domenica 8 novembre 2009

PLANTÃO URGENTE

Deu no Estadão agora há pouco:

Uniban expulsa aluna assediada por usar vestido curto em aula

Universidade diz que atitude provocativa da aluna resultou em reação coletiva de defesa do ambiente escolar

estadao.com.br

SÃO PAULO - A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas neste domingo, 8, que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto. O episódio ganhou repercussão na internet após vídeos do tumulto serem postados no 'You Tube'.

No anúncio publicitário, entitulado ' A educação se faz com atitude e não com complacência' a universidade diz que tomou a decisão após uma sindicância interna constatar que a aluna teve uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados. Para a Uniban, Geisy provocou os colegas ao fazer um percurso maior que o habitual, desrespeitando princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade.

A universidade afirma ainda que foi constatado que "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar". Ainda assim, o conselho superior declarou na nota que suspendeu temporariamente os alunos envolvidos e identificados no incidente. A Uniban também criticou o comportamento da imprensa na cobertura do caso. Segundo a universidade, a mídia perdeu a oportunidade de contribuir para um debate 'sério e equilibrado' sobra ética, juventude e universidade.

Segundo as cenas e os depoimentos de presentes, o tumulto começou quando a aluna subia por uma rampa até o terceiro andar e os alunos começaram a gritar. Ela ficou trancada em uma sala e, com a ajuda de um professor e colegas, chamou a polícia, que a escoltou até a saída da universidade.

De acordo com a estudante, em entrevista concedida ao estadao.com.br no último dia 30, o episódio começou "como uma grande brincadeira". Vestida para uma festa que iria naquele noite, ela conta que no início arrancou muitos elogios com seu visual, mas a situação aos poucos inverteu. No intervalo das aulas, um "verdadeiro coral ridículo de gritos de puta" a acompanhou até que deixasse o prédio.

martedì 27 ottobre 2009

Gênio pensando

Faltam exatamente 13 dias para o prazo final de entrega da monografia. Minha cabeça ferve de ideias para a temporada 2010 de dov'è il latte?, mas agora preciso investir todas as minhas energias nesse projeto. Como me sinto mal de deixar este blog às moscas, vim me justificar.

Ah, e um aperitivo: acima a imagem que eu bolei para uma matéria sobre os 60 anos de "O segundo sexo", estudos de gênero etc. Lógico que eu me baseei em um tutorial, mas para quem nunca tinha nem tirado olho vermelho das pessoas no photoshop isso foi uma feito e tanto. Após a apresentação da banca, eu posto também as matérias que escrevi.

Contagem regressiva.

domenica 4 ottobre 2009

Mea culpa

Há cerca de um mês, li um artigo na Mais! que me chamou bastante a atenção. Chamava-se “Sonhos do avesso” e fora escrito pela psicanalista Maria Rita Kehl. A maior qualidade do texto, na minha opinião, é mostrar algo tão óbvio, mas que eu nunca havia lido nas páginas de um jornal. No começo, a autora dá uma boa enrolada, por isso (e também porque não tenho saco para digitar tanto) vou transcrever apenas a partir de quando ela entra no assunto central, a crise do sujeito.

"Se Freud fundou a psicanálise ao vislumbrar, no horizonte de sua época, as razões da insatisfação histérica, é nossa vez de tentar escutar o que mudou desde então, à medida que a norma produtiva/repressiva foi sendo substituída pela norma do gozo e do consumo.

"Alguns sintomas, na atualidade, têm se tornado mais frequentes e mais incômodos do que as formas consagradas das neuroses e das psicoses no século passado. Hoje as drogadições, os transtornos alimentares, os quadros delinquenciais e as depressões graves desafiam os analistas a repensar a subjetividade. [...]

"Se o homem contemporâneo sofre do que [o psicanalista francês] Charles Melman chamou de falta de um centro de gravidade, é porque as referências tradicionais - Deus, pátria, família, trabalho, pai - pulverizaram-se em milhares de referências optativas, para uso privado do freguês.

"O 'self-made man' dos primórdios do capitalismo deixou de ser o trabalhador esforçado e econômico para se tornar o gestor de seu próprio 'perfil do consumidor' a partir de modelos em oferta no mercado.

"Cada um tem o direito e o dever de compor a seu gosto um capo próprio de referências, de estilo, de ideais. Aparentemente, não devemos mais nada ao pai e ao grupo social a que pertencemos, dos quais imaginamos prescindir para saber quem somos.

