Conversa de cozinha

(7h30) Café da manhã: Por que comprar jornal
(Argumentos em tópico devido ao desgaste mental causado por monografia + trainee + iniciação científica.)

1) O jornal é o veículo mais antigo e mais tradicional do jornalismo. Em 24h ele é produzido, impresso, distribuído, lido e usado para limpar o xixi do filhote de cachorro. Completar esse ciclo diariamente é fazer uma ode à essência da profissão – apressada, imperfeita, mas ainda confiável.

2) Ler jornal nos faz sentir participantes de algo maior do que nossas vidinhas. Domingo, então, é uma bênção; essa prática nos salva da programação ruim da TV e da modorra geral do dia.

3) Uma vantagem da queda de tiragem que os jornais do mundo todo vêm sofrendo é que eles estão repensando seu conteúdo. Felizmente começam a desistir de competir com os meios eletrônicos. Não queremos saber que o avião caiu – isso já sabemos desde a véspera – mas se houve negligência de alguém, qual era a história das pessoas que morreram e o que será feito para melhorar a segurança do transporte aéreo.

4) Há muitas pessoas inteligentes escrevendo em blogs, mas não conheço nenhum site que reúne em um único espaço feras como Elio Gaspari, Ferreira Gullar, Clóvis Rossi, Marcelo Coelho, Marcelo Leite e Mônica Bergamo. Uma única edição da Folha me dá tudo isso.

5) Outra coisa que a internet tenta fazer, mas ainda não o tem com qualidade é um espaço para exposição de opiniões – um único lugar que reúna textos bem construídos e com pluralidade de pontos de vista. Existem os fóruns, onde qualquer um é livre para opinar, mas, sem mediação, muitas vezes a discussão acaba supérflua, isso quando não cai na baixaria. Sejamos sinceros, alguém já viu um tópico do orkut onde todos participassem acrescentando algo relevante?

6) Portabilidade é uma das palavras que mais ouço em propaganda de telefonia 3G. Só que eu não conheço ninguém que tenha condições de pagar por esses serviços. Agora, quer coisa mais prática do que pegar o jornal, dobrar em quatro, colocar debaixo do braço e ir para o trabalho? Isso sim é a portabilidade que eu vejo se concretizar no dia a dia.

7) Todas as vantagens que eu listei acima poderiam cair por terra diante do comentário “eu leio o jornal pela internet de graça, não preciso comprá-lo” ou “acompanho os portais de notícia”. Meu pai, por exemplo, ficou maravilhado quando descobriu esses dias atrás que a Gazeta do Povo inteira estava no site. “Nunca mais vou precisar gastar um centavo com jornal”, ele disse.
A campanha publicitária mais recente da Folha de S. Paulo responde por mim: quando você assina o jornal, você está contribuindo para que o jornal seja independente. A lógica é bem simples. Um jornal que vende bastante atrai mais anunciantes e pode investir mais no conteúdo. Ao mesmo tempo, pode se dar ao luxo de recusar anunciantes que insistam em palpitar em sua política editorial. Os R$2,50 que você paga na banquinha não custeiam apenas o papel e a tinta, mas toda uma estrutura jornalística. Nos sites de notícia da internet, ainda se têm poucas matérias originais, quase tudo é reproduzido de fontes oficiais ou copiado descaradamente de jornais e revistas. É o jornalista da mídia impressa que investiga e traz a sujeira alheia à tona. É ele que analisa o que os sites contaram em dois ou três parágrafos e a TV em dois minutos. Ou você acha que o jornalista de um site pode tirar mais de um dia para se dedicar a uma matéria? Por isso discordo veemente com Paul Starr quando ele diz que os jornais em breve vão acabar. Se um dia isso acontecer, acabou o bom jornalismo, porque restarão apenas os press releases. Que grande evolução, hein?

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(16h) Café da tarde: Brownie
Segue abaixo uma receita que eu peguei no site da Nestlé (fantástico!) e fiz nesta tarde. Muito fácil e não custa tanto.

Brownie de Nescau
Para estudantes sem renda que não podem pagar por chocolate do padre e cuja fome não permite esperar muito. A receita custa menos de dez reais e fica pronta em 50 minutos (contando preparo e cozimento).

I) Ingredientes
200 g de manteiga (sempre uso a margarina própria para culinária, que já vem divida em tabletes de 100g tornando a medida mais precisa)
1 xícara (chá) de Nescau (pode ser qualquer um, no meu caso, usei o light)
1 xícara e meia (chá) de açúcar (cristal é melhor)
4 ovos
1 xícara e meia (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de noz picada (substituí por castanha de caju, que estava bem mais barata no mercado)
manteiga para untar
farinha de trigo para polvilhar

II) Modo de preparo
Derreta a manteiga em uma panela e dissolva o Nescau. Reserve. Bata levemente os ovos com um garfo, acrescente o açúcar e misture bem. Acrescente o creme reservado, a farinha peneirada e as nozes picadas, incorporando tudo muito bem. Despeje a massa em uma fôrma retangular (24 x 35 cm) untada e enfarinhada e leve ao forno médio (180ºC) preaquecido, por aproximadamente 25 minutos (no meu forno precisei deixar 35 minutos, por isso, confira se está cozido antes de desligar o fogo). Deixe esfriar e então corte-o em quadradinhos.

