Conto erótico (parte III): Um peixe fora do aquário
No capítulo anterior, vocês viram como Rochinha e Piauçu se tornaram companheiros de pescaria (“just fishing buddies”) no aquário do lab de rádio. E também como este último conheceu intimamente um sósia de Alcebíades (ou de Apolo? ou de Narciso? ou do Johnny Depp?). Rochinha descobrirá toda a verdade? Ele perdoará o seu amigo? Será o fim de uma amizade colorida feito o arco-íris? Não percam essas e outras revelações após o nosso intervalo comercial.
**
Voz máscula: “Esta noite você tem um encontro marcado com uma garota ordinária que escreve ensaios vulgares e ainda adora ser comparada a uma camélia. Acesse www.sularien.blogspot.com e confira nossas ofertas imperdíveis!”
**
Voltamos com a nossa programação normal.
Quando entrei no lab e topei com os dois colegas rolando violentamente no chão, tentei sair de lá sem que me notassem. Impossível. Antes que eu pudesse evitar, a porta bateu atrás de mim. Bam! Piauçu, pálido, apressou-se em explicar:
“Minha lente de contato caiu no chão e o Pégasus se ofereceu para me ajudar a procurar. Você não está vendo nada demais, ok?”
“Mas... Piau... Você está de óculos! Como pode também usar lente?”
Para que fui contestar aquele rabugento? Ele me fulminou com o olhar de tal forma que eu me convenci de que deveria acreditar.
“Então tá, né. Ahn... Vocês querem ajuda aí?”
“Não. Volte mais tarde. Obrigado. Tchau.”
Obedeci. Na verdade, saí tão chocada com aquilo que, quando me dei conta, já estava em casa e havia esquecido de voltar. Ah, não tem problemas. Amanhã eu peço desculpas ao Piauçu por deixá-lo esperando.
Na manhã seguinte, antes da primeira aula, eu comentava com a minha amiga Mia sobre como Piauçu andava estranho ultimamente. Aproveitei para lhe contar o episódio da véspera. Nisso, alguém se aproxima de nós num movimento brusco.
“O que você disse?”, perguntou Rochinha.
Eu repeti a ele a história tal qual contara a Mia (talvez nem tão fielmente assim...). Ele agradeceu e se afastou com pressa.
“Você reparou na cara transtornada dele?”, cochichou Mia.
“Eu não... E nem quero nem saber. Acaso sou o tipo de pessoa que se mete na vida dos outros? Ei, o que foi essa revirada de olhos, hein?”
Mais tarde me contaram que os dois estavam discutindo feio. Parece que eles gritavam assim:
“Acaso o dia da sua morte já chegou?”, berrava Rochinha.
“Mas... mas... Ele era tão meigo e desprotegido... eu não resisti! A nossa pescaria não precisa terminar por uma bobagem dessas. Tenho certeza de que você também vai gostar dele...”
“O problema não é com esse rapaz aí. É com você, seu... seu... peixe morto! E olha, eu vou deletar a nossa comunidade! E vou te bloquear no meu MSN pra todo o sempre!”
“Você não ousaria...”
Dito e feito. Cada um foi para o seu lado. Desde então, nunca mais se falaram.
Fim.
Não. Não pode terminar assim. Alguém como eu, que foi criada a base de filmes hollywoodianos água-com-açúcar, gosta de finais felizes. Vamos ver se consigo consertar esta história....
O que aconteceu com cada personagem:
Piauçu. Nosso herói, após a sugestão insistente de Pégasus, pegou umas férias do estágio. Esteve por aí jogando sinuca em mesas deterioradas e bebendo cervejas de marcas duvidosas. Passaram duas semanas e ele já se sentia com as energias plenas para voltar ao trabalho. Quando o fez, qual não foi a surpresa ao flagrar Pégasus e uma garota trabalhando juntos num spot. Enciumado, pediu transferência do lab de rádio para o de TV.
