Guerra e paz sem siliconadas da Globo
Hoje deveria ser um dia de grande emoção para mim, já que terminei, após exatos 26 dias (quase as férias todas), de ler Guerra e paz – emoção, sim, porque depois desse tempo todo a gente se apega àquele universo, né. Mas foi uma despedida tranqüila, sem traumas. Na verdade, o Tolstoi, escritor malandro que é, foi me preparando para o fim. Quando faltavam umas trezentas páginas para o desfecho, ele matou o meu personagem favorito (eta, hábito terrível! Vide Anna Karênina), depois ficou milhares de séculos sem fazer aparecer os outros. Foi uma dura lição, mas funcionou: me fez ver que havia vida além dos círculos sociais de Moscou e Peterburgo. Daí, você que não leu o livro se pergunta “como é possível encher páginas e páginas sem falar dos personagens?”. Falando, ué. Falando sobre a História principalmente. Poderia resumir algumas dezenas de folhas aqui, mas é gostoso ir acompanhando o raciocínio do autor, então não quero estragar o prazer de que ainda pretende ler essa belíssima obra.
Napoleão não é o grande vilão, julga Tolstoi. Para mim, foi. Senão, minhas noites seriam bem mais sem graça. Eu não teria alguém contra quem conspirar antes de dormir e, feliz, sonhar que o assassino de modo explosivo junto com alguns milhares de homens. Malditos franceses! O livro também mostra que Alexandre nada tinha de heróico. Isso eu concordo. Babaca.
Gostaria de fazer tantos outros comentários sobre os personagens e alguns acontecimentos, mas me deparo com dois graves problemas: i) Ser incompreendida por quem não leu o livro; ii) Soltar algum spoiler e receber o ódio eterno de que pretende lê-lo. Então, quem conhece Guerra e paz, pelo amor de deus, venha conversar comigo para fofocarmos sobre a Rússia frufru do início do século XIX.
Agora um teste de memória. Dizem que são 500 personagens. Não parei para contar, se bem que uns 100 eu garanto que tem, mas desafiando minha parca memória, tentarei lembrar o máximo que eu conseguir. Sem consultar o livro, óbvio. Vamos lá.
Ana Pavlovna, Vassili Kuraguine, sua esposa (sem nome?), Anatole Kuraguine, Helena Kuraguine, conde Bezukov, Pedro Bezukov, a princesa velha (prima), Maria Dimitrievna, Bóris, Júlia rica herdeira (com tanta qualificação nem precisa de sobrenome), velho príncipe Nicolau Bolkonski, André Bolkonski, a princesinha (esqueci o nome), Nicolau Bolkonski, seu preceptor suíço medíocre (e.n.), princesa Maria (e seus três filhos), Mademoiselle Bourienne, o engenheiro imprestável (e.n.), o médico alemão (e.n.), o servo fiel do velho príncipe (e.n.), Denissov, Volkonski, Kutuzov, Alexandre, sua esposa Maria qualquer coisa, Bilibine, Napoleão, conde Illia Rostov, a velha condessa Rostov, Vera Rostov, seu marido interesseiro (e.n.), Nicolau Rostov, Natasha Rostov (e seus quatro filhos), Pétia Rostov, Sônia Rostov...
Tá, nem adianta tentar continuar, porque os próximos personagens eu não lembro exatamente os nomes, daí eu ficaria colocando as qualificações deles (como até já fiz acima) e não provaria nada a favor de minha memória. Aliás, que coisa inútil ficar escrevendo nomes que não dizem nada a vocês... Bem, se alguém estiver procurando nomes para filhos ou animais de estimação, aí há algumas sugestões.
Só mais uma coisa sobre Guerra e paz – embora ainda não tenha dito nada que esteja à altura do livro e do prazer que ele me proporcionou. Vejam que citação belíssima para quem estuda jornalismo e tem um ego enorme (redundância):
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Quase pronta para voltar para uma vida (re)produtiva. To que nem quando se tem que acordar cedo numa manhã fria. Só mais cinco minutinhos, vai... O pior vai ser recuperar o tempo passado sem ler e assistir a nada que não fosse ficção. Podem me julgar, mas minha consciência não me condena. Não, não me acho irresponsável por fugir tanto tempo da realidade – são férias! –; o castigo vem da minha própria intuição. O mundo já não parece tão consistente. Aliás, estou quase acreditando que sou russa e que vivo em 1812 (precioso ano!). É fantástico, se eu possuir uma fortuna, posso ser o melhor partido do país. Nada dessas coisas de ser espirituosa e sexy. Ai, nossa sociedade complica tanto!
