Saudades não sei de que
Às vezes, tenho saudades sem saber exatamente do quê. Fico em dúvida se é de algum desses domingos de sol em que nada especial aconteceu, mas que me fizeram sentir em paz. Ou de um passeio noturno com os pais para comprar o presente de Natal. Ou de um primeiro dia de aula. Ou de um amor da quarta série. Ou de um livro cujo título foi esquecido. Ou da melhor amiga que não vejo há sete anos. Ou do franguinho frito na época em que não se falava em gordura trans ou IMC. Ou das férias na casa da avó que mora no sítio até hoje. Ou de me apaixonar por uma música na primeira escutada. Ou das manhãs de desenho animado e Choco Kripis. Ou das madrugadas (antigamente onze horas, meia noite era madrugada) assistindo ao Palmeiras na Libertadores, vibrando quietinha os gols para não acordar a família. Ou de uma loja de roupas descoladas que não existe mais. Ou das 14 horas de sábado na época na Internet discada. Ou de balançar na rede enquanto o pé toca no ladrilho gelado. Ou do cheiro de bolo no forno quando chegava da aula à tarde. Ou de assistir a Casos de Família com a minha mãe, e rir muito. Ou da semana que antecede as férias. Ou daquela camiseta do Piupiu que eu usei praticamente todos os 365 dias em que tive dez anos de idade e que minha mãe jogou fora. Ou dos Karas. Ou daquela professora boazinha. Ou das brigas que acabavam até o final do dia. Ou das joaninhas no verão. Ou das camélias no inverno. Ou da grama o ano inteiro. Ou de andar de bicicleta só por diversão. Ou de não saber que as coisas custam dinheiro. Ou do meu primeiro cachorro de estimação. Ou de passar horas desenhando. Ou de me sentir tão imperfeita, tão errada. Ou daqueles dias em que não precisava fazer nada e tampouco me sentia culpada pela improdutividade.
Na verdade, acho que essas saudades indefinidas são de algo que não existiu. Dos sonhos e projetos antigos. De tudo aquilo que era potencialmente bom, mas que não chegou a se concretizar. Dá saudades de ser otimista, de deixar tudo na mão do futuro, sabendo que eventualmente o final feliz vai chegar.
Na verdade, acho que essas saudades indefinidas são de algo que não existiu. Dos sonhos e projetos antigos. De tudo aquilo que era potencialmente bom, mas que não chegou a se concretizar. Dá saudades de ser otimista, de deixar tudo na mão do futuro, sabendo que eventualmente o final feliz vai chegar.
eu ja larguei mao da gel
ResponderExcluirSaudades do que não existiu são as mais chatas, pq sempre voltam.
ResponderExcluirQuanto mais a gente fica velho, menos tempo tem pra chegar no final feliz. E se dá conta que está chegando o final. Ponto.
Escuta... Vai atualizar quando?
ResponderExcluir“Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!” (Fernando Pessoa - Livro do Desassossego)
ResponderExcluirSaudades dos seus posts! De verdade.
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