessão dublada de Caça às Bruxas).

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  3. Nao aguentei esperar e baixei em dezembro no tio luis =P

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  4. Já tinha visto o Cisne Negro em casa também, achei que não ia chegar nunca aqui. Achei bom, mas não ótimo, mas é mais por um preconceito meu mesmo, admito. É que achei meio desproporcional essa "psicologização" que ele fez em cima dos personagens dos cisnes, e, cá entre nós, nunca me convenci desse lance de ator de que é muito difícil sair do papel, que o papel te atormenta, que o coringa novo até se matou por causa disso. Mas isso é porque eu sou um bruto insensível e acho a maior boiolagem isso de ser atormentado pelo papel, acho que é mais uma desculpa dos atores pra justificar a dinheirama que eles ganham, e perpetuada por uma espiral do silêncio: se o ator jovem, que não sabe de nada, não disser que ele também é afetado pelo papel, é porque é um mau ator, e por aí vai.
    Mas enfim, gosto do Darren Aronofsky bastante (mais do que ele merece, às vezes)e esse filme pelo menos é melhor do que os dois últimos. :)
    Beijo!

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