Domingo no parque

Não, foi domingo em casa mesmo. Cozinhando, limpando e lavando. Mas, sei lá por que, me lembrei da música do Gilberto Gil. É de conteúdo simples, mas tem uma forma bem interessante. Quem não conhece, veja lá. E também fiz uma analogia mental ao fato de hoje ser domingo e ao papel de parede que estou usando no PC (essa ilustração acima), que parece acontecer num parque. Se estiverem aí à toa, abram mão de alguns minutos para observar essa cena.
Para começar, ela me lembra outra música do repertório popular brasileiro:
Todo domingo
Havia banda
No coreto do jardim
E já de longe
A gente ouvia
A tuba do Serafim
Porém um dia
Entrou um gato
Na tuba do Serafim
E o resultado
Dessa "melódia"
Foi que a tuba
Tocou assim:
Pum, pum, pum - miau
Pum, pururum, pum, pum - miau
Pum, pum, pum - miau
Pum, pururum, pum, pum – miau
Conhecem? Essa é da época em que eu cantava no coral da escola (no remoto ano de 1997, acho). Logicamente, me veio à mente por causa dos gatinhos, mas, principalmente, por causa do garoto láááá no fundo tocando um instrumento desses de bandinha antiga. (Arrisco: um trompete?)
Outra coisa que me chama muito a atenção é a luva que a menina loira tá usando. Meodeos, é nojenta! Parece que a garota tá com câncer – ou qualquer doença que vá matá-la em alguns meses ou transformá-la numa X-Men. E é impressão minha, ou ela tem um pomo-de-adão? Gente, os pais que puseram essa menina no mundo deviam estar em Hiroshima em agosto de 1945... Outra hipótese é que podem ter comido muito Cheetos Queijo. Tá, estranha mas arrumadinha, vá lá, dá para encarar. E o gordão com celulite no braço que não consegue fazer a mão caber no bolso? Conseguem ver um cara atrás dele? O queixo e a boca são bonitos, mas o bicho tem um jeito de pedófilo... Corram, garotinhas! Bem, a com laço na cabeça pode ficar, porque, feia como é – cara de Débora Bloch anã –, ninguém vai querer. Nem precisa se embrulhar para presente, minha filha, que não tem jeito... No dia seguinte vão lá na loja e te trocam por outro modelo.
(Não me batam. Hoje não estou politicamente correta.)
Ah, é, falei de todo mundo menos da Mulher Maravilha. Mas sabem que, nessa imagem, ela é o que menos me atrai (atrair não necessariamente no sentido positivo)? Primeiro, o cabelo tá muito certinho. Gosto mais dele armadão, assim, bem selvagem. Porque ela é uma amazona, acha que fica fazendo hidratação e outras frescuragens? Que nada, anda a cavalo o dia todo, toma banho no rio, corta o troço no facão (entendam como quiser, hoje não estou ligando muito para forma), e assim segue a vida. E, segundo, alguém concorde comigo: ela não tá a cara da Nicole Kidman? Tsc, assim não dá!
É, após toda essa análise besta do meu papel de parede, consegui entender como eu consigo ligar o PC e passar mais de uma hora à toa, sem produzir nada. Preciso trocá-lo por um que me disperse menos.
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Assunto surgido depois de me encher o saco com os milhares de anúncios das Casas Bahia na Folha.
Celular. Todo mundo tem. De cada dez pessoas, nove vírgula nove quer ter um mais moderno do que o que possui. Gente pobre, cujo salário no fim do mês se converte em dívidas, tem celulares chiques. Para quê? Não eu estou defendendo que ter celular seja um direito exclusivo dos ricos. Mas é um objeto tão estúpido que eu me pergunto: para que comprometer o orçamento por causa dele?
Essa obsessão entre os adultos me lembra uma que acometeu as crianças brasileiras há um pouco mais de dez anos: o Tamaguchi, ou bichinho virtual. Algo caro, inútil, viciante, sem graça e criador de barreiras sociais entre as pessoas.
Sim, eu tive o meu. Durante as aulas, escondia-o debaixo da carteira para brincar com ele (senão ele ficaria triste e morreria), alimentá-lo, levá-lo ao banheiro, fazê-lo dormir... Hoje não consigo lembrar por que quis tanto ser um. E, sabem, não é algo me dá saudades quando penso na minha infância – o contrário do que acontece com Família Dinossauro, TV CRUJ (ou Disney Club), a casa da árvore, o pastel de Mini-Ovo da dona Elisa, as figurinhas da Elma Chips, os palitos de Frutilly. Geez, eu era uma criança que consumia muita cultura de massa e ainda assim consegui ser feliz. Que dádiva!
Voltando ao celular. Quando, no ônibus lotado das 18h30, vejo boa parte dos trabalhadores pendurados no telefone móvel, visualizo um bando de crianças alimentando seus Tamaguchis.
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Acabei falando um monte de infância, mas nem estou nostálgica. Vamos a um último assunto para que não fique essa impressão.
Textos teóricos da fac.
Há bastante tempo não os lia, mesmo porque praticamente só temos tido disciplinas práticas. Mas este semestre tive que retomar o hábito. Hoje li dois. Um deles é a coisa mais idiota, sem conteúdo e sem propósito que já li (na verdade, o outro está próximo disso também) – além de possuir uma odiável linguagem com floreios e pretensões literárias (alguém conhece alguém entre nós que faz isso?). No entanto, proporcionou alguns minutos de diversão. Não vou explicar, vou colar alguns trechos.
O metrossexual está atento à novas jóias lançadas para homens, usa base protetora para as unhas, brilho-labial hidratante e cremes anti-rugas para o rosto, além de combinar suas peças de roupa e comprar cuecas das melhores marcas. (...) Bebe vinho em vez de cerveja, pinta as unhas, muda o corte e a cor dos cabelos como quem troca de camisa no final do jogo e confessa já ter usado algumas vezes calcinha de mulher.
E tem mais:
Com o invenção do termo metrossexual, que exime qualquer conotação homossexual, os homens sentem-se livres para comprar tudo aquilo que sempre sonharam secretamente em seus devaneios mais efeminados.
Você, caro leitor, me esclareça uma dúvida: qual é o seu desejo secreto mais efeminado? Gente, vou dar minha opinião, que já explicito ser machista. Se eu estiver com um cara e ele pegar o meu hidratante emprestado, é rua! Metrossexuais são adoráveis numa conversa, entendem a alma feminina em seus momentos consumistas, mas não dá para beijar homem que usa gloss, pô!
isso nao é metrossexual, é gay msm =.=
ResponderExcluir1. Gente! Essa Mulher Maravilha é a Nicole Kidman! O mesmo nariz e tudo!!! Só falta ser loira! (bate na madeira)
ResponderExcluir2. Eu acho que ainda tenho meu bichinho virtual em algum lugar aqui de casa... Mas eu não paguei uma fortuna nele, não. As pessoas da cidade grande sempre tiveram camelôs para comprar essas coisas por menos de cincão! Mas confesso que só tinha por moda, afinal não tinha paciência para mandar aquela critura fazer tudo. Sorte teve o Lucas quando o dele caiu no vaso.
3. Agora... Muito divertidos esses seus textos? Que matéria é essa? Quer trocar? Eu leio os seus e você os meus?
Sou RETROssexual. Com orgulho.
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