Séries não tão pop – parte I
Nunca imaginei que um dia eu escreveria um post sobre séries, porque, na minha cabeça, havia um grande preconceito contra fãs de séries. Por que centenas de pessoas ficariam horas online esperando a liberação da próxima temporada de uma série? Mas tudo mudou quando nesses dias resolvi locar a segunda temporada de “The Office”. Vi-me tão ansiosa em a assistir toda de uma vez que precisei reconsiderar esse meu julgamento. E então fui puxando a memória e percebi que não há como ter uma infância e uma adolescência feliz sem qualquer vestígio de séries americanas. Não estou dizendo que elas são necessárias para sermos felizes, só que é perfeitamente comum convivermos com elas e termos bons momentos.
Eu era uma inimiga declarada de séries. Afinal, nunca tive TV a cabo e a Internet ADSL, que adquiri há menos de dois anos, me trouxe como único avanço poder consultar meus e-mails na hora em que eu quiser – antes precisava esperar até meia noite para conectar. Só que nem assim eu estava totalmente separada desse universo. Quando criança, vi todos os episódios de “A Família Dinossauro” transmitidos pela Globo. Também acompanhava “The Simpsons” e “Chavez”, que não é americana, mas é extremamente pop – hoje poderia até dizer “cult”. Esporadicamente também via “Buffy” e “Um maluco no pedaço”. Não achava esta tão engraçada, mas por algum motivo simpatizo com Will Smith e sempre acabo assistindo aos trabalhos dele. Já na faculdade, sempre que eu ligava no SBT e estava passando alguma série, eu via. Foi assim que conheci “Friends” (já tinha até acabado nos EUA), “Arquivo morto”, “Eu, a patroa e as crianças” (assisto até hoje, mesmo estando o SBT reprisando pela milésima vez), “As visões de Raven” (essa é muito chata, mas já me roubou várias horas de vida, sabe como é, pouca força de vontade para desligar a TV) e “A vidente” (essa um dia sumiu de repente).
Apesar dessa aparente “vasta” experiência com séries, não se deixe enganar. Eu nunca procurei acompanhar nada, elas é que iam surgindo no meu dia-a-dia. Para você ter noção, fui assistir a “Sex and the City” no cinema com algumas amigas sem nunca ter visto sequer a um episódio. Achei o filme engraçado, um dia, quem sabe, eu loco a primeira temporada. Lembrando disso, descobri uma vantagem em estar minimamente informada sobre as séries mais pop: você saberá o porquê de suas amigas te acharem parecida com a Miranda e poderá discordar dizendo que é muito mais a Samantha. Assim você terá seu direito de resposta e ainda passará por espertinha.
A partir de 2006, tomei contato com uma revolução nas séries que chegavam ao Brasil. Foi quando soube que havia uma parcela mais “inteligente” nesse nicho. Me apresentaram, então, a “House” e “Dexter”, que têm um pouco de humor negro e o roteiro é mais bem elaborado. Deixei meu preconceito de lado e assisti a alguns episódios. Sabe que eu gostei? Estava até pronta para virar fã. Entretanto, depois de um tempo, os capítulos ficaram muito repetitivos, daí comecei a perder o interesse. Além disso, vi que essas séries mais elaboradas eram o que mais estavam em alta naquele momento. Saber que algo está na moda realmente me tira o interesse. Foi o fim dessas duas séries para mim. Por onde elas estarão agora? Imagino que bem prósperas, porque na locadora havia uma porção de temporadas delas.
Nesse mesmo ano, li na Folha Ilustrada que a Band havia comprado “The Office”. Nunca ouvira falar, mas como o jornal falava muito bem dessa série – confesso que tenho grande respeito pelos colunistas desse jornal –, resolvi assisti ao primeiro episódio. Foi bem curtinho, durou menos de meia hora. Quando acabou, precisei pensar um pouco para decidir se era muito legal ou se era simplesmente estranho. Eu não estava acostumada com aquele tipo de humor, nunca vira nada igual, por isso precisei usar meu cérebro para fazer um julgamento. E esse é o primeiro ponto positivo. O grande sucesso das séries costuma ser o seu humor fácil (às vezes é a ação que toma o destaque, mas o humor é sempre onipresente), aquele negócio de personagens-tipos e frases de efeito. “The Office” não tem “hot people”, nem efeitos especiais, nem luxo, nem magia, nem mistério, nem violência. A fórmula é bem simples e barata – talvez por isso ninguém pensou nisso antes –: traz histórias ambientadas em um lugar completamente banal, um escritório, mas pitorescas e surpreendentes.