Pégasus. Como já foi mencionado acima, ele começou a se interessar por mulheres. No momento, está namorando a minha amiga Mia, que é muito prestativa e sempre vai ajudá-lo no lab. Fico feliz com esta vitória das mulheres do mundo inteiro: esse semi-deus agora é todo nosso!
Rochinha. Continua a ser o cara “gente boa” de que todos gostam. Até Pégasus tornou-se amigo dele. Mas o que ninguém sabe é que ele ainda sofre pelo cruel Piauçu. Na tentativa de esquecê-lo, resolveu fugir de tudo que o fizesse lembrar dele. Desertou do antigo projeto de iniciação científica e agora segue suas produções em outra área.
Terça-feira, 9 horas, TV laboratório da universidade.
“Beleza, pessoal, a gravação deu por hoje. Rochinha, agora é só ir lá na ilha de edição e cortar o material do que jeito que você quiser”
“Ok, Tânia. Mas com quem eu devo falar? Sou novo aqui e não conheço praticamente ninguém”
“Ah, não lembro o nome do rapaz responsável, ele também começou há pouco tempo. É só dar uma chegada na ilha que ele deve estar por lá...”
Quando ele entra na apertada ilha de edição, vê uma figura vidrada no PC. Ela mexia no orkut e, por uma coincidência, a página aberta era justamente o perfil de Rochinha.
“Piauçu?”, Rochinha toca o ombro do outro.
“O que você quer?”, Piauçu não se vira para falar. O motivo era óbvio: a voz do rapaz era de quem tinha estado chorando.
“Isso!”
Rochinha acerta um soco no companheiro, que revida. E eles foram felizes para sempre até o fim da graduação.
** Os personagens são todos fictícios. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Grande concurso cultural:
Não gostou do final do conto? Escreva a sua versão que a gente publica aqui no Dov'è il latte?. Qualquer um pode participar.
O prêmio: fama, dinheiro e mulheres (se você for mulher) ou homens (se você for homem).
**
Voz máscula: “Esta noite você tem um encontro marcado com uma garota ordinária que escreve ensaios vulgares e ainda adora ser comparada a uma camélia. Acesse www.sularien.blogspot.com e confira nossas ofertas imperdíveis!”
**
Voltamos com a nossa programação normal.
Quando entrei no lab e topei com os dois colegas rolando violentamente no chão, tentei sair de lá sem que me notassem. Impossível. Antes que eu pudesse evitar, a porta bateu atrás de mim. Bam! Piauçu, pálido, apressou-se em explicar:
“Minha lente de contato caiu no chão e o Pégasus se ofereceu para me ajudar a procurar. Você não está vendo nada demais, ok?”
“Mas... Piau... Você está de óculos! Como pode também usar lente?”
Para que fui contestar aquele rabugento? Ele me fulminou com o olhar de tal forma que eu me convenci de que deveria acreditar.
“Então tá, né. Ahn... Vocês querem ajuda aí?”
“Não. Volte mais tarde. Obrigado. Tchau.”
Obedeci. Na verdade, saí tão chocada com aquilo que, quando me dei conta, já estava em casa e havia esquecido de voltar. Ah, não tem problemas. Amanhã eu peço desculpas ao Piauçu por deixá-lo esperando.
Na manhã seguinte, antes da primeira aula, eu comentava com a minha amiga Mia sobre como Piauçu andava estranho ultimamente. Aproveitei para lhe contar o episódio da véspera. Nisso, alguém se aproxima de nós num movimento brusco.
“O que você disse?”, perguntou Rochinha.
Eu repeti a ele a história tal qual contara a Mia (talvez nem tão fielmente assim...). Ele agradeceu e se afastou com pressa.
“Você reparou na cara transtornada dele?”, cochichou Mia.
“Eu não... E nem quero nem saber. Acaso sou o tipo de pessoa que se mete na vida dos outros? Ei, o que foi essa revirada de olhos, hein?”