"Este aparente apagamento da dívida simbólica não nos tornou menos culpados; ao contrário: hoje escutamos pessoas que se dizem culpadas de tudo. [...]

"A antiga donzela angustiada com as manifestações involuntárias de sua sexualidade reprimida - lembrem-se de que Freud relacionou o tabu da virgindade e a moral sexual entre as causas do mal-estar, no início do século 20 - hoje se sente culpada por não usufruir tanto do sexo, das dorgas e do 'rock and funk' quanto deveria. O obsessivo escrupuloso, acossado por fantasias perversas, agora se queixa de seu bom comportamento: queria ser um predador sem escrúpulos, eliminar os rivais, abusar sem pudor das mulheres.

"As pessoas vivem culpadas por não conseguirem gozar tanto quanto lhes é exigido. Culpadas por não alcançar o sucesso e a popularidade instantâneos, por perderem tempo em sessões de análise - culpados por sofrer. O sofrimento não tem mais o prestígio que lhe conferia o cristianismo. Sofrer não redime a dívida; ao contrário, reduplica os juros."

Desisti de copiar até o final, mas basicamente a psicanalista segue dando exemplos de como as pessoas tentam otimizar a vida delas para obter o máximo de prazer, desconsiderando que a dor também faz parte da existência. Depois, quando sentem a sensação de vazio ou frustração, sequer têm como culpar algum sistema opressivo, porque tudo foi resultado de escolhas próprias.

Quem quiser ler a versão completa, está disponível em http://www.folha.com.br/digital, edição de 06 de setembro.

Agora eu deveria fazer um comentário sobre o artigo ou, no mínimo, justificar o porquê de algumas partes dele estarem aqui, né? Sei lá. Talvez até houvesse uma intenção inicial nesse post, mas desanimei. Acho que só gostaria de mostrar que não estamos sozinhos nesse sentimento de culpa que nos persegue. Como se libertar dele? A esperta autora não conta no texto. Quem quiser saber vai ter que gastar uma nota preta com sessões de análise - e sem garantia de ter uma resposta.

Esse assunto me trouxe à cabeça uma imagem. Há um momento logo no início da missa no qual os fiéis pensam nos pecados cometidos, o padre faz uma oração que todos repetem em coro. É assim:

"Confesso a Deus Todo-Poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos, palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa. E peço à Virgem Maria, aos anjos e santos e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor."

Nesse momento toca uma musica bonita e a gente tem vontade de chorar de tão pesado que o coração fica. Mas quando tudo acaba dá um alívio tão grande que você se sente um recém-nascido, pronto para trilhar um caminho de glória. Bem, isso é o que acontece com um católico que está realmente envolvido por sua crença. Se não for assim, você fica entediado com o blablablá do padre e consulta o relógio umas vinte vezes antes da bênção final, volta para casa com a culpa ainda latejando no peito, se farta no almoço de domingo, passa a tarde toda dormindo e vai dormir com a sensação de que não está vivendo sua vida como deveria. "La vida es dura", já disse o sábio Selton Mello em "O cheiro do ralo". Aliás, esse é um excelente filme, que traduz perfeitamente a bobagem que se é viver hoje em dia.

Sem conseguir pensar mais nada pela própria cabeça - ô, diazinho! -, encerro com um belo (porém, nada original) "good night, and good luck".

martedì 22 settembre 2009

1,80m, 50kg, gordinha de nascença

1.

Olho para as mulheres magras e penso se elas são mais felizes do que eu.


Com certeza.

2.

Quando o inverno terminar, tudo ficará bem. As garotas pararão de usar essas horrorosas botas por fora da calça. Só espero que não voltem a usar aquele tipo tijolo.

Não fosse por esse desvio estético, Curitiba seria uma cidade bem agradável.

(Para você que não entendeu lhufas, a primeira foto logo abaixo é da bota tosca por fora da calça e a segunda da tijolo.)




3.

Gosto de observar as roupas das pessoas que estudam em universidades públicas. Me vem à cabeça a imagem de uma grande orgia: tão horríveis pecados num só lugar. Me dá até um arrepio pelo prazer ilícito.

4.