Infelizmente, a audiência da primeira temporada, que tem apenas seis episódios, foi muito baixa, e a Band não comprou ou não quis transmitir a segunda. Não entendo porque não houve sucesso. Deve ser falta de divulgação. É, vai ver foi isso, porque eu pergunto a amigos se eles já viram essa série e ainda não recebi nenhuma resposta afirmativa.
A fim de conquistar novos fãs para “The Office” e assim ter com que conversar a respeito, farei uma resenha a seguir.
Mas antes uma ressalva. Devo admitir que continuo não entendendo como há pessoas que podem gostar de “Lost”. Eu até tentei acompanhar, mas, meu Deus, é muito estúpido! Daí vêm aqueles nerds dizendo que há uma porção de referências à filosofia e sei lá mais o que... Mas ainda assim ninguém lá tem uma atuação convincente e o roteiro é tão chato! Também tenho uma posição semelhante a “Smallville”, “Gray’s Anatomy”, “OC”, “Gilmore Girl”, “CSI”, “24 Horas”, “Heroes”, “Gossip Girls” e todas essas séries mais pops. Uma que é emblemática para mim é “Dawnson’s Creek”. Tinha todos os elementos para ser um sucesso: adolescentes de boa aparência, conflitos amorosos de todo tipo, reviravoltas... Mas eu simplesmente odiava. Era só ligar na Globo e ver que estava passando, me dava uma raiva inexplicável!
**
The Office

A versão que eu acompanho é americana, mas é uma adaptação da série inglesa criada em 2001 e exibida pela BBC. Por curiosidade, dei uma olhada na original e, se quiserem um conselho, vão direto para o remake, que é muito mais engraçado.
O que mais chama a atenção a princípio é a forma de narrativa. O modelo empregado se chama mockumentary, isto é, um documentário fictício. A ideia é bem simples. Uma equipe que está fazendo um documentário sobre o dia-a-dia no escritório de uma empresa. A impressão passada é de que não existe um roteiro, as câmeras vão pegando o que for surgindo no momento. Espontaneidade é a ordem. Em vez de termos uma visão distante e objetiva dos acontecimentos, sabemos o tempo todo que existe um cameraman e um entrevistador ali presentes no escritório. Eles estão flagrando os acontecimentos “ao vivo”, isto é, nada foi ensaiado, os fatos vão se desenrolando de forma imprevista. A câmera pode tremer e virar bruscamente, às vezes até está escondida atrás de uma cortina persiana – deve ser uma equipe de jornalistas, porque muitas vezes eles filmam mais do que a ética permitiria. Mas o interessante é que essa naturalidade ora é visivelmente contida, já que as pessoas na frente das câmeras tentam passar uma boa imagem, ora é escancarada, pois os funcionários da empresa não conseguem disfarçar suas reações o tempo todo – logo explicitarei o porquê. Isso sem contar os impagáveis momentos em que, no meio de uma conversa, uma das pessoas olha para a câmera, como se fosse um confidente e faz uma cara de desprezo ou de tédio pelas costas de seu interlocutor. Essa filmagem mais espontânea é intercalada com depoimentos dos personagens. Esses falam reservadamente, como se estivessem em uma espécie de confessionário, e é nessas horas que se sentem mais a vontade para contar o que realmente sentiram ou pensaram em dado momento.
