I muratori di ogni donna

DEDICATÓRIA

Dedico minha tese ao homem que me mostrou o caminho do sucesso e da felicidade. Obrigada!


JUSTIFICATIVA

Ontem, dia do jogo Palmeiras vs Colo-colo pela Taça Libertadores da América, vesti minha camisa marca-texto e desfilei pela cidade, tornando-a mais luminosa e bonita. A alguns passos de distância de mim, um pedreiro disse a seu colega:

— O Palmeiras é o melhor time do Brasil.

Fiquei impressionada. Era uma baita coincidência do destino encontrar um amigo palmeirense para dividir minha aflição a respeito do jogo – tínhamos a obrigação de ganhar para conseguir passar para a segunda fase. Eu quase esbocei um sorriso de cumplicidade e simpatia, não fosse seu colega, que, por acaso, não havia notado minha aproximação, responder:

— Nem tanto, tá meio mal das pernas.

Desgraçado, fdp, corinthiano! Fechei a cara e, por pouco, não mijei na marmita deles.

Moral da história: eu amo pedreiros (mas nem todos).

Após esse episódio, resolvi pegar a pena e debruçar-me no tratado a seguir que apresento à banca do curso de Comunicação Social para obter diploma de bacharel em Jornalismo.

INTRODUÇÃO

Este tratado filológico analisa uma questão intrínseca à mulher pós-moderna: o jogo lingüístico no qual está inserida diante de prédios em construção. Embora outros estudiosos questionem esta afirmação, consideramos que tais senhoras são atores (atrizes?) sociais, sim, porque é inconcebível que, na condição de sujeito (sujeitas?) do discurso presentes no instante de sua concepção, não atuem, mesmo que indiretamente, em sua construção social.

Partamos do mito presente na sociedade brasileira de que trabalhadores braçais são, nas palavras de alguns entrevistados, todos do sexo feminino, da pesquisa de LÉVI-STRAUSS (2002), “tarados”, “indecentes”, “mal servidos na cama”, “sujos”. Essa amostra revela que todas as senhoras abordadas tiveram pensamentos sexuais diante da menção a pedreiros. Esse é um fato curioso se considerarmos que, nos clubes femininos de dança erótica, as fantasias mais pedidas são, por ordem de preferência, bombeiro, trabalhador rural (vulgo cowboy) e executivos do mercado financeiro (IBGE, 2007).

Se, de um lado, as mulheres relacionam trabalhadores da construção civil com atos libidinosos e, de outro, exclui-os de suas fantasias mais explícitas, como explicar esse primeiro fato social? Trata-se de um problema de pesquisa complexo que tentaremos solucionar com uma hipótese bastante simples. Ei-a: nas sociedades ocidentais contemporâneas, as pessoas do deuxième sexe (BEAUVOIR, 1949) são obrigadas a desempenhar o papel de líderes dos bastidores (TREVIZAN, 2009), isto é, exercem em tempo integral atividades extremamente laboriosas e que são fundamentais para sustentar o edifício social (MARX, ?), porém, precisam esconder essa árdua missão (SUPERMAN, 1939) dos indivíduos do sexo masculino, pois esses têm gastura de pensar em trabalho pesado; apesar de sustentar toda a estrutura social, a parte forte e trabalhadora dos indivíduos possui uma fraqueza oculta: deseja um dia chegar em casa e não ter que pegar a caixa de ferramentas para consertar o cano da pia que está entupido, ou então, ter um ombro consolador onde se aconchegar quando cai o valor das ações em que investiu 20% de seu fundo de reserva. Neste estado, com o Id (FREUD, 1930) sob tamanha pressão, as mulheres passam em frente a obras e veem aquelas criaturas sob o pó, ali lagarteando embaixo da frágil e inacabada estrutura, sorrindo-lhes de forma ingênua e também inacabada. É um momento de epifania (FITZGERALD, 1936) em que elas se permitem, por alguns instantes, liberar seus instintos mais reprimidos e deixar o fardo de lado, ou, em outras palavras, em que ela acreditam que podem relaxar. Os empregados de obras representam, portanto, uma forma de solidariedade desinteressada a essas exauridas mulheres. Por um breve momento, elas são felizes e, em consequência, pensam em sexo.

Essa é a minha hipótese de pesquisa. Como a considero verdadeira a priori, libero-me das formalidades de comprová-la, fundamentá-la, desenvolvê-la e blábláblá. Cara banca, dê-me o dez, os aplausos e o diploma que vou-me já. And so long!

Comentários

  1. Interessante a sua tese, mas eu (DEUS, 1979) não concordo.

    E francamente, Palmeiras (PIZZA, 1800, MACARRÃO, 1758)...

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  2. Você saiu fantasiada de marca texto? Queria mesmo se aparecer!

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  3. ri do SUPERMAN,1939

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  4. Superman é o cara.

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  5. O Palmeiras é o melhor time do Brasil e o Marcos é o melhor goleiro do mundo!

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  6. Vanessa Palestra Prateano7/5/09 00:26

    O Palmeiras é o melhor time do Brasil e o Marcos é o melhor goleiro do mundo! (PRATEANO, 2009, in CURSINO, 2009).
    Tua banca vale 10, mas o Palmeiras vale 1.000.000.000.000.
    Chateada por você ter usado a marca texto sem mim.
    Fui.

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