Uma das recordações mais felizes da minha adolescência foi a abertura da Opera Rock na minha cidade. Me maravilhei com os micro-shorts e as camisetas chiquérrimas com rendas, fitas de cetim, xadrezinhos caipiras e Nossa Senhora do Guadalupe cercada de strass.

Hoje vejo que era muito imatura. Aprendi a valorizar a simplicidade e o comedimento: só uso terninhos Channel.



(Aliás, essa aí na foto sou eu em um trabalho que realizei para a marca. Vantagens de cliente VIP, sabe como é...)

5.

Minha mãe me chamou de muquirana só porque eu disse num jantar de família que é um absurdo pagar R$ 1,2 mil em um Yorkshire Terrier.



Oras, se gastar apenas R$ 1,3 mil a mais, você já compra um buldogue inglês, que é no mínimo cinco vezes maior. Pode fazer as contas, a matemática está ao meu lado.


--

Enquete: Quem te viu, quem te vê (ou teu presente te condena)

ANTES



DEPOIS



Vera Fischer ainda é uma musa? Ou o mau uso da água oxigenada, do bronzeamento artificial e do botox consegue apagar as glórias do passado?

venerdì 11 settembre 2009

Nomes de filhos hipotéticos



(Não pude evitar a comparação - triste.)

Nesse final de semana finalmente comprei um notebook novo. Não que o antigo estivesse tão ruim assim. Ele tinha seis anos de uso, um processador Celeron lentíssimo, apenas um 1Gb de espaço livre no HD e 256Mb de memória RAM, mas como eu só usava Word, Paciência Spider, Windows Live Messenger e Google Chrome, dava conta do recado. Mas tive que o trocar, porque preciso de mais espaço e memória, já que no próximo mês estarei diagramando uma revista para o meu trabalho de conclusão de curso. Bem, espero que haja uma revista para ser diagramada – nem comecei a fazê-la ainda –, mas isso já é outra história.

O fato é que, não houvesse essa revista na minha vida, ainda estaria com o velho companheiro Glorfindel. Esse era o nome do meu notebook antigo. Comprei-o em 2003, quando “Senhor dos Anéis” e as demais obras do Tolkien, principalmente “Silmarillion”, eram o que havia de melhor na minha vidinha adolescente. Bons tempos, quando havia tempo demais para fazer qualquer coisa. Pena que, quando se é adolescente, nunca passa pela cabeça que esse tempo deve ser bem aproveitado. O futuro só os adultos sabem como é: todo dia atolado em atividades pouco prazerosas e, se não a realizarmos, torna-se um vagabundo que não tem como se sustentar.

De qualquer forma, passar tardes inteiras ouvindo Bach ou Sarah Brightman e pensando na melhor maneira de me suicidar foi uma época que de alguma forma deixa saudades. Ah, sim, e também havia o motivo que ajudou a convencer meu pai a me dar o computador de aniversário – afinal, é um presente beeem caro –: eu estava escrevendo um livro. No fim, o livro não saiu. A cada mês que passava, eu ficava um pouco mais madura e via que, embora minha escrita melhorava, eu sempre estava bem abaixo dos grandes escritores. Há tantos livros no mundo, se for para escrever um mediano, melhor nem fazê-lo. Aos 16 anos percebi isso, deixei meu projeto de lado e decidi estudar com afinco para o vestibular. Assim, eu faria uma graduação, teria um emprego convencional e deixava esse negócio de ser artista de lado. Não tenho afinidade com a boemia mesmo, acho que nunca daria certo.

Glorfindel esteve presente nesse ótimo período. Eu passava as madrugadas com ele, digitando meu livro ou simplesmente aprofundando amizades pelo ICQ. Esta foi uma maravilhosa descoberta na internet: a facilidade em se criar intimidade com pessoas que eu encontrava com frequência, mas com as quais nunca conseguia estabelecer uma conversa franca. Ah, também criei um blog na época – meu primeiro – em que eu contava histórias sobre elfos ébrios e gays. E de alguma forma eu mesma acreditava nelas. Eu não as criava, essas histórias existiam desde sempre e se desenrolavam diante de meus olhos. Eu só tinha o trabalho de descrever o que havia presenciado.