O escritório em questão é a regional de Scranton da empresa revendedora de papéis Dunder Mufflin. Quase toda a ação se passa lá dentro, como se fosse um universo fechado ao qual os funcionários estão presos – só às vezes os lugares variam um pouco: depósito, matriz, estacionamento e algum restaurante. Esse fato é bem importante, porque ele influencia no comportamento de todos os personagens. O gerente regional é Michael Scott (mais detalhes nos perfis abaixo), que inferniza seus empregados não por ser intransigente mas por querer ser amigo demais deles. Há o departamento de vendas, de contabilidade, de controle de qualidade, o RH, a recepção, a matriz e o depósito. Em suas funções, os personagens se relacionam não só profissionalmente – mesmo porque o que eles menos fazem é trabalhar – mas também pessoalmente, unidos para vencer o tédio e sobreviver às brincadeiras sem graça do chefe. Ao longo da série, as rivalidades e os envolvimentos amorosos vão surgindo. Como observei anteriormente, o ambiente de trabalho é tudo para os personagens, parece que eles não conhecem mais ninguém fora desse meio e nem têm perspectivas de saírem dele, por isso, precisam tentar desenvolver uma vida pessoal lá mesmo.
Qual é o conflito dessa história? Como não há nenhum vilã declarado, os problemas são os que vão surgindo no cotidiano: atritos de convivência entre colegas, idéias malucas do chefe, realização de eventos festivos, cortes no quadro de funcionários etc.
Seguem os perfis dos quatro personagens principais. Isso é só uma amostra, porque mesmo os secundários têm sua complexidade e são muito engraçados.

Michael Scott
Gerente regional da Dunder Mufflin, cerca de 40 anos, solteiro. Faz piadas o tempo todo (“That’s what she said!”) e, assim, causa mais constrangimentos do que riso. Sua principal característica é acreditar que a empresa é sua vida e todos seus funcionários são seus amigos próximos – o problema é que ninguém gosta dele de verdade, exceto Dwigth, que é um amigo que o próprio Michael dispensa. Isso gera situações como: quer discutir a vida pessoal dos funcionários em grupo e no horário de trabalho, não sabe delegar tarefas e nem fazer cortes quando a matriz exige, inventa um milhão de confraternizações, precisa de atenção e mimos dos funcionários quando se sente triste e por aí vai.

Dwight Schrute
Trabalha com vendas, é puxa-saco do gerente (Michael lhe inventou o cargo de Assistente do Gerente Regional, que não significa absolutamente nada), cerca de 40 anos, solteiro, nerd convicto, xerife voluntário, faixa preta em karatê. Tem grande adoração por Michael, porque este é seu chefe e, por ser um homem íntegro, Dwight deve seguir seu líder até a morte. Antes de entender esse motivo, imaginei que eles eram gays. Mas não, Michael só se aproveita de seu funcionário, porque é o único que está sempre à sua disposição. Ele é muito excêntrico e, sendo totalmente inflexível em seu comportamento, torna-se um grande chato. Não consigo descrevê-lo bem. Ele não se compara a nada que eu já tenha visto antes, só assistindo à série mesmo... (Por favor, se conseguirem pensar em algum adjetivo-chave para o Dwight, me digam.)

Jim Halpert
Trabalha com vendas, cerca de 30 anos, solteiro tem bom senso de humor e é o único no escritório que não tem jeito de fracassado ou de esquisito. Ele sabe que não tem futuro na Dunder Mufflin e que em outras empresas poderia ter uma carreira de verdade, mas algo o prende lá: Pam. A recepcionista, seu amor platônico, topa sempre ajudá-lo a avacalhar Dwight e Michael. Juntos, eles tornam o escritório um lugar mais divertido. No começo, achava-os infantis, mas agora creio são justamente os mais maduros, pois são os únicos que estão conscientes de que é preciso tirar algum prazer da vida, mesmo que esta esteja condicionada ao escritório. Uma característica de Jim que sempre me surpreende é sua humanidade. Mesmo que ele faça todo o possível para tirar sarro de Dwight e Michael, sempre faz algo por eles quando estão na pior. Um exemplo: cantar no karaokê um dueto com o chefe após esse ter ido de bicão a uma festa na casa de Jim e ser recebido com frieza pelos demais convidados. Por que faz isso? Ele mesmo não entende tamanho sacrifício.