Mais tarde me contaram que os dois estavam discutindo feio. Parece que eles gritavam assim:
“Acaso o dia da sua morte já chegou?”, berrava Rochinha.
“Mas... mas... Ele era tão meigo e desprotegido... eu não resisti! A nossa pescaria não precisa terminar por uma bobagem dessas. Tenho certeza de que você também vai gostar dele...”
“O problema não é com esse rapaz aí. É com você, seu... seu... peixe morto! E olha, eu vou deletar a nossa comunidade! E vou te bloquear no meu MSN pra todo o sempre!”
“Você não ousaria...”
Dito e feito. Cada um foi para o seu lado. Desde então, nunca mais se falaram.
Fim.
Não. Não pode terminar assim. Alguém como eu, que foi criada a base de filmes hollywoodianos água-com-açúcar, gosta de finais felizes. Vamos ver se consigo consertar esta história....
O que aconteceu com cada personagem:
Piauçu. Nosso herói, após a sugestão insistente de Pégasus, pegou umas férias do estágio. Esteve por aí jogando sinuca em mesas deterioradas e bebendo cervejas de marcas duvidosas. Passaram duas semanas e ele já se sentia com as energias plenas para voltar ao trabalho. Quando o fez, qual não foi a surpresa ao flagrar Pégasus e uma garota trabalhando juntos num spot. Enciumado, pediu transferência do lab de rádio para o de TV.
Pégasus. Como já foi mencionado acima, ele começou a se interessar por mulheres. No momento, está namorando a minha amiga Mia, que é muito prestativa e sempre vai ajudá-lo no lab. Fico feliz com esta vitória das mulheres do mundo inteiro: esse semi-deus agora é todo nosso!
Rochinha. Continua a ser o cara “gente boa” de que todos gostam. Até Pégasus tornou-se amigo dele. Mas o que ninguém sabe é que ele ainda sofre pelo cruel Piauçu. Na tentativa de esquecê-lo, resolveu fugir de tudo que o fizesse lembrar dele. Desertou do antigo projeto de iniciação científica e agora segue suas produções em outra área.
Terça-feira, 9 horas, TV laboratório da universidade.
“Beleza, pessoal, a gravação deu por hoje. Rochinha, agora é só ir lá na ilha de edição e cortar o material do que jeito que você quiser”
“Ok, Tânia. Mas com quem eu devo falar? Sou novo aqui e não conheço praticamente ninguém”
“Ah, não lembro o nome do rapaz responsável, ele também começou há pouco tempo. É só dar uma chegada na ilha que ele deve estar por lá...”
Quando ele entra na apertada ilha de edição, vê uma figura vidrada no PC. Ela mexia no orkut e, por uma coincidência, a página aberta era justamente o perfil de Rochinha.
“Piauçu?”, Rochinha toca o ombro do outro.
“O que você quer?”, Piauçu não se vira para falar. O motivo era óbvio: a voz do rapaz era de quem tinha estado chorando.
“Isso!”
Rochinha acerta um soco no companheiro, que revida. E eles foram felizes para sempre até o fim da graduação.
** Os personagens são todos fictícios. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
Grande concurso cultural:
Não gostou do final do conto? Escreva a sua versão que a gente publica aqui no Dov'è il latte?. Qualquer um pode participar.
O prêmio: fama, dinheiro e mulheres (se você for mulher) ou homens (se você for homem).
Decepçao esse final hein su?
ResponderExcluircade o patrao com leite condensado?
pq o seya teve que virar hetero?
pq Piauçu nao ficou com os 2?
=/
hum...
ResponderExcluirnão sei...
esperava mais cenas picantes em um conto erótico...
shauhsuausas
mas tá bom.
=*
Su! Concordo com o comentário acima! Faltou quirera circulando no sangue dos seus personagens!!!
ResponderExcluirA propósito, porque o Pablo Gonzaléz não entrou no conto? Um tempero latino seria uma boa...
(no coments about Mia)