Sinto falta de Glorfindel, bom elfo e bom computador. Atualmente lhe falta uma tecla (o M quebrou) e outras, como o E, emperram de vez em quando. Mas a sua cor cinza opaca se mantém bonita como no dia em que eu fui buscá-lo na loja. Fora a indicação das letras nas teclas, agredidas diariamente pelos meus dedos furiosos e lambuzados de comida, nada desbotou. Odeio esses computadores atuais com cores metálicas que em menos de um ano estão riscados e descoloridos. O computador que uso agora é assim. Vamos ver quanto tempo vai levar para eu começar a reclamar dele. Mas não importa, vai ter que durar pelo menos mais seis anos também.

A propósito, este computador ainda é um estranho para mim. Eu venho o tratando simplesmente como “o computador novo” até agora há pouco, quando me ocorreu que deixei o bichinho sem nome. Algo que estará tão presente nos meus feitos mais importantes – escrever, óbvio: é esse meu trabalho – não pode ser mero instrumento. Passou da hora de criarmos um vínculo.

O batizado ocorreu nessa manhã. Enquanto tomava meu café, ruminava nomes. Primeiro me ocorreram nomenclaturas élficas, mas logo vi que essas não funcionam mais. Embora eu mantenha meu pseudônimo Sularien (por hábito e por um vago apego ao passado), essa não é mais a essência de meu modo de vida atual. Pensei depois em Rhett, o personagem principal do meu filme favorito, mas também não daria certo. Esse nome remete a um homem sensual, com o peito forte e moreno como o de um pirata e, na cara, estampado o sorriso de um cafajeste. Tenho para mim que um computador é mais um amigo gay do que um amante fogoso, por isso descartei o Rhett e qualquer outro nome que me lembrasse Johnny Depp. Então, vieram-me à mente nomes de escritores que eu admirava. Péssima ideia, pois eu conviveria com a vergonha de ser uma medíocre. O resultado a que cheguei foi um meio termo: Antônio Cândido. Havia um Antônio Cândido entre os intelectuais brasileiros, mas como nunca li nada escrito por ele, o nome não me remete a tal figura e não aviva meu complexo de inferioridade.

Sempre quis ter uns quatro ou cinco filhos, por isso, há alguns anos venho pensando nos nomes deles. (Ora, nome é coisa séria, a pessoa depois o carregará pela vida toda, não pode ser dado ao léu.) Havia escolhido que Antônio Cândido seria o meu segundo filho homem. Embora não goste de nomes duplos, acho esse bastante harmonioso. Combina um nome forte com outro mais delicado, sugerindo uma personalidade complexa – nem uma coisa nem outra, as duas ao mesmo tempo. Gosto em especial do segundo nome, por causa do romance de Voltaire. Nessa obra, o dr. Pangloss é a figura mais interessante, claro, mas Cândido em sua ingenuidade burra tem algo de muito comovente. Fora isso, adoro o apelido Tonico. Passei horas imaginando como seria chamar “Toniiiico, larga esse livro e vem almoçar, moleque!”. Sim, porque Tonico seria muito nerd, como todos os meus outros filhos.

Hoje penso diferente. Enfim compreendi que os pais não conseguem pré-definir a personalidade dos filhos (e nem têm esse direito). Depois tive a decepção de que meu namorado acha o nome Antônio Cândido muito feio. Por fim, decidi há alguns meses que não terei nenhum filho. Logo, não teria uma pessoa a quem dar esse nome e acho de péssimo gosto nomear animais como gente. A decisão de não deixar o legado de minha miséria é a mais racional. Meu futuro salário não conseguiria alimentar tantas bocas e, trabalhando feito uma louca, não conseguiria criá-los direito. É horrível quando crianças gostam mais da babá ou da avó do que da própria mãe – e isso tem acontecido aos montes. Mulheres, uma coisa é fato: é impossível ser sexy, inteligente, ter uma carreira de sucesso e ser mãe, tudo ao mesmo tempo. Se não quiserem ter filhos revoltados ou serem profissionais frustradas, pensem direito em quais são suas prioridades ou escolham um marido disposto a assumir as obrigações domésticas – existirá algum?