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Mais duas postagens e este blog completa o aniversário de 50 posts. Torcemos para que até lá eu reaprenda a escrever, afinal, a audiência anda cada vez mais perspicaz e já não engole qualquer porcaria.
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Bem, meus camaradas, até breve! (Breve demais...)
Napoleão não é o grande vilão, julga Tolstoi. Para mim, foi. Senão, minhas noites seriam bem mais sem graça. Eu não teria alguém contra quem conspirar antes de dormir e, feliz, sonhar que o assassino de modo explosivo junto com alguns milhares de homens. Malditos franceses! O livro também mostra que Alexandre nada tinha de heróico. Isso eu concordo. Babaca.
Gostaria de fazer tantos outros comentários sobre os personagens e alguns acontecimentos, mas me deparo com dois graves problemas: i) Ser incompreendida por quem não leu o livro; ii) Soltar algum spoiler e receber o ódio eterno de que pretende lê-lo. Então, quem conhece Guerra e paz, pelo amor de deus, venha conversar comigo para fofocarmos sobre a Rússia frufru do início do século XIX.
Agora um teste de memória. Dizem que são 500 personagens. Não parei para contar, se bem que uns 100 eu garanto que tem, mas desafiando minha parca memória, tentarei lembrar o máximo que eu conseguir. Sem consultar o livro, óbvio. Vamos lá.
Ana Pavlovna, Vassili Kuraguine, sua esposa (sem nome?), Anatole Kuraguine, Helena Kuraguine, conde Bezukov, Pedro Bezukov, a princesa velha (prima), Maria Dimitrievna, Bóris, Júlia rica herdeira (com tanta qualificação nem precisa de sobrenome), velho príncipe Nicolau Bolkonski, André Bolkonski, a princesinha (esqueci o nome), Nicolau Bolkonski, seu preceptor suíço medíocre (e.n.), princesa Maria (e seus três filhos), Mademoiselle Bourienne, o engenheiro imprestável (e.n.), o médico alemão (e.n.), o servo fiel do velho príncipe (e.n.), Denissov, Volkonski, Kutuzov, Alexandre, sua esposa Maria qualquer coisa, Bilibine, Napoleão, conde Illia Rostov, a velha condessa Rostov, Vera Rostov, seu marido interesseiro (e.n.), Nicolau Rostov, Natasha Rostov (e seus quatro filhos), Pétia Rostov, Sônia Rostov...
Tá, nem adianta tentar continuar, porque os próximos personagens eu não lembro exatamente os nomes, daí eu ficaria colocando as qualificações deles (como até já fiz acima) e não provaria nada a favor de minha memória. Aliás, que coisa inútil ficar escrevendo nomes que não dizem nada a vocês... Bem, se alguém estiver procurando nomes para filhos ou animais de estimação, aí há algumas sugestões.
Só mais uma coisa sobre Guerra e paz – embora ainda não tenha dito nada que esteja à altura do livro e do prazer que ele me proporcionou. Vejam que citação belíssima para quem estuda jornalismo e tem um ego enorme (redundância):
Somente no nosso tempo, nestes tempos de vulgarização da ciência, graças à arma mais perigosa que se conhece para combater a ignorância, que é a imprensa, o problema do livre arbítrio se encontra num terreno em que nem sequer pode existir.
(p. 1466)
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Quase pronta para voltar para uma vida (re)produtiva. To que nem quando se tem que acordar cedo numa manhã fria. Só mais cinco minutinhos, vai... O pior vai ser recuperar o tempo passado sem ler e assistir a nada que não fosse ficção. Podem me julgar, mas minha consciência não me condena. Não, não me acho irresponsável por fugir tanto tempo da realidade – são férias! –; o castigo vem da minha própria intuição. O mundo já não parece tão consistente. Aliás, estou quase acreditando que sou russa e que vivo em 1812 (precioso ano!). É fantástico, se eu possuir uma fortuna, posso ser o melhor partido do país. Nada dessas coisas de ser espirituosa e sexy. Ai, nossa sociedade complica tanto!
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Mais duas postagens e este blog completa o aniversário de 50 posts. Torcemos para que até lá eu reaprenda a escrever, afinal, a audiência anda cada vez mais perspicaz e já não engole qualquer porcaria.
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Bem, meus camaradas, até breve! (Breve demais...)
Quero muito ler Guerra e Paz.
ResponderExcluirAté breve, camarada.
ResponderExcluirAnna Karênina é tudo de bom. Pena que a minha parecia um pouco com a Ana Paula Arósio(só conseguia imaginá-la).
ResponderExcluirE o Vronski lembrava bastante o Orlando Bloom, hasuhaushasa.
bjo da Ana da Cana.