Pam Beesley
Recepcionista, cerca de 30 anos, gosta de desenhar, mas não espera um dia trabalhar com isso, bonita e doce, está noiva. É visível que ela também tem uma queda por Jim, mas prefere acreditar que são só amigos se divertindo. Apesar de esperta e viva, ela é uma pessoa acomodada, aceita passar toda a vida em seu trabalho tedioso e se casar com um cara muito grosso. Maior qualidade: a expressão de “que merda de vida” diante do comportamento de Michael – é um modo silencioso de mostrar para o equipe do documentário que ela sabe que seu chefe é um idiota, mas que lhe faz o favor de fingir o contrário. Tentei pegar uma foto que reproduzisse isso.
Não vou falar mais para não dar spoilers. Vejam por si próprios!
Segue o vídeo de abertura, que eu amo!
Obs: Esse arquivo é bem ruim, porque o autor faz uma baita salada, mas assista só aos 30 primeiros segundos, que mostram a abertura da série, que é muito boa. A música é ótima. Tive que pôr esse vídeo inteiro, porque não achei um único arquivo no youtube que tivesse só a abertura original. Achei, isso sim, várias outras versões, mas uma pior do que a outra.
Uma amostra do estilo da série:
Episódio 1 da primeira temporada: Pilot
Para ver outros clipes de uma fonte segura e sem precisar baixar:
http://www.nbc.com/The_Office/video/
**
Ah, esse post é “parte I”, porque um dia num futuro não muito distante quero falar de “My name’s Earl”.
**
A Fada do Siso
(Dando-lhe uma barra de chocolate e um abraço amigo na sua semana de TPM.)
Veja “The Office”. Se gostou da primeira temporada, que é bem curtinha, veja a segunda, que é hilariante e traz várias novidade... Mas não vou contar, vejam!
Eu era uma inimiga declarada de séries. Afinal, nunca tive TV a cabo e a Internet ADSL, que adquiri há menos de dois anos, me trouxe como único avanço poder consultar meus e-mails na hora em que eu quiser – antes precisava esperar até meia noite para conectar. Só que nem assim eu estava totalmente separada desse universo. Quando criança, vi todos os episódios de “A Família Dinossauro” transmitidos pela Globo. Também acompanhava “The Simpsons” e “Chavez”, que não é americana, mas é extremamente pop – hoje poderia até dizer “cult”. Esporadicamente também via “Buffy” e “Um maluco no pedaço”. Não achava esta tão engraçada, mas por algum motivo simpatizo com Will Smith e sempre acabo assistindo aos trabalhos dele. Já na faculdade, sempre que eu ligava no SBT e estava passando alguma série, eu via. Foi assim que conheci “Friends” (já tinha até acabado nos EUA), “Arquivo morto”, “Eu, a patroa e as crianças” (assisto até hoje, mesmo estando o SBT reprisando pela milésima vez), “As visões de Raven” (essa é muito chata, mas já me roubou várias horas de vida, sabe como é, pouca força de vontade para desligar a TV) e “A vidente” (essa um dia sumiu de repente).
Apesar dessa aparente “vasta” experiência com séries, não se deixe enganar. Eu nunca procurei acompanhar nada, elas é que iam surgindo no meu dia-a-dia. Para você ter noção, fui assistir a “Sex and the City” no cinema com algumas amigas sem nunca ter visto sequer a um episódio. Achei o filme engraçado, um dia, quem sabe, eu loco a primeira temporada. Lembrando disso, descobri uma vantagem em estar minimamente informada sobre as séries mais pop: você saberá o porquê de suas amigas te acharem parecida com a Miranda e poderá discordar dizendo que é muito mais a Samantha. Assim você terá seu direito de resposta e ainda passará por espertinha.
A partir de 2006, tomei contato com uma revolução nas séries que chegavam ao Brasil. Foi quando soube que havia uma parcela mais “inteligente” nesse nicho. Me apresentaram, então, a “House” e “Dexter”, que têm um pouco de humor negro e o roteiro é mais bem elaborado. Deixei meu preconceito de lado e assisti a alguns episódios. Sabe que eu gostei? Estava até pronta para virar fã. Entretanto, depois de um tempo, os capítulos ficaram muito repetitivos, daí comecei a perder o interesse. Além disso, vi que essas séries mais elaboradas eram o que mais estavam em alta naquele momento. Saber que algo está na moda realmente me tira o interesse. Foi o fim dessas duas séries para mim. Por onde elas estarão agora? Imagino que bem prósperas, porque na locadora havia uma porção de temporadas delas.
