Conto erótico (parte II): Traição no aquário
No dia seguinte ao incidente, a parceria entre Piauçu e Rochinha se estreitou. Eles estavam o tempo todo juntos e não escondiam de ninguém: discutiam as questões de trabalho na frente de quem quer que fosse. Um colega meu contou que os viu discutindo calorosamente sobre novos softwares de edição. A fonte é segura, mas a gente nunca sabe se dá para acreditar, né. Até que eu mesma também tive a oportunidade de presenciar algo sobre eles. Outro dia, eles caminhavam silenciosamente de mãos dadas nos gramados do campus de Agrárias. Pensei: “...”. Quer dizer, nem consegui pensar nada na hora.
Comecei, como quem não queria nada, a perguntar sobre eles aqui e acolá. Descobri pouca coisa. Só consegui algumas indicações vagas como: tardes no aquário, ilha de edição, contatos profissionais. Mas, como o meu fluxo de trabalhos começou a tomar dimensões medonhas, acabei esquecendo a história. Enquanto eu corria atrás de minhas obrigações, muita coisa acontecia naquele lab de rádio. Não presenciei nada. Só posso contar a história que fiquei sabendo tempos depois (incrementada por detalhes que minha imaginação ingênua forneceu).
Vamos a um breve flashback. Naquele dia memorável, Piauçu viu Rochinha em posição frágil e sentiu por ele uma paixão animalesca. Sequer hesitou. Entrou naquele aquário, fechou a porta isolante de som e começou a esmurrar o rapaz. Os dois rolaram no chão disputando pela vida e por algo mais, que não mencionarei aqui por não saber do que se trata ao certo. Minutos depois já estavam às boas. Sentados no chão, fumavam cigarros de canela e riam. Daí veio a incrível idéia: “Vamos gravar um jingle sobre nós?”, sugeriu Piauçu.
“Sei não... E se descobrirem?”
“Não vão descobrir. Será uma música que só nós entenderemos”
“Bom, nesse caso...”
“Já tenho até um nome: Lover’s song”
“Isso me soa familiar...”
“Lógico que não! Acabei de inventar”
“...”
Fuçando no orkut por esses dias, encontrei uma comunidade chamada “Fish and Little Rock in the Age of Aquarium”. Só havia nela dois membros, Fish e Little Rock. E a descrição dizia:
Aconteça o que acontecer, aconteça o que acontecer
Eu vou te amar até o fim dos meus dias
Achei a comunidade ridícula, mas a estou citando agora, porque, por uma incrível coincidência, ontem vi o Piauçu cantarolando essa música e até arriscando uma dancinha improvisada. Perguntei a ele se também tinha visto a tal comunidade. Ele falou que sim. E que tentara fazer parte, mas o moderador Fish não havia permitido.
“Que pena”, eu disse.
“Tudo bem, não fazia tanta questão mesmo”, ele respondeu e voltou a cantar.
“Ah, Piau, vou precisar editar um material esta semana. Posso passar no lab qualquer dia desses à tarde?”
“Impossível! Tenho milhares de gravações para fazer lá. Todos os dias. Pode esquecer”
“Mas como eu vou fazer o meu trabalho?”
“Ah, se vira. Vai atrás do outro estagiário que o seu professor arranjou”
Êta, mal humor, viu. Mas se ele não pode, paciência, né. Agora eu precisava descobrir quem era o estagiário novo e torcer para que ele fosse mais prestativo. Perguntei ao professor de rádio quem era o rapaz e ele respondeu: “Oras, é o Pégasus! Ele é colega de vocês, nunca o viu aqui no campus?”
“Não... Mas vou entrar em contato, obrigada”
Falei com o Pégasus por e-mail e marquei um horário com ele no lab. Eu esperava por um cavalo alado, mas topei com algo muito melhor: um Alcebíades encarnado. Santo Deus! Será sacrilégio tentar descrevê-lo? Certamente. Então prefiro nem tentar. Mesmo porque não estou em condições de provocar a iria divina.
Voltemos à história. Estava tudo certo para eu editar o meu material com a ajuda de Pégasus, quando Piauçu chega bufando.
“Onde já se viu? Vocês não podem usar o lab no meu horário! Fora todos daqui!”
“Mas...”, Pégasus tentou argumentar.
“Ei, quem é você?”, perguntou Piauçu.
“O novo estagiário”
“Ah... Então pode vir comigo que eu vou te mostrar o funcionamento do meu, quer dizer, do nosso lab”
“E o meu trabalho?”, indaguei já à beira do desespero.
“Volta amanhã que eu vou ver se dá para te encaixar”, respondeu seco Piauçu e entrou no lab com Pégasus.
“Que coisa, viu... Então tá, né... Tenho escolha?”
Voltei no dia seguinte e flagrei algo hediondo: os dois estagiários do lab estavam se esmurrando no chão.
(continua...)