Bem, a vida segue, mas dá uma tristeza pensar que o Antônio Cândido que eu havia imaginado nunca existirá. Mas já está decidido. Eu não teria um bebê só para satisfazer o capricho de ver uma parte bonitinha de mim usando o nome e as roupinhas que eu cuidadosamente escolhi. O pior é que eu imagino que essa é a motivação da maioria das pessoas para ter filhos. Haveria alguma mais digna para se gerar um novo ser? Ter um suporte na velhice, ter alguém para amar, querer dedicar-se em cuidar de alguém mais frágil? São todos motivos no fundo egoístas. E, mesmo se fossem legítimos, há sempre pessoas abandonadas que precisam de quem zele por elas. Para que colocar mais gente no mundo? Gosto da frase do meu professor de economia: “ter filhos sem ter condições de criá-los é uma forma de depredar o mundo”. Tanta gente faz isso que eu acredito que aqueles que têm uma noção desse problema têm a obrigação de trabalhar para repará-lo. É preciso pensar global para garantir o nosso próprio bem-estar. Para quem convive comigo deve estar saturado desse discursinho, mas não consigo ver uma saída diferente.

Voltando ao tema central deste post, só queria contar que agora tenho um notebook que se chama Antônio Cândido. Agora vejo que poderia ter feito este post em duas linhas, como acabo de fazer, mas isso seria tão mais chato, não é? Quanto ao Glorfindel, ele está no meu guarda-roupa, e não sei que destino dar a ele. Com uma tecla a menos, acho que não consigo revendê-lo. O que devo fazer para não contribuir para o aumento do lixo no mundo? Mesmo porque Glorfindel não pode, simplesmente porque Antônio Cândido chegou, ser automaticamente transformado em sucata. Esse negócio de lixo eletrônico vai dar muita dor de cabeça, já to até vendo... Gostaria de um dia ser informada que já existem opções de reciclar 100%. Alguém pode me dar essa boa notícia?

Fada do Siso
(Tendo sempre um guarda-chuva na bolsa.)

Compre objetos bons (PC, roupas, panelas etc.) e os mantenha por vários anos. Só os descarte quando realmente não puderem mais ser usados. É importante aprender que quase nunca precisamos de um novo. É só impulso consumista. Penso nisso quando passo na frente de vitrines multicoloridas, e geralmente me ajuda a não comprar algo de que não preciso. Lixo a menos, tanto melhor.

martedì 25 agosto 2009

É tudo uma questão de músculos

(1)

“O que tem de almoço, mãe?”

“Músculo. E nem precisa fazer essa cara, menina!”

Não comia mesmo. Por mais beatinha que fosse quando criança e adolescente, sempre dizia “não” para esse alimento, desprezando o trabalho de minha pobre mãe – já acostumada com tanta ingratidão filial.

Só adulta colhi o vento que plantei. Hoje, conhecendo o almoço de segunda-feira do RU, tudo o que minha mãe cozinha é um banquete. (Se bem que, após a greve dos servidores da UF**, qualquer comida insossa que me forneça nutrientes é ingerida com gosto se custar R$ 1,30 ou menos.) Além disso, aprendi nesses programas de culinária apresentados por chefs estrangeiros boa-pinta que o músculo é um alimento com alto custo-benefício: barato, rico em proteína e com baixo teor de gordura.

Agora é lei: carne de panela tem que ser músculo. Lambo os dedos quando descubro que essa iguaria borbulha em caldo para ser servida no almoço. Se vier acompanhada de batata e cenoura cortadas em grossos pedaços, caio de joelhos, rendida a tanta gostosura.

(2)

Esse preâmbulo me ocorreu, porque pretendia falar do campeonato de luta (FC) a que assisti ontem. A relação entre um e outro é simples. Sob tantas tatuagens e peles suadas, lá estavam eles: músculos e mais músculos.

Antes que perguntem, fui parar nesse evento graças ao Jornalismo. É nessas horas, quando ele me dá a oportunidade de conhecer novos universos e conversar com pessoas que eu nunca encontraria nos lugares que freqüento, que me reconcilio com ele. (Vamos ver até quando essa trégua vai durar.)

Pleno domingão à tarde, lá estava eu no meio dos musculosos, tentando me camuflar na plateia. Se eu tivesse deixado os óculos em casa talvez tivesse conseguido. Pensando melhor, as minhas caretas de horror cada vez que um quebrava o nariz do outro iriam me denunciar mais cedo ou mais tarde.

Os golpes mais violentos eram os que mais estimulavam o público a urrar e torcer. Ingenuamente, pensei que o objetivo de um campeonato de artes marciais era ver qualidade técnica – chutes que exigem abertura total, sequência de socos que mal podem ser vistos, essa coisa toda. Agora, homens cuspindo sangue ou caindo inconscientes me causam uma sensação semelhante à das cenas críticas de filmes épicos, quando a gente se segura para não cair no choro. Contudo, não foi bem o fato de as pessoas reagirem tão diferente de mim que me espantou mais.