Nesse mesmo ano, li na Folha Ilustrada que a Band havia comprado “The Office”. Nunca ouvira falar, mas como o jornal falava muito bem dessa série – confesso que tenho grande respeito pelos colunistas desse jornal –, resolvi assisti ao primeiro episódio. Foi bem curtinho, durou menos de meia hora. Quando acabou, precisei pensar um pouco para decidir se era muito legal ou se era simplesmente estranho. Eu não estava acostumada com aquele tipo de humor, nunca vira nada igual, por isso precisei usar meu cérebro para fazer um julgamento. E esse é o primeiro ponto positivo. O grande sucesso das séries costuma ser o seu humor fácil (às vezes é a ação que toma o destaque, mas o humor é sempre onipresente), aquele negócio de personagens-tipos e frases de efeito. “The Office” não tem “hot people”, nem efeitos especiais, nem luxo, nem magia, nem mistério, nem violência. A fórmula é bem simples e barata – talvez por isso ninguém pensou nisso antes –: traz histórias ambientadas em um lugar completamente banal, um escritório, mas pitorescas e surpreendentes.
Infelizmente, a audiência da primeira temporada, que tem apenas seis episódios, foi muito baixa, e a Band não comprou ou não quis transmitir a segunda. Não entendo porque não houve sucesso. Deve ser falta de divulgação. É, vai ver foi isso, porque eu pergunto a amigos se eles já viram essa série e ainda não recebi nenhuma resposta afirmativa.
A fim de conquistar novos fãs para “The Office” e assim ter com que conversar a respeito, farei uma resenha a seguir.
Mas antes uma ressalva. Devo admitir que continuo não entendendo como há pessoas que podem gostar de “Lost”. Eu até tentei acompanhar, mas, meu Deus, é muito estúpido! Daí vêm aqueles nerds dizendo que há uma porção de referências à filosofia e sei lá mais o que... Mas ainda assim ninguém lá tem uma atuação convincente e o roteiro é tão chato! Também tenho uma posição semelhante a “Smallville”, “Gray’s Anatomy”, “OC”, “Gilmore Girl”, “CSI”, “24 Horas”, “Heroes”, “Gossip Girls” e todas essas séries mais pops. Uma que é emblemática para mim é “Dawnson’s Creek”. Tinha todos os elementos para ser um sucesso: adolescentes de boa aparência, conflitos amorosos de todo tipo, reviravoltas... Mas eu simplesmente odiava. Era só ligar na Globo e ver que estava passando, me dava uma raiva inexplicável!
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The Office

A versão que eu acompanho é americana, mas é uma adaptação da série inglesa criada em 2001 e exibida pela BBC. Por curiosidade, dei uma olhada na original e, se quiserem um conselho, vão direto para o remake, que é muito mais engraçado.
O que mais chama a atenção a princípio é a forma de narrativa. O modelo empregado se chama mockumentary, isto é, um documentário fictício. A ideia é bem simples. Uma equipe que está fazendo um documentário sobre o dia-a-dia no escritório de uma empresa. A impressão passada é de que não existe um roteiro, as câmeras vão pegando o que for surgindo no momento. Espontaneidade é a ordem. Em vez de termos uma visão distante e objetiva dos acontecimentos, sabemos o tempo todo que existe um cameraman e um entrevistador ali presentes no escritório. Eles estão flagrando os acontecimentos “ao vivo”, isto é, nada foi ensaiado, os fatos vão se desenrolando de forma imprevista. A câmera pode tremer e virar bruscamente, às vezes até está escondida atrás de uma cortina persiana – deve ser uma equipe de jornalistas, porque muitas vezes eles filmam mais do que a ética permitiria. Mas o interessante é que essa naturalidade ora é visivelmente contida, já que as pessoas na frente das câmeras tentam passar uma boa imagem, ora é escancarada, pois os funcionários da empresa não conseguem disfarçar suas reações o tempo todo – logo explicitarei o porquê. Isso sem contar os impagáveis momentos em que, no meio de uma conversa, uma das pessoas olha para a câmera, como se fosse um confidente e faz uma cara de desprezo ou de tédio pelas costas de seu interlocutor. Essa filmagem mais espontânea é intercalada com depoimentos dos personagens. Esses falam reservadamente, como se estivessem em uma espécie de confessionário, e é nessas horas que se sentem mais a vontade para contar o que realmente sentiram ou pensaram em dado momento.