** Não percam no próximo post o desfecho da história. Enquanto isso, votem na nossa enquete!
Comecei, como quem não queria nada, a perguntar sobre eles aqui e acolá. Descobri pouca coisa. Só consegui algumas indicações vagas como: tardes no aquário, ilha de edição, contatos profissionais. Mas, como o meu fluxo de trabalhos começou a tomar dimensões medonhas, acabei esquecendo a história. Enquanto eu corria atrás de minhas obrigações, muita coisa acontecia naquele lab de rádio. Não presenciei nada. Só posso contar a história que fiquei sabendo tempos depois (incrementada por detalhes que minha imaginação ingênua forneceu).
Vamos a um breve flashback. Naquele dia memorável, Piauçu viu Rochinha em posição frágil e sentiu por ele uma paixão animalesca. Sequer hesitou. Entrou naquele aquário, fechou a porta isolante de som e começou a esmurrar o rapaz. Os dois rolaram no chão disputando pela vida e por algo mais, que não mencionarei aqui por não saber do que se trata ao certo. Minutos depois já estavam às boas. Sentados no chão, fumavam cigarros de canela e riam. Daí veio a incrível idéia: “Vamos gravar um jingle sobre nós?”, sugeriu Piauçu.
“Sei não... E se descobrirem?”
“Não vão descobrir. Será uma música que só nós entenderemos”
“Bom, nesse caso...”
“Já tenho até um nome: Lover’s song”
“Isso me soa familiar...”
“Lógico que não! Acabei de inventar”
“...”
Fuçando no orkut por esses dias, encontrei uma comunidade chamada “Fish and Little Rock in the Age of Aquarium”. Só havia nela dois membros, Fish e Little Rock. E a descrição dizia:
Aconteça o que acontecer, aconteça o que acontecer
Eu vou te amar até o fim dos meus dias
Achei a comunidade ridícula, mas a estou citando agora, porque, por uma incrível coincidência, ontem vi o Piauçu cantarolando essa música e até arriscando uma dancinha improvisada. Perguntei a ele se também tinha visto a tal comunidade. Ele falou que sim. E que tentara fazer parte, mas o moderador Fish não havia permitido.
“Que pena”, eu disse.
“Tudo bem, não fazia tanta questão mesmo”, ele respondeu e voltou a cantar.
“Ah, Piau, vou precisar editar um material esta semana. Posso passar no lab qualquer dia desses à tarde?”
“Impossível! Tenho milhares de gravações para fazer lá. Todos os dias. Pode esquecer”
“Mas como eu vou fazer o meu trabalho?”
“Ah, se vira. Vai atrás do outro estagiário que o seu professor arranjou”
Êta, mal humor, viu. Mas se ele não pode, paciência, né. Agora eu precisava descobrir quem era o estagiário novo e torcer para que ele fosse mais prestativo. Perguntei ao professor de rádio quem era o rapaz e ele respondeu: “Oras, é o Pégasus! Ele é colega de vocês, nunca o viu aqui no campus?”
“Não... Mas vou entrar em contato, obrigada”
Falei com o Pégasus por e-mail e marquei um horário com ele no lab. Eu esperava por um cavalo alado, mas topei com algo muito melhor: um Alcebíades encarnado. Santo Deus! Será sacrilégio tentar descrevê-lo? Certamente. Então prefiro nem tentar. Mesmo porque não estou em condições de provocar a iria divina.
Voltemos à história. Estava tudo certo para eu editar o meu material com a ajuda de Pégasus, quando Piauçu chega bufando.
“Onde já se viu? Vocês não podem usar o lab no meu horário! Fora todos daqui!”
“Mas...”, Pégasus tentou argumentar.
“Ei, quem é você?”, perguntou Piauçu.
“O novo estagiário”
“Ah... Então pode vir comigo que eu vou te mostrar o funcionamento do meu, quer dizer, do nosso lab”
“E o meu trabalho?”, indaguei já à beira do desespero.
“Volta amanhã que eu vou ver se dá para te encaixar”, respondeu seco Piauçu e entrou no lab com Pégasus.
“Que coisa, viu... Então tá, né... Tenho escolha?”
Voltei no dia seguinte e flagrei algo hediondo: os dois estagiários do lab estavam se esmurrando no chão.
(continua...)
** Não percam no próximo post o desfecho da história. Enquanto isso, votem na nossa enquete!
eu votei em colocar mais homem na historia
ResponderExcluirdai vc poe o patrao com leite condensado
eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee
As suas dicas não foram boas, Su!
ResponderExcluirEnfim... O conto está melhorando... Triângulo amoroso gay! Se bem que, pelo andamento da enquete a coisa vai terminar com paz e amor entre os três ângulos... Ou não...
asaushausuahsaushushusuhashas
ResponderExcluir=D~~~
ficando mto bom...
já vai acabar no próximo? ;/
*de ressaca*
;P
Você nos enganou! Nós sabíamos quem seria o Pégasus! Safada!
ResponderExcluirPiauçu não perde tempo, né?
ResponderExcluirMó pegador!
Um pouco diferente do da vida real...