Quando/como/por que dizer ‘eu te amo’
Duas observações preliminares:
1) Este é mais um post sobre relacionamentos. Justifico, envergonhada, o porquê: estou estudando coisas tão pesadas e chatas no mestrado que tenho preferido dedicar meu tempo livre a amenidades.
2) O título faz uma proposta ambiciosa demais, provavelmente não conseguirei cumpri-la.
No episódio de How I met your mother dessa semana, chamou-me a atenção um comentário do Ted (protagonista da série) assim: “Crianças, vocês nunca esquecerão a primeira vez ou o lugar em que vocês disserem a uma garota ‘eu te amo’”. Quem assiste a filmes e seriados americanos está familiarizado a esta visão de relacionamentos: ficar, namorar, amar – nesta ordem.
Pelo que observei por aí, a gente aderiu em peso a esse modelo. Eis o modus operandi: conhece uma pessoa atraente, descobre que ela também é gente boa, resolve apostar num namoro. O passo seguinte natural nessa escala seria o amor, certo? Mas a coisa não é tão simples assim. Afinal, alguém tem um método objetivo de identificar quando o afeto comum se transforma em amor? Qual é a diferença entre gostar, amar e ter paixão?
Eu particularmente acho tudo a mesma coisa. (E agora vêm as opiniões polêmicas. Por favor, sejam amenos nas críticas.)
A partir do momento em que você aprecia alguém, inclui-o em sua vida, dedica-lhe pensamentos, sente-se ligado a ele, isso é amor. Inclusive, não creio que haja diferença entre o amor e o contato físico (quando este é reciprocamente bom). Entregar-se a alguém, expondo todos seus defeitos e fraquezas, e ser bem acolhido, isso é a forma de amor mais primitiva, e, me arrisco a dizer, a mais genuína que conhecemos.
O problema não está em amar, mas em dizer que ama. A declaração soa forte demais. Lembremos da clássica lição d’O pequeno príncipe: “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”. Portanto, dizer que ama, nessa linha de pensamento, é transferir explicitamente ao outro a responsabilidade por nossa felicidade. Assustador, não?
Sendo racional, tudo ficaria mais fácil se amássemos sem dizer. Nossas ações seriam autossuficientes, não haveria aquelas longas conversas sobre sentimentos e nem joguinhos de esconde-esconde. Ainda assim, por que as pessoas insistem em valorizar o “eu te amo”?
Insegurança pura!
Muitos podem discordar, como Ted o faria, alegando que, em certos momentos, você simplesmente se sente impelido a dizer o famigerado “eu te amo”. Sem objetivo algum. Só porque não consegue segurar mais as palavras. Balela! Proponho aqui que amemos mais e falemos menos. Não estou pregando a barbárie, e sim a sinceridade. O problema de transformar um fato em narrativa – isto é, transformar o ato de amar em um “eu te amo” – é que você cria um mundo paralelo à realidade, independente dela. A narrativa pode ter o seu correspondente na realidade, pode não ter e nem por isso é mentirosa. A ideia é tirar o amor das palavras, reduzi-lo a uma só esfera, a das ações. Parece tão mais simples e menos sofrido.
Alguém topa o desafio?
1) Este é mais um post sobre relacionamentos. Justifico, envergonhada, o porquê: estou estudando coisas tão pesadas e chatas no mestrado que tenho preferido dedicar meu tempo livre a amenidades.
2) O título faz uma proposta ambiciosa demais, provavelmente não conseguirei cumpri-la.
No episódio de How I met your mother dessa semana, chamou-me a atenção um comentário do Ted (protagonista da série) assim: “Crianças, vocês nunca esquecerão a primeira vez ou o lugar em que vocês disserem a uma garota ‘eu te amo’”. Quem assiste a filmes e seriados americanos está familiarizado a esta visão de relacionamentos: ficar, namorar, amar – nesta ordem.
Pelo que observei por aí, a gente aderiu em peso a esse modelo. Eis o modus operandi: conhece uma pessoa atraente, descobre que ela também é gente boa, resolve apostar num namoro. O passo seguinte natural nessa escala seria o amor, certo? Mas a coisa não é tão simples assim. Afinal, alguém tem um método objetivo de identificar quando o afeto comum se transforma em amor? Qual é a diferença entre gostar, amar e ter paixão?
Eu particularmente acho tudo a mesma coisa. (E agora vêm as opiniões polêmicas. Por favor, sejam amenos nas críticas.)
A partir do momento em que você aprecia alguém, inclui-o em sua vida, dedica-lhe pensamentos, sente-se ligado a ele, isso é amor. Inclusive, não creio que haja diferença entre o amor e o contato físico (quando este é reciprocamente bom). Entregar-se a alguém, expondo todos seus defeitos e fraquezas, e ser bem acolhido, isso é a forma de amor mais primitiva, e, me arrisco a dizer, a mais genuína que conhecemos.
O problema não está em amar, mas em dizer que ama. A declaração soa forte demais. Lembremos da clássica lição d’O pequeno príncipe: “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”. Portanto, dizer que ama, nessa linha de pensamento, é transferir explicitamente ao outro a responsabilidade por nossa felicidade. Assustador, não?
Sendo racional, tudo ficaria mais fácil se amássemos sem dizer. Nossas ações seriam autossuficientes, não haveria aquelas longas conversas sobre sentimentos e nem joguinhos de esconde-esconde. Ainda assim, por que as pessoas insistem em valorizar o “eu te amo”?
Insegurança pura!
Muitos podem discordar, como Ted o faria, alegando que, em certos momentos, você simplesmente se sente impelido a dizer o famigerado “eu te amo”. Sem objetivo algum. Só porque não consegue segurar mais as palavras. Balela! Proponho aqui que amemos mais e falemos menos. Não estou pregando a barbárie, e sim a sinceridade. O problema de transformar um fato em narrativa – isto é, transformar o ato de amar em um “eu te amo” – é que você cria um mundo paralelo à realidade, independente dela. A narrativa pode ter o seu correspondente na realidade, pode não ter e nem por isso é mentirosa. A ideia é tirar o amor das palavras, reduzi-lo a uma só esfera, a das ações. Parece tão mais simples e menos sofrido.
Alguém topa o desafio?
Só parece simples, mas não é. Afinal, atos de amor são ainda mais subjetivos do que palavras de amor.
ResponderExcluirQuando se gosta MUITO de alguem nao deve dar pra segurar o Eu te Amo. Se der, nao deve ser aquilo que as pessoas conhecem por amor (aquela coisa que nao da pra controlar e faz a gente dizer besteiras). Quanto mais velho a gente fica, as chances de se dizer isto ficam mais remotas. Hoje eu penso como voce mas adorava quando pensava diferente. Agora, realmente, dizer isto de forma consciente e' pior ainda.
ResponderExcluirSP