O escritório em questão é a regional de Scranton da empresa revendedora de papéis Dunder Mufflin. Quase toda a ação se passa lá dentro, como se fosse um universo fechado ao qual os funcionários estão presos – só às vezes os lugares variam um pouco: depósito, matriz, estacionamento e algum restaurante. Esse fato é bem importante, porque ele influencia no comportamento de todos os personagens. O gerente regional é Michael Scott (mais detalhes nos perfis abaixo), que inferniza seus empregados não por ser intransigente mas por querer ser amigo demais deles. Há o departamento de vendas, de contabilidade, de controle de qualidade, o RH, a recepção, a matriz e o depósito. Em suas funções, os personagens se relacionam não só profissionalmente – mesmo porque o que eles menos fazem é trabalhar – mas também pessoalmente, unidos para vencer o tédio e sobreviver às brincadeiras sem graça do chefe. Ao longo da série, as rivalidades e os envolvimentos amorosos vão surgindo. Como observei anteriormente, o ambiente de trabalho é tudo para os personagens, parece que eles não conhecem mais ninguém fora desse meio e nem têm perspectivas de saírem dele, por isso, precisam tentar desenvolver uma vida pessoal lá mesmo.
Qual é o conflito dessa história? Como não há nenhum vilã declarado, os problemas são os que vão surgindo no cotidiano: atritos de convivência entre colegas, idéias malucas do chefe, realização de eventos festivos, cortes no quadro de funcionários etc.
Seguem os perfis dos quatro personagens principais. Isso é só uma amostra, porque mesmo os secundários têm sua complexidade e são muito engraçados.

Michael Scott
Gerente regional da Dunder Mufflin, cerca de 40 anos, solteiro. Faz piadas o tempo todo (“That’s what she said!”) e, assim, causa mais constrangimentos do que riso. Sua principal característica é acreditar que a empresa é sua vida e todos seus funcionários são seus amigos próximos – o problema é que ninguém gosta dele de verdade, exceto Dwigth, que é um amigo que o próprio Michael dispensa. Isso gera situações como: quer discutir a vida pessoal dos funcionários em grupo e no horário de trabalho, não sabe delegar tarefas e nem fazer cortes quando a matriz exige, inventa um milhão de confraternizações, precisa de atenção e mimos dos funcionários quando se sente triste e por aí vai.

Dwight Schrute
Trabalha com vendas, é puxa-saco do gerente (Michael lhe inventou o cargo de Assistente do Gerente Regional, que não significa absolutamente nada), cerca de 40 anos, solteiro, nerd convicto, xerife voluntário, faixa preta em karatê. Tem grande adoração por Michael, porque este é seu chefe e, por ser um homem íntegro, Dwight deve seguir seu líder até a morte. Antes de entender esse motivo, imaginei que eles eram gays. Mas não, Michael só se aproveita de seu funcionário, porque é o único que está sempre à sua disposição. Ele é muito excêntrico e, sendo totalmente inflexível em seu comportamento, torna-se um grande chato. Não consigo descrevê-lo bem. Ele não se compara a nada que eu já tenha visto antes, só assistindo à série mesmo... (Por favor, se conseguirem pensar em algum adjetivo-chave para o Dwight, me digam.)

