Da vampira


Eu queria escrever um texto que fosse totalmente autêntico, original, nunca antes escrito (como a vontade do dramaturgo da peça “Do vampiro – variações n. 2”, que está em cartaz no Festival de Teatro de Curitiba) e que ainda fizesse todo sentido para qualquer pessoa que o lesse. Mas acaba sendo só mais um grito no vácuo. Imagem meio gasta em ficções científicas mais cults, admito.

As ações não ecoam, porque não há ar, a casa está apertada demais, ninguém se mexa (mais uma vez parafraseando a dita peça – juro que darei o serviço dela no final deste post)! Tudo escuro, só a parca luz que entra pela janela faz um bonito desenho no chão, uma música daquelas românticas antigas, soando bem baixinho, como se deve ser, ao pé do ouvido, arrepio, vontade de chorar apenas uma lágrima.

Eu te amo ao som de Frank Sinatra. Isso numa outra vida, quando as coisas cresciam sob o sol. O espelho não reflete mais a imagem que estava tão concreta na sua cabeça. (Vontade não faz verdade.) Não reflete mais nem você própria. Quantos anos você tinha mesmo a última vez que se viu? Acho que uns dez. Depois o tempo voou impune.

Não dá para viver de passado. Por que não, me diz? Porque o tempo por si só é nada, palavra, convenção – o que dá tudo na mesma.

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Serviço:
Para o Vampiro - Variações nº2
Experimental
Casa do Damaceno: Rua 13 de maio, 991
Entrada franca (e você ainda ganha dois reais!)
04 e 05 de abril, às 23h
06 e 07 de abril, às 19h

Sinopse: Um homem. Duas mulheres. Tentativas de histórias – e de vida. Pessoas na eterna agonia da incompletude. “Nos últimos anos a cada dois dias um choveu em Curitiba”. Uma atmosfera, um clima incrustado na alma. Somente histórias. E mesmo assim dói. Quem assistir o espetáculo ganha R$4,00 e estudante R$2,00. Sujeito à disponibilidade de lugares, respeitada a capacidade máxima de lotação do espaço de 40 lugares.

Comentários

  1. Como assim, você ganha pra ir assistir? Você também tá fazendo post de primeiro de abril, é?

    E eu queria escrever sobre todos os filmes que ando assistindo, mas a preguiça não me deixa.

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