Pelo fim do preconceito com “Somewhere”


“Um lugar qualquer” (Somewhere) é o novo filme de Sofia Coppola, que estreou ontem no Brasil. Apesar de não ser grande fã da diretora, estava curiosa para ver o que ela havia aprontado desta vez, dado o seu currículo de produções originais e cuidadosas. De apenas uma coisa tinha certeza: não se trataria de um blockbuster – “então o que seria?”, eu me perguntava. Convidei algumas pessoas para me acompanhar, mas ninguém se animou a ir (ainda que o ingresso custasse apenas R$ 3), alegando que seria chato.

Não há muito que dizer contra esse comentário. De fato, Sofia traz como constante em seus filmes retratos da solidão, do tédio e da incomunicabilidade entre as pessoas. O seu ritmo é um pouco diferente do hollywoodiano e mais próximo do europeu, com cenas longas, poucos diálogos, quase nenhuma ação. Ela praticamente reduz o movimento (representado no cinema por 24 fotografias por segundo) de volta à imagem estática.

Tudo o que eu disse até agora talvez só confirme a corrente do “é chato”. Mas insisto: não tenham preconceito. A história, não chega a ser entediante, nem um pouco (leia uma sinopse aqui) – e tem o plus de ser filmado de uma forma muito bonita, cuidadosa (já usei esse adjetivo, mas é o que melhor caracteriza a direção de Sofia Coppola, por isso, vale repetir). A única grande diferença que sentimos em relação aos demais dramas, na verdade, é o ritmo narrativo.

Quando você assiste a um típico filme de entretenimento, encontra este esquema: trinta minutos para a apresentação das personagens principais, trinta minutos para a construção do conflito, que vai culminar em um clímax (ou nó, quando tudo está tremendamente ferrado, aparentemente sem solução), e trinta minutos para aparecer um auxílio inesperado que vai levar a situação ao happy end.

O tempo no filme de Sofia é mais parecido com o da realidade, sem essa marcação fixa. E isso, para mim, faz todo o sentido. Nós bem sabemos que, em geral, os conflitos não se revelam tão explicitamente, eles costumam ser pequenos e latentes, duram semanas, anos, uma vida.

Ontem na sessão, houve uma cena, a da piscina (imagem abaixo), em que eu fiquei confusa. “Era só isso?”, perguntei-me, sem saber se aquele era o final da trama. Cheguei a consultar o relógio para ver se já tinham se passado os 97 minutos. Mas vi que restavam uns 20 pela frente. Confesso que fiquei aliviada, pois sentia falta do clímax – ele não precisa ser bem marcado, mas tem que existir, né! O nó apareceu praticamente junto do desfecho. (Não vou contar o que é, já que o propósito deste post é convencer vocês a ir assistir ao filme.)



Muita gente criticou o final, chamou-o de ingênuo. Eu prefiro pensar nele como otimista. Não é porque o filme é “de arte” (classificação que odeio, aliás) que ele precisa acabar mal. Afinal, em alguns momentos da vida a gente consegue, sim, criar forças para tomar uma decisão difícil. Claro que muito raramente isso vai resultar em casamento dos sonhos e punição dos inimigos, como no caso dos blockbusters, mas pode ser uma tomada de consciência, uma tentativa de mudança.

Um último comentário, que na verdade é uma dúvida: como Elle Fanning, até agora, passou tão apagada em relação à sua irmã (Dakota)?

Comentários

  1. só gosto de blockbuster .__.

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  2. E foi foda ir sozinha no cinema, ou de boa?

    HEIN?

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  3. Eu não disse que fui ao cinema sozinha, apenas que os amigos que eu convidei não aceitaram... Que pessoas mais sensíveis, viu...

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