De Bagdá para o SBT
Enquanto preparo o jantar, sempre ligo a TV e, dependendo do que estiver passando, assisto um pouco para descansar – daí o problema é que sempre pego no sono e, assim, perco a noite toda. Graças a esse costume, nesta semana, fiz dois achados. Ambos foram no SBT, porque a Globo não pega direito aqui em casa. Só dá para ouvir, mas não vejo nada no meio dos chiados.
A primeira pérola resgatada foi o Esquadrão da Moda – terça-feira, às 20h. O programa é apresentado por duas pessoas que supostamente são especialistas no assunto, uma modelo com cara de nojenta e um stilisher gay, que escolhem alguém “sem estilo” para lhe conferirem um. Fazem isso de maneira bastante simplista, isto é, jogam fora todo o guarda-roupa dela, dão algumas dicas em estúdio e concedem 10 mil reais para gastarem nas lojas parceiras – Arezzo, C&A, Triton e outras que não lembro por serem muito alto nível, pois ficam na Oscar Freire (rua onde nunca porei os pés em vida, amém).
Se fosse só isso, até poderia ser um programa saudável, realizando o sonho de Cinderela que toda mulher ostenta, algo ao estilo de “Um dia de princesa” que havia no Domingo Legal. Afinal, quem nunca quis ir ao shopping e poder comprar TUDO sem perguntar o preço, depois sair de lá com o seu ídolo carregando dezenas de sacolas e ir direto ao salão de beleza? Pois bem, o Esquadrão não se limita a realizar o sonho consumista da participante.
Antes de por os 10 mil mangos na mão da participante, os apresentadores a humilham em vários momentos. Primeiro, quando vão buscá-la em sua cidade natal. Chegam com um carro de som, anunciando “Cafona! Cafona! Onde está a... (nome completo da pessoa)?”. Depois reúnem os amigos dela e mostram um vídeo feito por algum falso-amigo que apresenta o guarda-roupa da vítima usando expressões como “gente, olha que coisa horrível!”.
Apresentada a personagem, a ação começa. Os nojentinhos sabem-tudo-de-moda levam a pobre Gata Borralheira para o estúdio, onde já estão duas araras com as roupas dela. Vão apontando os defeitos de cada peça, que pode ser desde a cor de quindim até algum corte menos convencional. Após o comentário, a peça vai direto para o lixo. A dona, inutilmente, argumenta que se sente bem com aquelas roupas, que têm valor sentimental, que não quer se desfazer delas.
Mas não há escolha.
A tortura segue com uma sala de espelhos, onde a participante entra vestindo suas roupas antigas e dizendo por que gosta delas. Subitamente, os apresentadores invadem o local, que lembra um provador, e gritam “Cafona! Cafona!”. É muita violência gratuita e que só tende a engrossar. O próximo passo são os narizes-empinados mostrar manequins com roupas que são bonitas “de verdade”. "Aprenda como você deve se vestir daqui em diante". “Pois eu achei muito feias, gosto é dessa daqui”. A moça sem-estilo não se rende fácil. O casal explica que é questão de se acostumar, que aquilo é alta costura, logo, sua beleza é incontestável.
E daí? Foda-se! Roupa não é só questão de tendências da moda ou bom senso, há muito sentimento nela. Isso sim é que vale algo e é justamente a única coisa que a gente não leva quando paga R$ 500 por uma camiseta ou R$ 2 mil por um vestido. Não existe falta de estilo e nem há quem possa conceder um estilo a alguém. Depois de uma pedagoga que invade a privacidade das pessoas e ainda lhe diz como criar seus filhos, achei que nada poderia descer mais o nível. Eu estava errada, sempre dá para descer mais um pouco.
Concluindo esse conto de fadas, a moça teve que gastar os R$ 10 mil em roupas que eram elegantes, mas que não a agradavam. Tenho certeza de que ela, nesse momento, sente muita falta dos shortinhos e blusinhas que foram cuspidos, rasgados e jogados no lixo.
O segundo reality show que me saltou à vista não é novidade para ninguém: Astros (ex-Ídolos). Neste ano, há um diferencial em relação aos anteriores. Em vez de mostrar direto os quatro jurados esculachando os calouros, começa com uma competição fake em que os oito participantes mais trash ficaram confinados no Castelo dos Desastros, dentro de um shopping – qualquer semelhança é mera coincidência. Eles disputariam a aprovação do público em provas como dançar funk e cantar uma música de livre escolha, e o vencedor ganharia a produção de um videoclipe musical.
No episódio de hoje, havia apenas quatro concorrentes. Mas acredita que eliminaram justo a mais engraçada – a Sueko –? Ela cantou algumas palavras de uma música do Roberto Carlos (ela não sabia a letra toda) fazendo cara de nada. Foi lindo, até chorei de rir. E daí foi excluída da casa... De revolta nem quero mais ver esse programinha ordinário! De consolo ficaram as palavras da minha ídolo: “Esse povo sem estudo, sem instrução, não sabe avaliar. Eu quero um júri qualificado”.
Para matar as saudades:
A Fada do Siso
(Dando aquele tapinha amigável na TV que não pega de jeito nenhum.)
Você pode acompanhar o trabalho dos deputados federais no site da Câmara. Veja o currículo de cada um, as propostas que eles apresentaram (acreditem, há muita bobagem lá no meio, uma prato cheio para nós, jornalistas), discursos, votos e presença em plenário.
http://www2.camara.gov.br/transparencia
** Um dia ainda vou ter paciência para sentar na frente deste computador para contar como foi minha experiência como quase-jornalista perdida na Câmara Municipal... Aguardem!