Jim Halpert
Trabalha com vendas, cerca de 30 anos, solteiro tem bom senso de humor e é o único no escritório que não tem jeito de fracassado ou de esquisito. Ele sabe que não tem futuro na Dunder Mufflin e que em outras empresas poderia ter uma carreira de verdade, mas algo o prende lá: Pam. A recepcionista, seu amor platônico, topa sempre ajudá-lo a avacalhar Dwight e Michael. Juntos, eles tornam o escritório um lugar mais divertido. No começo, achava-os infantis, mas agora creio são justamente os mais maduros, pois são os únicos que estão conscientes de que é preciso tirar algum prazer da vida, mesmo que esta esteja condicionada ao escritório. Uma característica de Jim que sempre me surpreende é sua humanidade. Mesmo que ele faça todo o possível para tirar sarro de Dwight e Michael, sempre faz algo por eles quando estão na pior. Um exemplo: cantar no karaokê um dueto com o chefe após esse ter ido de bicão a uma festa na casa de Jim e ser recebido com frieza pelos demais convidados. Por que faz isso? Ele mesmo não entende tamanho sacrifício.

Pam Beesley
Recepcionista, cerca de 30 anos, gosta de desenhar, mas não espera um dia trabalhar com isso, bonita e doce, está noiva. É visível que ela também tem uma queda por Jim, mas prefere acreditar que são só amigos se divertindo. Apesar de esperta e viva, ela é uma pessoa acomodada, aceita passar toda a vida em seu trabalho tedioso e se casar com um cara muito grosso. Maior qualidade: a expressão de “que merda de vida” diante do comportamento de Michael – é um modo silencioso de mostrar para o equipe do documentário que ela sabe que seu chefe é um idiota, mas que lhe faz o favor de fingir o contrário. Tentei pegar uma foto que reproduzisse isso.
Não vou falar mais para não dar spoilers. Vejam por si próprios!
Segue o vídeo de abertura, que eu amo!
Obs: Esse arquivo é bem ruim, porque o autor faz uma baita salada, mas assista só aos 30 primeiros segundos, que mostram a abertura da série, que é muito boa. A música é ótima. Tive que pôr esse vídeo inteiro, porque não achei um único arquivo no youtube que tivesse só a abertura original. Achei, isso sim, várias outras versões, mas uma pior do que a outra.
Uma amostra do estilo da série:
Episódio 1 da primeira temporada: Pilot
Para ver outros clipes de uma fonte segura e sem precisar baixar:
http://www.nbc.com/The_Office/video/
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Ah, esse post é “parte I”, porque um dia num futuro não muito distante quero falar de “My name’s Earl”.
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A Fada do Siso
(Dando-lhe uma barra de chocolate e um abraço amigo na sua semana de TPM.)
Veja “The Office”. Se gostou da primeira temporada, que é bem curtinha, veja a segunda, que é hilariante e traz várias novidade... Mas não vou contar, vejam!
Que preconceito contra séries pop. Vai me dizer que não viu a segunda temporada de Dexter só por isso... Lamentável, senhorita. Se não viu, veja, que é melhor ainda que a primeira. (A terceira eu achei mais ou menos...)
ResponderExcluirAgora House eu vi dois episódios e não achei graça. Mas tenho as 3 primeiras temporadas aqui no HD, esperando um julgamento mais criterioso, hauhauhau.
E Lost é legal, acho que é esse seu preconceito contra o pop agindo...
The Office é genial, a minha série preferida atualmente. Mesmo perdendo um pouco de fôlego atualmente. E sabe que The Office é pop, fora daqui?
Agora 'As visões de Raven' ninguém merece...
Ah...eu gosto de lost e house. Nem ligo se é pop. Smallvile, the oc e 24 hs sao legaizinhos tb(embora eu ja tenha desistido de acompanhar esses ultimos).
ResponderExcluirSussu, você é foda. Também acho Lost um saco e amo The Office, conheço faz tempo. Toca aí. o/
ResponderExcluirAdoro o Dwight... Não consegui pensar em nenhum adjetivo, mas adoro as piadas dúbias que sutilmente remetem ele ao nazismo, como aquela de que ele foi proibido de entrar na Argentina por isto. Após levar estas piadas mais a sério, reconheci vários comportamentos e tendencias no personagem que são esteriotipamente atribuídos a nazistas, como a tendencia de seguir o líder até a morte que você mesma comentou. Acho que o roteiro é muito bem trabalhado neste aspecto, mexendo com esteriótipos mais sem cair neles.
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