Obs: Proibido para quem está de regime. Se cortar em 35 quadradinhos, cada um tem em média 100 kcal.

Comentários

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  2. Parece gostoso (não o jornal, o brownie)...

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  3. Por que comprar ou não, jornal:

    1) Não importa que ele seja o veículo mais antigo e tradicional. Quem gosta de velharia é antiquário e gerontólogo. Mas admito que ele é muito bom pra forrar o chão quando se pinta ou pra limpar a caca.

    2) Qualquer atividade que vc compartilhe, diretamente ou não com outros, faz vc sentir maior do que a vidinha. Pra alguns, ver TV... E as pessoas são idiotas, portanto, elas gostam.

    3) Ou eles repensam mesmo, ou então morrem. Adaptação. Evolução.

    4) É a vantagem da Internet: não precisa todo mundo escrever num mesmo espaço. Basta vc ter uma conta no Google Reader. E não precisa pagar por um espaço que não vai ler, caso não goste de algum deles.

    5) E jornais impressos têm? Fora as opiniões dos colunistas, cronistas na verdade, jornal tb não espaço pra expôr opinião. E não me diga que vc está falando do 'espaço dos leitores' que existem em alguns, aquilo é irrelevante ao extremo. A Internet tem espaço sim de opiniões de qualidade, mas não é mastigado tudo num único lugar. E vc, como leitor, vai ter responsabilidade no que ler ou não. Vai ter que filtrar, vai ter que usar essa massa cinzenta que não é cinza. No jornal, vc é meio que tratado como boiada.

    6) Olha, pelo preço de banda larga convencional vc tem um 3G de igual qualidade, por aqui. Claro que a geografia te restringe, mas por outro lado, se o jornal acabar, acabou. Pelo 3G, vc não vai acabar a Internet.

    7) Até concordo com o ponto de vista, mas não vai dar certo. Pessoas são: 1. burras, 2. mesquinhas. Pra elas, não importa se a longo prazo o que elas fazem vão matar tudo. Se for mais vantajoso, vai ser desse jeito. Sorry, o estado atual do planeta concorda comigo.

    E evolução nem sempre é pra melhor. Evolução é mudança, pra tentar sobreviver. E lembre que coisas "nojentas" como microorganismos vão sobreviver e a gente vai embora.

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  4. Bah, não liga não, estou numa fase 'House' de ser. E portanto, todo mundo é idiota.

    E quando diz-se todo mundo, não se exclui o autor da frase.

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  5. Portabilidade se refere a possibilidade de se trocar de operadora de telefonia celular enquanto se mantém o mesmo número. Não tem nada a ver com 3G.

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  6. Mas no texto ela se refere a portabilidade no sentido original da palavra, ou seja, de ser portável, de poder levar pra qquer canto.

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  7. É, portabilidade no sentido de vc carregar a informação consigo. Mencionei a telefonia 3G por causa da conexão rápida que permite baixar documentos em diversas mídias no celular.

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  8. Portabilidade e portaTIbilidade são duas coisas diferentes. Eu entendi a idéia, só apontei o uso do termo errado.

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  9. Existe portatibilidade no dicionário?

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  10. Hm, não. Falei besteira.

    De qualquer forma, o que eu pesquisei indica "portabilidade" aparentemente como um termo mais aceito, embora eu também tenha encontrado instância do uso de "portatibilidade", mas com ênfase nesta questão de transferir características de um aparelho eletrônico para outro. E nos demais que olhei o verbete sequer existe (muito menos portatibilidade). Enfim, sempre que você vê "portabilidade" num comercial de celular ele se refere a transferência de número entre operadoras, não se um celular é portátil, por que isso já é por definição. E com certeza este termo nunca é empregado no contexto de conexão 3G.

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  11. Uhu! Adoro discussões conceituais.
    Bem, eu uso esse termo pq fiz uma disciplina de Comunicação e Tecnologia na qual o professor dava este uso a "portabilidade", de você poder carregar algo consigo - poderia ser o seu número de celular mas também informações. Tipo, eu carrego sempre comigo um pen drive com os meus arquivos mais importantes. Quer exemplo melhor de portabilidade?
    No caso do celular, se vc tem um fodão com conexão de banda larga, vc tem acesso a qualquer arquivo que possa ser baixado da web e tb aqueles que vc já deixa salvo no aparelho. Isso de ter esses dados sempre consigo é o que considero portabilidade. Se bem que poderia ser tb acessibilidade. Vc ter a possibilidade de acessá-las a qlqr hora e de qlqr lugar. Mas daí o jornal perde a disputa feio.

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  12. Internet serious business

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  13. u gaiz don understdn my genious.

    aha, gostei muito desse post sussu. nao sou estudiosa da area nem nada, só gosto de xeretar, mas sempre fico pensando se com toda essa movimentaçao de informaçoes na internet, a mídia impressa ficaria mais crível (taí outro motivo de ler jornal impresso -isso se essa teoria se provasse verdadeira, né). acho legais essa discussoes!

    ah sim, e adorei sua receita. vc está aumentando meu leque de receitas com chocolate sem chocolate (?). lalala

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