Cheguei a treinar karatê por alguns meses. Gostava bastante. Acho fantástico você superar seus limites e ir visivelmente evoluindo semana após semana. O que eu não entendi ao acompanhar o FC é por que lutadores profissionais, que treinaram anos a fio, se privando de uma série de coisas para poder atingir o ápice de sua forma física, se submetem à depredação. Eu nem teria moral para criticar, porque pessoalmente depredo o meu corpo comendo doces demais. Mas por que fazer isso de forma tão dolorosa?

Não pode ser pelo dinheiro, já que a maioria deles sequer ganha bem. E dinheiro seria uma resposta decepcionante. Os grandes homens não são movidos por salário. Fama? Vaidade? Superação? É, sofrer de dor, mal se agüentar em pé e ainda tirar forças sei lá de onde para continuar pode ser algo nobre. Talvez essa seja a explicação para se correr o risco de ter alguma parte do corpo permanentemente danificada. Talvez não. Um atleta certa vez me disse que a melhor parte de competir era encher a cara do oponente caído no chão de porrada. Nesse caso, eu me envergonharia de gastar meu suado dinheiro para assistir a tal selvageria.

(3)

Oportunamente, loquei hoje “Touro indomável”. Foi uma amiga quem me recomendou, e achei que já era a hora de tapar esse buraco da minha lista de filmes essenciais. Felizmente ainda não vi, caso contrário, este post deveria se resumir a ele (como sempre faço quando vejo um filme bacana). Espero com ele reviver uma boa sensação que tive no campeonato ontem.

Aconteceu o seguinte. Havia um lutador de boxe que estava fazendo a sua quarta luta, enquanto seu adversário já estava na vigésima. O primeiro me parecia bem humilde, exatamente o contrário do segundo, que chegou com tênis de marca famosa e fazendo performance de campeão antes mesmo de a luta começar. Daí é inevitável: a gente acaba torcendo para o que parece ter menos chances. E não é que este foi crescendo no combate? Por fim, ganhou. Quando percebi, estava toda feliz pelo mérito dele. Essas coisas são até bonitas de se ver.

(4)

Nesta ida à locadora, também peguei “Idiocracy” – outra indicação de um amigo. Filme simpático e que é mais interessante sob o ponto de vista moral do que artístico. Conta a história da humanidade em 2 505, quando uma estranha seleção natural leva as pessoas inteligentes à extinção. A lógica é simples: idiotas procriam irresponsavelmente enquanto aqueles que têm “boa cabeça” muitas vezes nem têm filhos. Nesse futuro sombrio, o presidente dos Estados Unidos é Mr. Camacho, lutador profissional e ator pornô. Já que ninguém mais tem cérebro, tudo se torna uma questão de músculos.

Músculos – sempre presentes, eterno retorno.

(Silêncio pensativo de quem não tem mais o que escrever após um texto tão inútil.)

**

Para os nerds de plantão: estou pensando em comprar um notebook da Acer. Alguém sabe me dizer se é uma boa marca?

lunedì 10 agosto 2009

Conversa de cozinha

(7h30) Café da manhã: Por que comprar jornal
(Argumentos em tópico devido ao desgaste mental causado por monografia + trainee + iniciação científica.)

1) O jornal é o veículo mais antigo e mais tradicional do jornalismo. Em 24h ele é produzido, impresso, distribuído, lido e usado para limpar o xixi do filhote de cachorro. Completar esse ciclo diariamente é fazer uma ode à essência da profissão – apressada, imperfeita, mas ainda confiável.

2) Ler jornal nos faz sentir participantes de algo maior do que nossas vidinhas. Domingo, então, é uma bênção; essa prática nos salva da programação ruim da TV e da modorra geral do dia.

3) Uma vantagem da queda de tiragem que os jornais do mundo todo vêm sofrendo é que eles estão repensando seu conteúdo. Felizmente começam a desistir de competir com os meios eletrônicos. Não queremos saber que o avião caiu – isso já sabemos desde a véspera – mas se houve negligência de alguém, qual era a história das pessoas que morreram e o que será feito para melhorar a segurança do transporte aéreo.