A primeira pérola resgatada foi o Esquadrão da Moda – terça-feira, às 20h. O programa é apresentado por duas pessoas que supostamente são especialistas no assunto, uma modelo com cara de nojenta e um stilisher gay, que escolhem alguém “sem estilo” para lhe conferirem um. Fazem isso de maneira bastante simplista, isto é, jogam fora todo o guarda-roupa dela, dão algumas dicas em estúdio e concedem 10 mil reais para gastarem nas lojas parceiras – Arezzo, C&A, Triton e outras que não lembro por serem muito alto nível, pois ficam na Oscar Freire (rua onde nunca porei os pés em vida, amém).
Se fosse só isso, até poderia ser um programa saudável, realizando o sonho de Cinderela que toda mulher ostenta, algo ao estilo de “Um dia de princesa” que havia no Domingo Legal. Afinal, quem nunca quis ir ao shopping e poder comprar TUDO sem perguntar o preço, depois sair de lá com o seu ídolo carregando dezenas de sacolas e ir direto ao salão de beleza? Pois bem, o Esquadrão não se limita a realizar o sonho consumista da participante.
Antes de por os 10 mil mangos na mão da participante, os apresentadores a humilham em vários momentos. Primeiro, quando vão buscá-la em sua cidade natal. Chegam com um carro de som, anunciando “Cafona! Cafona! Onde está a... (nome completo da pessoa)?”. Depois reúnem os amigos dela e mostram um vídeo feito por algum falso-amigo que apresenta o guarda-roupa da vítima usando expressões como “gente, olha que coisa horrível!”.
Apresentada a personagem, a ação começa. Os nojentinhos sabem-tudo-de-moda levam a pobre Gata Borralheira para o estúdio, onde já estão duas araras com as roupas dela. Vão apontando os defeitos de cada peça, que pode ser desde a cor de quindim até algum corte menos convencional. Após o comentário, a peça vai direto para o lixo. A dona, inutilmente, argumenta que se sente bem com aquelas roupas, que têm valor sentimental, que não quer se desfazer delas.
Mas não há escolha.
A tortura segue com uma sala de espelhos, onde a participante entra vestindo suas roupas antigas e dizendo por que gosta delas. Subitamente, os apresentadores invadem o local, que lembra um provador, e gritam “Cafona! Cafona!”. É muita violência gratuita e que só tende a engrossar. O próximo passo são os narizes-empinados mostrar manequins com roupas que são bonitas “de verdade”. "Aprenda como você deve se vestir daqui em diante". “Pois eu achei muito feias, gosto é dessa daqui”. A moça sem-estilo não se rende fácil. O casal explica que é questão de se acostumar, que aquilo é alta costura, logo, sua beleza é incontestável.
E daí? Foda-se! Roupa não é só questão de tendências da moda ou bom senso, há muito sentimento nela. Isso sim é que vale algo e é justamente a única coisa que a gente não leva quando paga R$ 500 por uma camiseta ou R$ 2 mil por um vestido. Não existe falta de estilo e nem há quem possa conceder um estilo a alguém. Depois de uma pedagoga que invade a privacidade das pessoas e ainda lhe diz como criar seus filhos, achei que nada poderia descer mais o nível. Eu estava errada, sempre dá para descer mais um pouco.
Concluindo esse conto de fadas, a moça teve que gastar os R$ 10 mil em roupas que eram elegantes, mas que não a agradavam. Tenho certeza de que ela, nesse momento, sente muita falta dos shortinhos e blusinhas que foram cuspidos, rasgados e jogados no lixo.
O segundo reality show que me saltou à vista não é novidade para ninguém: Astros (ex-Ídolos). Neste ano, há um diferencial em relação aos anteriores. Em vez de mostrar direto os quatro jurados esculachando os calouros, começa com uma competição fake em que os oito participantes mais trash ficaram confinados no Castelo dos Desastros, dentro de um shopping – qualquer semelhança é mera coincidência. Eles disputariam a aprovação do público em provas como dançar funk e cantar uma música de livre escolha, e o vencedor ganharia a produção de um videoclipe musical.
No episódio de hoje, havia apenas quatro concorrentes. Mas acredita que eliminaram justo a mais engraçada – a Sueko –? Ela cantou algumas palavras de uma música do Roberto Carlos (ela não sabia a letra toda) fazendo cara de nada. Foi lindo, até chorei de rir. E daí foi excluída da casa... De revolta nem quero mais ver esse programinha ordinário! De consolo ficaram as palavras da minha ídolo: “Esse povo sem estudo, sem instrução, não sabe avaliar. Eu quero um júri qualificado”.
Para matar as saudades:
A Fada do Siso
(Dando aquele tapinha amigável na TV que não pega de jeito nenhum.)
Você pode acompanhar o trabalho dos deputados federais no site da Câmara. Veja o currículo de cada um, as propostas que eles apresentaram (acreditem, há muita bobagem lá no meio, uma prato cheio para nós, jornalistas), discursos, votos e presença em plenário.
http://www2.camara.gov.br/transparencia
** Um dia ainda vou ter paciência para sentar na frente deste computador para contar como foi minha experiência como quase-jornalista perdida na Câmara Municipal... Aguardem!
Ainda bem que aqui em casa não pega SBT...
ResponderExcluirE que experiência na Câmara foi essa? Fiquei curioso agora.
Que hs passa esse programa de moda? o.o
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