4) Há muitas pessoas inteligentes escrevendo em blogs, mas não conheço nenhum site que reúne em um único espaço feras como Elio Gaspari, Ferreira Gullar, Clóvis Rossi, Marcelo Coelho, Marcelo Leite e Mônica Bergamo. Uma única edição da Folha me dá tudo isso.

5) Outra coisa que a internet tenta fazer, mas ainda não o tem com qualidade é um espaço para exposição de opiniões – um único lugar que reúna textos bem construídos e com pluralidade de pontos de vista. Existem os fóruns, onde qualquer um é livre para opinar, mas, sem mediação, muitas vezes a discussão acaba supérflua, isso quando não cai na baixaria. Sejamos sinceros, alguém já viu um tópico do orkut onde todos participassem acrescentando algo relevante?

6) Portabilidade é uma das palavras que mais ouço em propaganda de telefonia 3G. Só que eu não conheço ninguém que tenha condições de pagar por esses serviços. Agora, quer coisa mais prática do que pegar o jornal, dobrar em quatro, colocar debaixo do braço e ir para o trabalho? Isso sim é a portabilidade que eu vejo se concretizar no dia a dia.

7) Todas as vantagens que eu listei acima poderiam cair por terra diante do comentário “eu leio o jornal pela internet de graça, não preciso comprá-lo” ou “acompanho os portais de notícia”. Meu pai, por exemplo, ficou maravilhado quando descobriu esses dias atrás que a Gazeta do Povo inteira estava no site. “Nunca mais vou precisar gastar um centavo com jornal”, ele disse.
A campanha publicitária mais recente da Folha de S. Paulo responde por mim: quando você assina o jornal, você está contribuindo para que o jornal seja independente. A lógica é bem simples. Um jornal que vende bastante atrai mais anunciantes e pode investir mais no conteúdo. Ao mesmo tempo, pode se dar ao luxo de recusar anunciantes que insistam em palpitar em sua política editorial. Os R$2,50 que você paga na banquinha não custeiam apenas o papel e a tinta, mas toda uma estrutura jornalística. Nos sites de notícia da internet, ainda se têm poucas matérias originais, quase tudo é reproduzido de fontes oficiais ou copiado descaradamente de jornais e revistas. É o jornalista da mídia impressa que investiga e traz a sujeira alheia à tona. É ele que analisa o que os sites contaram em dois ou três parágrafos e a TV em dois minutos. Ou você acha que o jornalista de um site pode tirar mais de um dia para se dedicar a uma matéria? Por isso discordo veemente com Paul Starr quando ele diz que os jornais em breve vão acabar. Se um dia isso acontecer, acabou o bom jornalismo, porque restarão apenas os press releases. Que grande evolução, hein?

**



(16h) Café da tarde: Brownie
Segue abaixo uma receita que eu peguei no site da Nestlé (fantástico!) e fiz nesta tarde. Muito fácil e não custa tanto.

Brownie de Nescau
Para estudantes sem renda que não podem pagar por chocolate do padre e cuja fome não permite esperar muito. A receita custa menos de dez reais e fica pronta em 50 minutos (contando preparo e cozimento).

I) Ingredientes
200 g de manteiga (sempre uso a margarina própria para culinária, que já vem divida em tabletes de 100g tornando a medida mais precisa)
1 xícara (chá) de Nescau (pode ser qualquer um, no meu caso, usei o light)
1 xícara e meia (chá) de açúcar (cristal é melhor)
4 ovos
1 xícara e meia (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de noz picada (substituí por castanha de caju, que estava bem mais barata no mercado)
manteiga para untar
farinha de trigo para polvilhar

II) Modo de preparo
Derreta a manteiga em uma panela e dissolva o Nescau. Reserve. Bata levemente os ovos com um garfo, acrescente o açúcar e misture bem. Acrescente o creme reservado, a farinha peneirada e as nozes picadas, incorporando tudo muito bem. Despeje a massa em uma fôrma retangular (24 x 35 cm) untada e enfarinhada e leve ao forno médio (180ºC) preaquecido, por aproximadamente 25 minutos (no meu forno precisei deixar 35 minutos, por isso, confira se está cozido antes de desligar o fogo). Deixe esfriar e então corte-o em quadradinhos.

Obs: Proibido para quem está de regime. Se cortar em 35 quadradinhos, cada um tem em média 100 kcal.